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Turismo

- Publicada em 22h16min, 01/09/2019. Atualizada em 22h16min, 01/09/2019.

Crise na Argentina favorece turista brasileiro

Na sexta-feira, com R$ 1 mil, era possível comprar US$ 241

Na sexta-feira, com R$ 1 mil, era possível comprar US$ 241


/EITAN ABRAMOVICH/AFP/JC
A forte desvalorização do peso argentino e a declaração de moratória do país, feita na última quarta-feira, faz da Argentina um destino favorável para o turista brasileiro, mas só por enquanto. O peso argentino está desvalorizado, o que significa que o dinheiro dos turistas brasileiros está valendo mais. A Argentina, no entanto, tem uma inflação alta - o acumulado dos últimos 12 meses é de 55% - e que continua crescendo.
A forte desvalorização do peso argentino e a declaração de moratória do país, feita na última quarta-feira, faz da Argentina um destino favorável para o turista brasileiro, mas só por enquanto. O peso argentino está desvalorizado, o que significa que o dinheiro dos turistas brasileiros está valendo mais. A Argentina, no entanto, tem uma inflação alta - o acumulado dos últimos 12 meses é de 55% - e que continua crescendo.
Isso neutraliza parte do ganho de poder de compra proporcionado pela moeda mais barata, explica Vinícius Müller, doutor em História Econômica e professor do Insper. Ainda assim, por causa do peso desvalorizado, hoje, a Argentina está mais em conta para o turista brasileiro do que há alguns meses.
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Um levantamento da operadora de turismo CVC apontou que o valor em dólar de alguns produtos no país vizinho caiu quase pela metade de 2018 para cá. Empanadas, água, refrigerantes, cerveja e refeições estão custando, hoje, pouco mais da metade do que custavam em 2018, mesmo quando o valor é convertido em reais.
Ainda segundo dados da CVC, uma empanada, que, em 2018, saía por R$ 6,89, hoje, é encontrada por R$ 3,93. Uma refeição simples, para uma pessoa, passou de R$ 68,94 para R$ 35,71. Esse efeito, no entanto, não deve durar muito tempo. Como a Argentina é um importante parceiro comercial do Brasil, a crise do lado de lá pode afetar a moeda de cá, que também pode perder valor. "Se a Argentina tem capacidade menor de importar do Brasil, o mercado entende que isso vai prejudicar o nosso País e que a moeda brasileira será desvalorizada", afirma Müller.
Mas, como o Brasil é uma economia maior e mais estável do que a Argentina, essa desvalorização tende a ser mais branda e lenta. Segundo o professor do Insper, quem for viajar para a Argentina dentro de um mês ainda terá poder de compra alto. Depois disso, a moeda brasileira também pode se desvalorizar, anulando esse ganho.
Nesse cenário futuro, uma opção é comprar dólares agora, no Brasil, e guardá-los para trocar na Argentina, já que o peso deve continuar perdendo valor frente à moeda americana. "Quem fizer essa conversão em dólar tende a ganhar, porque dificilmente a Argentina terá um processo de recuperação rápido", diz Müller.
A tendência é que o processo inflacionário no país continue, ainda mais se o candidato a presidente Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, confirmar, na eleição de 27 de outubro, a vitória prevista pelas eleições primárias, realizadas no último dia 11.
"Dependendo de como forem os discursos de Kirchner e de Fernández, se eles ganharem, o mercado vai reagir de maneira negativa e agressiva", afirma o professor. Quem vai à Argentina deve, ainda, prestar atenção na forma de pagamento. Segundo reportagem publicada pela Folha nesta quinta-feira, os turistas podem conseguir descontos de até 20% em restaurantes se optarem por pagar em dinheiro, em vez de usar o cartão de crédito. Isso porque muitos donos desses estabelecimentos não aceitam mais os cartões por medo de perder valor entre a data da compra e o dia em que recebem o valor da operadora.
Mas usar o cartão de crédito brasileiro na Argentina pode trazer vantagens ao turista, já que o total da compra em peso poderá ficar menor na data de fechamento da fatura, caso a moeda do país siga se desvalorizando.
No momento, o turista brasileiro faz melhor negócio se levar reais para trocar na Argentina. Na quinta-feira passada, o banco argentino Nación comprava o real por 13,60 pesos. Assim, caso levasse R$ 1 mil para o país, o visitante brasileiro teria cerca de 13.600 pesos. Uma opção popular para quem vai para o país vizinho é levar dólares. Na sexta-feira, com R$ 1 mil, o turista brasileiro compraria, em São Paulo, cerca de US$ 241. Ao trocar esse valor na Argentina, conseguiria cerca de 12.903 pesos. Isso vale para quem for a Buenos Aires.
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