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Porto Alegre, terça-feira, 19 de março de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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Combustíveis

Edição impressa de 20/03/2019. Alterada em 19/03 às 21h52min

Rede Boa Vista produzirá etanol em Carazinho

Além de 13 postos, empresa conta com supermercados no Estado

Além de 13 postos, empresa conta com supermercados no Estado


/REDE BOA VISTA/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Normalmente, no Brasil, quando surge uma nova usina de etanol, a matéria-prima escolhida para alimentar o empreendimento é a cana-de-açúcar. Porém, a Rede Boa Vista - que, além de supermercados, conta com 13 postos de combustíveis na região de Carazinho - escolheu a batata-doce como seu carro-chefe. A empresa pretende concluir, em novembro, a sua planta no município gaúcho para a fabricação de álcool.
O proprietário da Rede Boa Vista, Henrique Leonhardt, detalha que se trata de uma unidade flex, que pode trabalhar com diversas matérias-primas, como batata-doce, milho, triticale, arroz-gigante, mandioca, entre outras. Contudo, pelo bom rendimento e baixo custo de plantio, sendo mais adaptada às características do Rio Grande do Sul, a prioridade será o aproveitamento da batata-doce. O empresário afirma que a ideia do empreendimento nasceu devido aos números apresentados mensalmente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) quanto aos preços do etanol, apontando o Rio Grande do Sul como um dos estados do País em que o combustível está mais caro. "Aí pensamos se era possível produzir o etanol sem ser com a cana-de-açúcar", recorda Leonhardt.
O empresário comenta que o processo que mais chamou a atenção foi a produção de álcool através da batata-doce, assunto que era pesquisado pela Universidade Federal do Tocantins. Leonhardt adianta que a estimativa é que com a produção com a batata-doce possa ser reduzido em até 50% o preço do álcool. O proprietário da Rede Boa Vista calcula que, se fosse hoje, seria possível vender o combustível na bomba dentro de uma faixa de R$ 2,29 a R$ 2,39, ou, nos piores cenários, entre R$ 2,50 e R$ 2,60. De acordo com levantamento de preços da ANP feito entre 24 de fevereiro e 2 de março, o custo médio do litro do etanol na capital gaúcha, nesse período, era de R$ 3,852, e, em Passo Fundo, cidade vizinha de Carazinho, era de R$ 4,015.
Leonhardt informa que o início da operação da usina acontecerá com milho, pois a batata-doce para abastecer a unidade ainda está sendo plantada. Quando houver maior disponibilidade dessa matéria-prima, a batata terá prioridade pelo seu maior rendimento e pelo baixo custo de produção. O milho virá do Mato Grosso e de produtores gaúchos. O empresário adianta que serão fornecidas mudas de batata-doce para fomentar a agricultura familiar da região. Além dos fornecedores ligados à agricultura familiar, a empresa também destinará uma área que lhe pertence para produzir batata-doce.
As obras da usina começaram em fevereiro e o investimento no complexo será de cerca de R$ 25 milhões. O plano do grupo é fornecer o etanol para sua própria rede de postos de combustíveis. A capacidade de produção da unidade será de 30 mil a 40 mil litros por dia. Possuir uma rede de postos, adotar uma usina flex e contar com um insumo adequado para as condições do Estado são fatores que fazem com que Leonhardt aposte no sucesso da iniciativa. Soma-se a esses pontos a possibilidade das sobras de batatas nos supermercados - tanto a doce como a branca - serem aproveitadas para produzir etanol. Leonhardt ressalta que uma questão que foi vital para o empreendimento ir adiante foi a mudança nas leis do mercado de combustíveis, que liberou a venda direta do álcool da usina para o posto. Anteriormente, essa transação necessitava passar por uma distribuidora.
 
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