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Plástico

- Publicada em 23h30min, 25/09/2019. Atualizada em 23h29min, 25/09/2019.

Prática da reciclagem gera valores intangíveis

Energiplast debateu os caminhos do reaproveitamento de resíduos

Energiplast debateu os caminhos do reaproveitamento de resíduos


/MARCO QUINTANA/JC
Jefferson Klein
A atividade no mercado de reciclagem vai além da simples relação de venda e compra de um produto. Quem atua nessa área também se beneficia com os chamados "ativos intangíveis" como ganho de marca, prestígio e reputação. Porém, apesar das campanhas intensivas que ocorrem atualmente defendendo o descarte correto, ressaltando a importância do reaproveitamento de materiais, as empresas que trabalham com itens reciclados sustentam que é preciso também promover o uso desses artigos entre os consumidores finais.
A atividade no mercado de reciclagem vai além da simples relação de venda e compra de um produto. Quem atua nessa área também se beneficia com os chamados "ativos intangíveis" como ganho de marca, prestígio e reputação. Porém, apesar das campanhas intensivas que ocorrem atualmente defendendo o descarte correto, ressaltando a importância do reaproveitamento de materiais, as empresas que trabalham com itens reciclados sustentam que é preciso também promover o uso desses artigos entre os consumidores finais.
Essas posições foram ressaltadas durante a 10ª edição do Energiplast - Fórum Brasileiro de Reciclagem Energética com Ênfase em Plásticos, promovida pelo Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), ontem, na Fiergs. "Queremos limpar o mundo do plástico, usando o plástico como ferramenta", destaca o CEO e fundador da companhia chilena Atando Cabos (Grupo Comberplast), Francisco Cruz, um dos participantes do encontro. O foco da iniciativa Atando Cabos é reciclar resíduos da indústria pesqueira no sul do Chile (Patagônia), o que envolve cordas, redes, boias etc. Com o material recuperado, são feitos produtos como caixas e pallets.
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A empresa recicla em torno de 800 toneladas por ano, sendo que para 2019 a meta é chegar a um patamar de 1,2 mil toneladas e para 2020 alcançar até 2 mil toneladas. Cruz enfatiza que não é possível ir contra uma imagem de um animal marinho preso em um artefato plástico, então não se pode nadar contra a corrente. Segundo o executivo, o problema não está no material e sim no modelo econômico que é linear, ou seja, da utilização única e do descarte, sem reaproveitamento. O CEO da Atando Cabos frisa que quando se atua com a reciclagem está se priorizando a responsabilidade do uso de recursos, participação das comunidades locais, redução das emissões de CO2 e recuperação de ecossistemas.
O gerente de Desenvolvimento de Negócios em Reciclagem e Economia Circular da Braskem, Renato Ditomaso, salienta que, no passado recente, a indústria petroquímica (que produz a resina termoplástica virgem) via na reciclagem uma espécie de concorrência. "Mas, o mundo está mudando", alerta. O dirigente acrescenta que o debate sobre a economia circular começou a se intensificar. O integrante da Braskem afirma que hoje há um papel mais cooperativo entre as empresas da cadeia do plástico para o reaproveitamento de materiais. "Sozinhos não vamos conseguir mudar tudo, vamos precisar de parceiros", argumenta. Uma dessas ações colaborativas, citadas por Ditomaso, acontecerá no Rock in Rio 2019, que acontecerá de 27 de setembro a 6 de outubro. Heineken, Natura e Braskem acertaram de reciclar milhões de copos que serão utilizados durante o evento, transformando-os em embalagens de produtos da Natura.
A preocupação com o reaproveitamento de materiais tende a crescer, porque a demanda por produtos se elevará com o aumento da população mundial. Segundo Ditomaso, é esperado que até 2050 sejam adicionados outros 2 bilhões de indivíduos no planeta, o que equivale a seis vezes a população atual dos Estados Unidos e duas vezes e meia a população da Europa. Entre as soluções apresentadas, assim como a reciclagem mecânica, o dirigente aponta a química, que através do processo térmico propicia a quebra do plástico para produzir gás, óleo e coque (um tipo de combustível). O gerente da Braskem lembra que ainda há a opção da reciclagem energética. Entretanto, no Brasil, que possui uma ampla matriz de energia renovável e devido à prática envolver a incineração de plásticos, que geram gases que contribuem para o efeito estufa, Ditomaso não a julga como a melhor alternativa.

Discurso de jovem na ONU chama a atenção para o tema ambiental

Fórum Energiplast na Fiergs 
Na foto:  Djalma Azevedo ( Azeplast )
Fórum Energiplast na Fiergs Na foto: Djalma Azevedo ( Azeplast )
/MARCO QUINTANA/JC

O diretor da Azeplast Indústria de Plástico, Djalma Azevedo, durante a Energiplast, recordou a manifestação da jovem estudante sueca Greta Thunberg, que se pronunciou na conferência de clima da Organização das Nações Unidas (ONU), na segunda-feira, quanto à questão das mudanças climáticas globais. O empresário considera que, mesmo tendo sofrido algumas críticas, a abordagem é pertinente e realmente existe um problema que não está solucionado e é preciso fazer algo a respeito.

Atuando no segmento de embalagens recicladas, Azevedo diz que é necessário superar algumas dificuldades culturais para que o artigo reciclado tenha mais saída. "O ponto chave para ter um produto reciclado é ter consumo para esse item", ressalta. O diretor da Azeplast lamenta que o descarte adequado é promovido no Brasil, mas não o consumo do reciclado. O coordenador do Energiplast, Luiz Henrique Hartmann, concorda que ainda há consumidores que olham esse tipo de item com restrições. De acordo com o dirigente, ainda é uma questão de evoluir essa cultura de consumir produtos reaproveitados. Sobre o Energiplast, Hartmann pensa que o evento atingiu a maturidade na sua décima edição.

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