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Porto Alegre, quinta-feira, 10 de outubro de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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conjuntura

Edição impressa de 10/10/2019. Alterada em 09/10 às 22h22min

Porto Alegre acompanha deflação nacional

Categoria transportes, que inclui combustíveis, se destacou em Porto Alegre

Categoria transportes, que inclui combustíveis, se destacou em Porto Alegre


MARIANA CARLESSO/JC
Eduardo Lesina
A queda nos preços para o consumidor porto alegrense acompanhou a variação nacional. No mês de setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no Brasil registrou deflação - queda contínua nos preços - de 0,04% na média (mesmo patamar verificado em Porto Alegre). É a maior deflação para o mês de setembro desde 1998. Se, por um lado, a deflação reflete a redução dos preços, por outro indica um enfraquecimento na renda da população. 
A queda nos preços para o consumidor porto alegrense acompanhou a variação nacional. No mês de setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no Brasil registrou deflação - queda contínua nos preços - de 0,04% na média (mesmo patamar verificado em Porto Alegre). É a maior deflação para o mês de setembro desde 1998. Se, por um lado, a deflação reflete a redução dos preços, por outro indica um enfraquecimento na renda da população. 
Ao contrário da desinflação - quando os preços ainda sobem, mas em um ritmo mais lento -, a deflação na economia é resultado da diminuição no poder aquisitivo. Assim, os vendedores são induzidos a baixarem os preços para manter as vendas. Para o economista e docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Leonardo Xavier, a notícia serve como um alerta para o futuro econômico do País: "normalmente, a deflação acontece em um momento de retração da economia".
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Divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA da capital gaúcha de setembro apontou a maior queda no grupo dos transportes. Enquanto a média nacional não variou entre agosto e setembro, Porto Alegre teve baixa de 0,12% nos preços. A maior responsável pela mudança ficou na precificação da gasolina, que teve baixa de 1,66% - a maior redução no comparativo das 16 capitais brasileiras analisadas. A média nacional ficou em 0,04%.
Embora a gasolina tenha apontado declínio, o diesel apresentou alta de 3,52% no comparativo mensal; já a variação brasileira foi de 2,56% no mês passado. Para o presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Estado do Rio Grande do Sul (Sulpetro), João Carlos Dal'Aqua, os preços baixaram por iniciativa dos revendedores de se colocarem melhor no mercado: "não houve uma mudança tão significativa no preço das distribuidoras. A queda é uma tentativa dos postos de buscar mais clientes e retomar as vendas". Dal'Aqua cita ainda a pressão do consumidor na gasolina, visto que o combustível tem grande apelo popular, o que gera maior competição entre os postos.
Além das questões internas, a mudança na política de preços da Petrobras pode ter interferência na variação. Xavier, que também coordena o Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe) da Ufrgs, cita que a queda pode ser reflexo da pressão internacional, a qual teve impacto maior no mês de agosto, mas acaba por influenciar a precificação de setembro.
No âmbito nacional, a deflação foi puxada pela queda nos preços do grupo de alimentação e bebidas, com variação negativa de 0,43%. "O setor de alimentos tem muita influência por questões de sazonalidade", explica Xavier, referindo-se à tendência de aumentar a oferta nas épocas mais quentes (principalmente de produtos não processados), e o consumo não acompanha esse acréscimo.
Em Porto Alegre, a alteração foi menor: 0,34% mais barato na taxa do último mês. Na capital gaúcha, a alimentação em casa caiu 0,40%, enquanto os gastos com o consumo alimentício em bares e restaurantes tiveram decréscimo de 0,21%. Conforme Maria Fernanda Tartoni, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio Grande do Sul (Abrasel-RS), a retração nos gastos com a alimentação fora do lar já era uma realidade.
"O setor esperava uma mudança que não ocorreu, então foi forçado a reduzir o ticket médio de venda e realizar promoções para se manter", esclarece Maria Fernanda. Com novos entrantes no mercado, a busca pelo incremento nas vendas resultou na queda dos preços, mas também na redução dos gastos para os restaurantes e bares gaúchos. "É uma queda impactante, mas planejada. O consumidor está gastando menos e os donos de restaurantes estão se movendo para serem mais atrativos", completa a presidente da Abrasel-RS.
Para Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, não houve surpresa do mercado, afinal, outros dados indicavam uma economia estagnada. "No caso do IPCA os dados não surpreenderam, até porque a economia não está andando. O mercado ainda está desaquecido, como podemos ver pela taxa de desemprego que não cai, pois, a economia ainda não está sentindo o efeito de medidas como o corte de juros. Assim, a inflação estagnada ou em queda já era esperada. Precisamos, agora, olhar ainda os próximos dados, mas é fato que a inflação irá terminar o ano abaixo do centro da meta", analisa Laatus.

Entenda os termos

Inflação: aumento contínuo e generalizado dos preços ao longo de determinado tempo.
Deflação: redução contínua e generalizada dos preços
Desinflação: aumento dos preços em um ritmo mais lento.
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