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Porto Alegre, domingo, 03 de fevereiro de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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Indústria

Edição impressa de 04/02/2019. Alterada em 03/02 às 22h09min

GM recua na revisão de acordo em Gravataí

Bruna Oliveira e Patrícia Comunello
Depois de começar, na última sexta-feira, um novo protesto em Gravataí, trabalhadores da General Motors (GM) receberam a informação oficial de que a empresa recuou na tentativa de revisão de 21 itens do acordo coletivo em vigor com a categoria, válido até 31 de março de 2020. Em nota, a GM diz que continuará as conversas com o Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Singra), a serem concluídas até o encerramento do atual acordo.
A montadora quer revisar cláusulas, alegando que precisa reduzir custos no Brasil para melhorar o desempenho financeiro. A mesma ação ocorre com metalúrgicos na base de São Paulo.
A direção global da empresa pressiona a unidade do Mercosul (Brasil e Argentina) para dar lucro, pois, há cinco anos, estaria operando com prejuízo. A unidade do Mercosul representa 5% dos negócios da companhia norte-americana.
Centenas de funcionários fizeram, na sexta-feira, concentração em frente ao acesso à montadora, às margens da BR-290 (freeway), na cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre. Eles cobravam a retirada das 21 medidas que alteram o contrato de trabalho. Com isso, a fábrica parou produção.
Durante a mobilização, dirigentes sindicais trouxeram a notícia de que a montadora havia formalizado a retirada das medidas. O recuo, que assegura pagamentos previstos para abril - como de participação em resultados e reajuste salarial -, foi validado em assembleia pela manhã. Logo depois, os metalúrgicos caminharam para dentro da fábrica, para o turno de trabalho.
Entre as 21 medidas, a GM colocou na mesa questões como regramento do trabalho intermitente, não pagamento do Programa de Participação nos Resultados (PPR) em 2019 e diminuição em 2020, terceirização das atividades-fim, redução no piso salarial, jornadas especiais de trabalho e questões previdenciárias. Na terça-feira passada, uma assembleia dos trabalhadores rejeitou as propostas.
Alegando prejuízos financeiros, a montadora quer rever aspectos do acordo da operação no Rio Grande do Sul. Na última quarta-feira, o governador Eduardo Leite se reuniu, em São Paulo, com a direção da montadora no Brasil. Ao fim do encontro, Leite disse ao Jornal do Comércio estar "convicto de que a GM não sairá" do Estado.
A montadora do Rio Grande do Sul tem a maior capacidade de produção da marca no País é responsável pela fabricação do modelo Onix, atualmente o mais vendido do País. Foram 389,5 mil veículos comercializados em 2018, o que representa, aproximadamente, 15% da fatia de mercado. A montadora é líder nacional em vendas há, pelo menos, três anos. A presença da GM em Gravataí significa a geração de mais de 6 mil empregos diretos e indiretos. Para o município, representa, em retorno de ICMS, algo próximo de R$ 70 milhões.
Para diminuir custos, a empresa começou a negociar flexibilizações trabalhistas com os sindicatos das cidades onde mantém fábricas de veículos: São Caetano do Sul e São José dos Campos - ambas em São Paulo -, e Gravataí. As negociações com os trabalhadores das fábricas paulistas continuam. A unidade de Gravataí é que se encontra em melhor situação.
A empresa também mantém negociações com os governos estaduais. Ao estado de São Paulo, pediu antecipação de créditos acumulados no ICMS. Ao Rio Grande do Sul, solicitou que o Estado voltasse a oferecer isenção no ICMS cobrado sobre o frete interestadual e que medidas fossem tomadas para diminuição dos custos de exportação a partir do porto do Rio Grande.
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