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Porto Alegre, quarta-feira, 03 de abril de 2019.
Dia do Atuário.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 03/04/2019.
Alterada em 03/04 às 16h44min
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'Temos que trazer o dinheiro investido de volta', diz Kepler

Esse é o melhor momento para os empreendedores no País, diz Kepler

Esse é o melhor momento para os empreendedores no País, diz Kepler


/BOSSA NOVA/DIVULGAÇÃO/JC
Dentro do cenário de identificação de novos empreendedores e aporte de recursos em startups, a etapa do desinvestimento é fundamental, até mesmo para fazer com que novos investimentos possam ser feitos nesse ecossistema. O alerta é de João Kepler, Lead Partner da Bossa Nova Investimentos e premiado como melhor Investidor Anjo do Brasil pelo Startup Awards. Ele esteve em Porto Alegre na semana passada para falar, justamente, sobre como selecionar e preparar negócios para o desinvestimento. O evento aconteceu na Fábrica do Futuro, novo ecossistema de inovação inaugurado recentemente em Porto Alegre, liderado por Francisco Hauck. Aliás, o espaço recebeu elogios de Kepler, um grande incentivador do ecossistema empreendedor brasileiro. "A importância de um local como a Fábrica do Futuro é que ela é muito mais do que um prédio ou um coworking, mas um ponto de encontro e de convergência entre todos para que a mágica possa acontecer", comenta.
Jornal do Comércio - Como você avalia o cenário atual para o empreendedorismo no Brasil?
João Kepler - Esse é o melhor momento para os empreendedores no Brasil. Eles têm muito mais informação e conhecimento do que há alguns anos. E as startups estão aplicando as informações que estão disponíveis, participando de eventos, fazendo cursos, treinamentos. E tudo isso no Brasil, pois antes para ter acesso a estes conteúdos, precisavam ir para os Estados Unidos. Tudo isso faz com que os nossos empreendedores estejam muito melhor preparados. Temos também um ecossistema formado, com entidades, governo e investidores fazendo a sua parte.
JC - O que ainda falta para termos mais startups de alto impacto criadas no País?
Kepler - Um dos aspectos importantes é termos mais incentivo governamental, incluindo incentivos fiscais. Hoje em dia, esse tipo de investidor de alto risco é tributado na maior escala possível. Na Europa, cada 1 mil euros que um investidor coloca em uma startup, recebe outro 1 mil. No Brasil, vivemos a situação contrária. Sem falar que está provado cada R$ 1,00 de investimento em startups resulta em um retorno de R$ 5,84 na economia em cinco anos.
JC - Temos recursos suficientes para investir nestas empresas do futuro?
Kepler - Por enquanto, estamos na velocidade que deveríamos estar. Claro que nos Estados Unidos tem muito mais dinheiro disponível - aqui ainda temos mais projetos do que recursos. Hoje os investidores brasileiros aportam cerca de R$ 1 bilhão por ano nas startups e precisaríamos passar para R$ 5 bilhões. O mais interessante é que temos esse dinheiro, mas ele está alocado em private equity, em imóveis, e não em venture capital, como nos Estados Unidos. Mas, vamos chegar lá.
JC - E como tem sido esse retorno do investimento para os investidores?
Kepler - Os players brasileiros tradicionais de venture capital trabalham para fazer o desinvestimento nas startups após 10 anos. A Bossa Nova trabalha para ter retorno em um período menor. Fazemos eventos de liquidez rotineiramente, distribuindo resultados em menos anos. A Bossa Nova já tem 11 caso de exits, e provavelmente somos o fundo de investimento líder neste aspecto no País. O Brasil tem casos de exits, mas isso ainda é pouco divulgado. Precisamos trazer o dinheiro investido de volta, para voltar a investir.
JC - Como equilibrar os riscos deste tipo de investimento?
Kepler - Não temos o costume no Brasil de falar das perdas. Mas é importante que isso seja comentado. No caso da Bossa Nova, de 2015 para cá, já investimos em 400 startups, tivemos 19 write off (prejuízo, perdemos tudo) e 11 exits.
JC - O número de negócios investidos pela Bossa Nova que não deram certo é baixo, considerando a alta taxa de mortalidade das startups no mercado em geral. A que você atribui isso?
Kepler - De fato, 19 perdas de 400 investidas é um número baixo mesmo. Atribuo isso ao nosso modelo de investimentos no early stage - aportamos nas empresas em uma fase em que elas já passaram pelo investimento-anjo e antes de chegar ao SEED. Preferimos investir de R$ 100 mil a R$ 500 mil e depois, se a empresa deslanchar, podemos fazer um cheque maior na sequência, quando elas já são mais high performers. Já os players de Venture Capital mais tradicionais geralmente escolhem startups mais maduras e fazem cheques maiores, acima de R$ 2 milhões, e investem de quatro a oito empresas por ano. A gente investe em até 100 por ano, mas só fazemos só nas que performaram.
JC - O que leva a um exit e qual a característica das operações da Bossa Nova que alcançaram esse status?
Kepler - O exit acontece quando ocorre um evento de liquidez qualquer, seja por uma aquisição estratégica, um exit para um outro fundo ou uma oferta pública. Pode ser um fundo maior que fez a compra ou uma empresa que identificou que aquela solução desenvolvida é importante para o seu negócio e resolveu adquirir 100% de uma das nossas operações investidas. Aí fazemos a nossa saída. Nas startups em que fizemos o exit por performance, isso aconteceu quando essas operações alcançaram um crescimento exponencial, duplicando ou triplicando o tamanho a cada ano. Isso chamou a atenção dos fundos de investimentos maiores que avaliaram e pensaram: se eu não entrar agora, a empresa vai crescer tanto que vai pular o meu estágio, e vou perder dinheiro.
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Patrícia Knebel

Ecossistemas de inovação, tendências globais para os negócios, marketing digital, as tecnologias que são os pilares da transformação digital (como mobilidade, Internet das Coisas e Big Data) e todas as novidades que impactam o comportamento dos consumidores e o futuro das empresas e das cidades estão na coluna Mercado Digital. Estou feliz por você estar aqui.