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Porto Alegre, terça-feira, 02 de abril de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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Mineração

Edição impressa de 28/03/2019. Alterada em 27/03 às 21h47min

Projeto carboquímico incluirá areia e cascalho

Investimento em exploração é estimado em US$ 4 bilhões, diz Faria

Investimento em exploração é estimado em US$ 4 bilhões, diz Faria


CLAITON DORNELLES /JC
Jefferson Klein
A ideia de formar um complexo carboquímico na região do Baixo Jacuí do Estado proporcionará outras atividades paralelas, além da extração do próprio carvão. A exploração da mina Guaíba, (que apesar do nome encontra-se entre Eldorado do Sul e Charqueadas), da Copelmi, também poderá atender, conforme os dirigentes da empresa, à toda demanda de areia e cascalho do Rio Grande do Sul.
A mina possui jazidas que chegam a 166 milhões de toneladas de carvão, 422 milhões de metros cúbicos de areia e 200 milhões de metros cúbicos de cascalho. O diretor de novos negócios da Copelmi, Roberto Faria, adianta que o planejamento prevê tratar com empreendedores que já atuam com areia e cascalho para gerar receita com esses subprodutos da finalidade principal da mina que é a mineração do carvão. O aproveitamento dos recursos que hoje se encontram em Eldorado do Sul poderia ser uma alternativa para a extração de areia feita no rio Jacuí.
No dia 14 de março, o processo de licenciamento ambiental prévio de lavra de carvão da mina Guaíba foi submetido a uma audiência pública em Charqueadas. Apesar de algumas entidades ambientais terem tentando suspender o evento através de medidas judiciais, o gerente de sustentabilidade corporativa da Copelmi, Cristiano Weber, considerou como tranquilo o encontro. Conforme o dirigente, os questionamentos foram mais em torno da questão social (pois cerca de 200 famílias precisarão ser realocadas para o empreendimento seguir adiante), do que propriamente sobre o tema ambiental.
Em um momento que há um grande receio quanto a iniciativas de mineração devido à tragédia que houve em Brumadinho (MG), Faria ressalta que o novo projeto da Copelmi não prevê a construção de barragem. Ao invés de uma barragem para rejeitos, a iniciativa da empresa gaúcha prevê o uso de uma solução conhecida como filtro-prensa, que possibilita que a água volte a ser usada no processo de beneficiamento do carvão e o resíduo sólido retorne para a mina. A operação da mina deverá gerar 1.154 empregos diretos e cerca de 5 mil indiretos.
Weber calcula que seja possível obter a licença ambiental prévia em 2019 e o licenciamento de instalação no ano seguinte. Após esse marco, a preparação da mina levaria mais três anos, ou seja, a geração de gás a partir do carvão poderia começar em 2023. O investimento no projeto da Copelmi, que se soma a uma planta com capacidade para 2 milhões de metros cúbicos diários de gás natural sintético (GNS), é estimado em torno de US$ 1,3 bilhão. Contudo, a perspectiva é que com a atração de outras companhias que utilizarão o gás, como indústrias de fertilizantes, o aporte no complexo carboquímico como um todo passe dos US$ 4 bilhões. Os derivados da carboquímica vão desde o gás sintético como substituto do gás natural até a sequência de produtos do gás de síntese como, por exemplo, metano, diesel, amônia, ureia, lubrificantes, nafta, plásticos etc.
A Copelmi conta como parceiras a norte-americana Air Products e a chinesa Zhejiang Energy Group, que serão investidoras e operadoras da planta carboquímica. Além de superar a questão ambiental e da atração de investidores, a companhia gaúcha precisará encontrar mercado para o gás do carvão. Faria ressalta que estudos do governo federal apontam que entre 2020 e 2023, quando o gás do carvão deverá começar a ser fornecido, o País estará importando cerca de 55% do seu consumo de gás. O empresário reforça que o insumo oriundo do mineral gaúcho seria uma excelente opção para substituir o combustível que vem do exterior. Para discutir a carboquímica, a Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs) realizará no dia 14 de maio um seminário internacional no hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre.

Fornecimento de combustível para Pampa Sul foi iniciado

Se a carboquímica ainda é um projeto, o que já é uma realidade para a Copelmi é o abastecimento de carvão para a usina Pampa Sul, do grupo Engie, que está em fase de comissionamento (teste), em Candiota, e que deve entrar em operação comercial nos próximos meses. A companhia de mineração fornecerá para a térmica cerca de 2,8 milhões de toneladas de carvão ao ano, oriundo da mina Seival, também localizada em Candiota.

Quanto a outros planos, o diretor de novos negócios da Copelmi, Roberto Faria, não nega que a Copelmi é uma natural interessada na privatização da Companhia Riograndense de Mineração (CRM). No entanto, o executivo argumenta que é preciso ter mais detalhes quanto ao modelo de desestatização e cronograma que serão adotados pelo governo gaúcho para se ter uma posição mais definitiva sobre o assunto.

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Comentários
Fernando 02/04/2019 16h21min
Os ingênuos acreditam que a terra é plana e acham que existem tecnologias que "minimizam" os impactos do carvão. Enquanto países como Alemanha FECHAM usinas de carvão, nós os "modernos" vamos abrir. No Brasil tudo é jeitinho e o LUCRO É SUPREMO, certamente teremos a mesma capacidade e técnica de anti-poluição dos que desenvolveram as "modernas e seguras" barragens da Vale. . Aqui, um estado onde um RIO é chamado de lago (lago: s.m. Grande extensão de água cercado de terra) tudo é possível.
isquiper 30/03/2019 23h33min
Esta seria a maior mina de carvão céu aberto do País, extraindo 166 milhões de toneladas, e isso apenas na primeira fase do projeto: na sequência viria um polo carboquímico (para usar esse carvão) que emitiria ainda mais poluição com usinas termoelétricas e indústrias de produção de fertilizantes químicos. Um pais como o Brasil com tantas oportunidades de desenvolvimento sustentável não precisa da mineração de carvão, que responde por menos de 4% da matriz energética brasileira. ABSURDO!!
Altemiro 28/03/2019 13h50min
Culpa da Ivone que é teimosa!
Roger Dutra 28/03/2019 10h14min
Sobre as empresas que bancam campanhas para defender seus interesses...n"Roberto Faria, não nega que a Copelmi é uma natural interessada na privatização da Companhia Riograndense de Mineração (CRM).".nnO povo não aprende, não tem jeito...
Roger Dutra 28/03/2019 10h11min
Sobre as empresas que bancam campanhas para eleger seus representantes...n"Roberto Faria, não nega que a Copelmi é uma natural interessada na privatização da Companhia Riograndense de Mineração (CRM)." n
LUIZ CARLOS PIANTA EINLOFT 28/03/2019 08h52min
ÓTIMA INFORMAÇÃO. HÁ TECNOLOGIA NO MUNDO E NA CHINA QUE MINIMIZAM OS PROBLEMAS AMBIENTAIS, NÃO PODEMOS FICAR SÓ CRITICANDO ESTES INVESTIMENTOS. TEMOS PROFISSIONAIS E UNIVERSIDADES NO RS QUE DETÊM CONHECIMENTO PARA AJUDAR.