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Porto Alegre, domingo, 03 de fevereiro de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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indústria automotiva

01/02/2019 - 08h37min. Alterada em 03/02 às 23h15min

Após protestos de trabalhadores, GM recua na tentativa de revisar acordo em Gravataí

Metalúrgicos vibraram após receber a posição da montadora adiando a revisão de itens para 2020

Metalúrgicos vibraram após receber a posição da montadora adiando a revisão de itens para 2020


MARCELO MATUSIAK/DIVULGAÇÃO/JC
Bruna Oliveira e Patrícia Comunello
Atualizada às 10h17min de 1/2/2019
Depois de começar esta sexta-feira (1) com um novo protesto em Gravataí, trabalhadores receberam a informação oficial da General Motors (GM) recuando na tentativa de revisão de 21 itens do acordo coletivo em vigor com a categoria e que vende em 31 de março de 2020. Em nota, a GM diz que continuará as conversas com o Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Sinmgra), a serem concluídas até o encerramento do atual acordo.
A montadora quer revisar cláusulas, cujo documento foi entregue no sábado (26) passado à categoria, alegando que precisa reduzir custos no Brasil para melhorar o desempenho financeiro. A mesma ação ocorre com metalúrgicos na base de São Paulo.
A direção global da empresa pressiona a unidade do Mercosul (Brasil e Argentina) para dar lucro, pois há cinco anos estaria operando com prejuízo. A unidade do Mercosul representa 5% dos negócios globais da companhia norte-americana.  
Desde o começo da manhã desta sexta, centenas de funcionários fizeram concentração em frente ao acesso à montadora, às margens da BR-290 (freeway) na cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre. Eles cobravam a retirada das 21 medidas que alteram o contrato de trabalho. Com isso, a fábrica parou a produção por algumas horas. 
Durante a mobilização, dirigentes sindicais trouxeram a notícia de que a montadora havia formalizado a retirada das medidas. A categoria vibrou, segundo os sindicalistas, ao ouvir a decisão. O recuo, que assegura pagamentos previstos em abril, como de participação em resultados e reajuste salarial, foi validado em assembleia pela manhã. Logo depois, os metalúrgicos caminharam para dentro da fábrica, para o turno de trabalho.    
Na tarde dessa quinta-feira (31), a direção da montadora teria dito ao Sinmgra que retiraria as propostas. Os trabalhadores aguardavam um documento que oficializava a retirada, para encerrar as manifestações no portão de acesso da fábrica. 
Dentre as 21 medidas, a GM colocou na mesa questões como o regramento do trabalho intermitente, o não pagamento do Programa de Participação nos Resultados (PPR) em 2019 e diminuição em 2020, a terceirização das atividades-fim, redução no piso salarias, jornadas especiais de trabalho e questões previdenciárias. Na terça-feira (29), uma assembleia dos trabalhadores rejeitou as propostas.
Alegando prejuízos financeiros, a montadora quer rever aspectos do acordo da operação no Rio Grande do Sul. Na quarta-feira (30), o governador Eduardo Leite se reuniu, em São Paulo, com a direção da montadora no Brasil. Ao fim do encontro, Leite disse ao Jornal do Comércio estar "convicto de que a GM não sairá" do Estado.
A montadora do Rio Grande do Sul tem a maior capacidade de produção da marca no País é responsável pela fabricação do modelo Onix, atualmente o mais vendido do país. Foram 389,5 mil veículos comercializados em 2018, o que representa aproximadamente 15% da fatia de mercado. A montadora é líder nacional em vendas há pelo menos três anos. A presença da GM, em Gravataí, significa a geração de mais de seis mil empregos diretos e indiretos. Para o município representa, em retorno de ICMS, algo próximo de R$ 70 milhões.

O que disse a GM na nota enviada aos funcionários:

"A General Motors Mercosul e o Sinmgra decidiram manter os termos do acordo coletivo até 31 de março de 2020. A pauta entregue ao sindicato continua a ser negociada e concluída até o término do presente acordo."
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