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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de junho de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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Turismo

Edição impressa de 10/06/2019. Alterada em 09/06 às 22h09min

Agroecologia focada no slow tour é atração no Sul

Ecosabores integra Rota Sabores e Saberes crédito divulgação Cultivo Comunicação Rural (1)

Ecosabores integra Rota Sabores e Saberes crédito divulgação Cultivo Comunicação Rural (1)


/CULTIVO COMUNICAÇÃO RURAL/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Lampert
Produtores de quatro cidades gaúchas localizadas a cerca de 70 quilômetros da Capital criaram uma receita que combina convívio com a natureza, preservação do meio ambiente, agroecologia e turismo com responsabilidade social para atrair visitantes ao Vale do Caí. Os ingredientes, que incluem no cardápio a oferta de passeios e gastronomia com base em frutas cultivadas pelos agricultores locais, já levaram aproximadamente 200 mil pessoas à região, segundo dados da Emater de Lajeado. Em conjunto com o Sebrae-RS e a Fetag, a empresa de extensão rural foi uma das apoiadoras do projeto, implementado em 2012. "As três entidades foram fundamentais para que este sonho saísse do papel", comenta o presidente da Rota, Luiz André Steffen.
Formada por 10 empreendimentos de cidades de Bom Princípio, Harmonia, Montenegro e Tupandi, a Rota Sabores e Saberes passou recentemente por um reposicionamento de marca. Para oficializar a consolidação do roteiro e reforçar a importância do turismo rural e das parcerias com o poder público, o comércio e a comunidade, o grupo promoveu recentemente um evento na Cachaçaria Harmonie Schnaps, na cidade de Harmonia. Alambique fundado por Leandro Hilgert e Fabiani Hansen, o local produz cachaças artesanais e oferece visita guiada para o turista conhecer toda a produção, desde a moagem até o envase e o envelhecimento. Ao final, o visitante tem a oportunidade de degustar a bebida.
Agricultor na propriedade Ecosabores de Bom Princípio, Steffen observa que o principal mote do projeto é mostrar às pessoas que "outro mundo é possível e que existe produção de alimentos saudáveis, sem agressão ao meio ambiente". "A Rota busca aproximar o campo da cidade, aumentar a renda de agricultores e incentivar sucessão rural", completa. O presidente da Rota observa, ainda, que a preservação da história da região por meio de saberes herdados de antepassados garante que, ainda hoje, os empreendimentos possam realizar essa mescla de turismo aliado ao conhecimento.
"Nossa propriedade está na família desde 1927, quando foi adquirida pelo meu trisavô, e, de lá para cá, vem passando de pai para filho", comenta o atual proprietário do Sítio Steffen, Jean Steffen. Localizado em Montenegro, além de produzir uma das frutas mais importantes da região, o empreendimento é também um espaço de lazer que oferece trilhas, passeio de carroça pelos pomares de bergamota e visitação a um museu com objetos antigos da região, a exemplo de um alambique.
Já a Agrofloresta do Inacinho, localizada em uma área de 13,5 hectares na cidade de Tupandi, apresenta uma produção agroflorestal pioneira no cultivo de citros, também oferecendo visita guiada, com lanche e almoço. O casal de proprietários Inácio Rohr e Ivete Juver conta que já recebeu cerca de 12 mil turistas (principalmente universitários, agricultores e técnicos) de 20 países desde 2000. "Para nós é mais uma alternativa de renda, mas o principal desejo é repassar o conhecimento de um trabalho de 23 anos de agroecologia na produção de citros orgânicos", comenta Rohr, que tem um sistema pioneiro em agrofloresta com produção de citros no Brasil e é sócio-fundador da Ecocitrus.
Em Bom Princípio, é a produção de morangos da Ecosabores comandada por Adriana e André Steffen, que atrai os visitantes. A empresa tem como carro-chefe o processamento de geleias e sucos com marca própria e oferece visita guiada e refeição com gastronomia local em uma propriedade rodeada por mata nativa. "Em nossa região, ainda falta as prefeituras enxergarem o turismo como uma engrenagem que movimenta o comércio, os hotéis e os restaurantes", sinaliza o presidente da Sabores e Saberes.
André Steffen destaca que o projeto gera renda não somente para os agricultores que abrem as propriedades, mas para toda a região, além de elevar a autoestima dos moradores das cidades envolvidas.
 

Colher frutas e aproveitar a natureza são atrativos para os visitantes

Agrofloresta do Inacinho, de Tupandi, está entre os destinos da rota

Agrofloresta do Inacinho, de Tupandi, está entre os destinos da rota


/ROTA SABORES E SABERES TURISMO/DIVULGAÇÃO/JC

Com a próxima visitação agendada para domingo, dia 16 de junho, o produtor de bergamotas e laranjas agroecológicas, Jean Steffen, e a esposa Eliete recebem cerca de 2 mil pessoas por ano, oferecendo também comida típica de interior, acompanhada de suco de bergamota, no almoço; e um lanche também com produtos coloniais durante à tarde. Colher fruta do pé, descansar em meio a uma paisagem bucólica e aproveitar a natureza são algumas características do slow tour, segmento de viagens com foco na tranquilidade do turista.

"Participamos da Rota Sabores e Saberes desde 2007, mas antes disso já recebíamos pessoas que chegavam para conhecer como é o processo de cultivo de orgânicos e entender como eles chegam às feiras agroecológicas", comenta. Steffen destaca que a medida que a visitação aumentou, o casal passou a investir em reformas na propriedade, buscando não descaracterizar a estrutura original. Campo de futebol e de vôlei, e cancha de bocha também integram as alternativas de lazer no Sítio Steffen. "Nosso público é bem variado: recebemos desde turmas escolares a grupos de igrejas, e inclusive locamos o espaço para festas de casamentos e aniversário", afirma o proprietário.

Atualmente, as propriedades e associações que integram a rota são Sítio Steffen, Casa da Atafona e Ecocitrus (em Montenegro); Ecosabores e Casa do Artesão Mãos com Arte (em Bom Princípio); Harmonie Schnaps, Horto das Margaridas e Pesque e Pague do Batata (em Harmonia); e Agrofloresta do Inacinho e Sobrado Weber (em Tupandi). "Ainda existe um grande potencial a ser explorado em função da localização da região do Vale do Caí, e da base do projeto ser da agricultura familiar, além das características da região e do povo acolhedor", observa o presidente da rota.

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