Porto Alegre, domingo, 26 de julho de 2020.
Dia dos Avós.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
domingo, 26 de julho de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Indústria

- Publicada em 21h15min, 18/08/2019. Atualizada em 17h49min, 19/08/2019.

Abicalçados prevê crescimento tímido em 2019

Ferreira assumiu a presidência da associação calçadista em 1 de agosto

Ferreira assumiu a presidência da associação calçadista em 1 de agosto


/ABICALÇADOS/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Já ultrapassada a barreira da metade do ano, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estima um pequeno incremento nas vendas das companhias do setor até ao final de 2019. Em relação a 2018, a perspectiva é de uma elevação de 1,1% quanto à quantidade, alcançando 954,4 milhões de pares, e 2,9% em valores, atingindo faturamento de R$ 22 bilhões. O novo presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, admite que, inicialmente, esperava-se um desempenho melhor para o segmento calçadista, mas a economia brasileira está demorando para reaquecer. O gaúcho de Rolante e administrador de empresas tomou posse oficialmente da presidência da Abicalçados em 1 de agosto, substituindo Heitor Klein, que esteve por 27 anos à frente da associação.
Já ultrapassada a barreira da metade do ano, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estima um pequeno incremento nas vendas das companhias do setor até ao final de 2019. Em relação a 2018, a perspectiva é de uma elevação de 1,1% quanto à quantidade, alcançando 954,4 milhões de pares, e 2,9% em valores, atingindo faturamento de R$ 22 bilhões. O novo presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, admite que, inicialmente, esperava-se um desempenho melhor para o segmento calçadista, mas a economia brasileira está demorando para reaquecer. O gaúcho de Rolante e administrador de empresas tomou posse oficialmente da presidência da Abicalçados em 1 de agosto, substituindo Heitor Klein, que esteve por 27 anos à frente da associação.
Jornal do Comércio - Qual a sua avaliação do mercado calçadista na primeira metade de 2019 e o que esperar até o final deste ano?
Haroldo Ferreira - O primeiro semestre terminou, e a expectativa que se tinha em janeiro não aconteceu. Esperava-se, com a mudança do governo, ter um incremento, e, até agora, não conseguimos crescer praticamente nada. A nossa expectativa, agora, é, no último quadrimestre, ter uma leve recuperação. A nossa projeção mais otimista não vai mais acontecer, mas acreditamos que o ano possa ter um crescimento sobre a base de 2018. A estimativa é de uma elevação de 1,1% em quantidade (atingindo 954,4 milhões de pares) e 2,9% em valores (alcançando R$ 22 bilhões em faturamento). Temos que conseguir esse número positivo para, pelo menos, em 2020, arrancarmos um pouco melhor, para a roda começar a girar.
JC - Por que o otimismo com a economia acabou não se confirmando na primeira metade do ano?
Ferreira - Porque a economia está travada. Todos os setores projetavam que, com a troca do governo, a economia teria um aquecimento, e isso se frustrou. O próprio governo demorou muito para conseguir emplacar algumas mudanças. A questão da reforma da Previdência, tinha uma expectativa de ser aprovada mais cedo.
JC - As empresas calçadistas nacionais estão percebendo algum reflexo com a guerra comercial travada entre Estados Unidos e China no cenário internacional?
Ferreira - Esse reflexo já aconteceu. As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 40% (nos primeiros sete meses do ano) em relação ao ano passado. Já se colheu frutos dessa guerra, e acreditamos que podemos aumentar mais 5 pontos percentuais até o final de 2019, em função dessa situação. O setor calçadista não está tão ruim em função da exportação, apesar da Argentina, que é o segundo maior país importador, atrás somente dos norte-americanos. Se olhar em valores, enquanto os Estados Unidos aumentaram 40%, a Argentina caiu 37%, reflexo da crise econômica nesse país. Hoje, 85% da produção nacional é destinada ao mercado interno, e o restante, para exportação.
JC - O patamar atual do câmbio é benéfico ou prejudicial para o setor?
Ferreira - Está bom. O número ideal é entre R$ 3,60 e R$ 3,80. Quando ultrapassa esse limite, é positivo (para as exportações), mas há reflexos depois, pois parte dos insumos são importados e desregula a economia. Abaixo de R$ 3,60, prejudica as exportações.
JC - O que representa substituir no comando da Abicalçados o ex-presidente Heitor Klein, que ficou 27 anos no cargo?
Ferreira - É uma missão muito difícil. O próprio setor calçadista ou a história da Abicalçados se confunde um pouco com a história do Heitor, que tem reconhecimento internacional. Esse processo de sucessão foi todo alinhado com o próprio Heitor. Eu vim, exclusivamente, me dedicar à Abicalçados em fevereiro, fiquei até o dia 31 de julho no cargo de diretor. A partir de agosto, assumi como presidente, e o Heitor continua como diretor na entidade, até 31 de dezembro, e, a partir de 2020, ele segue como consultor da associação.
JC - No cenário macroeconômico, quais são os tópicos que a Abicalçados tem acompanhado?
Ferreira - O primeiro deles é a reforma tributária, que impacta diretamente o nosso setor. A reforma beneficia toda a economia, e temos convicção que tem que ser feita. Um dos pontos que está claro em qualquer uma das propostas apresentadas até agora é que, em um primeiro momento, não tem como reduzir a carga tributária, que é um problema do País. Mas uma reforma deixará mais fácil, mais simples, a administração das próprias empresas, reduzindo um pouco o custo Brasil. Outro ponto que tem que ser abordado é a guerra fiscal.
JC - Mais alguma preocupação?
Ferreira - Estamos trabalhando e acompanhando a questão da abertura econômica. Esse governo deixou bem claro que vai abrir a economia, e isso tem nos preocupado. Nós achamos que tem que ter uma economia aberta, porém, para abrir a economia, temos que reduzir o custo Brasil. Não podemos simplesmente baixar uma taxa de importação que hoje é de 35% para 15%, que foi a sinalização passada, se não reduzir no mesmo nível o Custo Brasil.
JC - Como a guerra fiscal tem refletido no setor?
Ferreira - O Rio Grande do Sul, por exemplo, enfrenta a falta de competitividade em relação a Santa Catarina. O mesmo problema que o setor calçadista gaúcho enfrenta os paulistas têm com a concorrência de Minas Gerais. Isso, com uma reforma tributária, vai começar a ser equalizado. O problema é o tempo que vai ser necessário para resolver essas divergências.
JC - Atualmente, qual é a diferença da carga tributária entre os setores calçadistas gaúcho e catarinense?
Ferreira - Em torno de 10% a menos, em Santa Catarina, no produto final.
JC - O Nordeste segue atraindo empresas calçadistas do Rio Grande do Sul para os estados daquela região?
Ferreira - O Nordeste continua sendo um grande polo atrativo, contudo a migração, não que não aconteça, diminuiu muito nos últimos anos. As vantagens não são tão significativas hoje. Há 20 anos, tinha uma grande diferença quanto à mão de obra e tributária. A diferença a respeito da mão de obra, no momento, basicamente não existe mais. Então sobra somente a questão tributária.
Comentários CORRIGIR TEXTO