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Porto Alegre, segunda-feira, 21 de janeiro de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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Edição impressa de 21/01/2019. Alterada em 20/01 às 01h00min

Guerra das maquininhas beneficia empreendedores

SumUp, Vero e GetNet são boas opções e disputam clientes no País

SumUp, Vero e GetNet são boas opções e disputam clientes no País


SUMUP/DIVULGAÇÃO/JC e YOUTUBE/REPRODUÇÃO/JC
Thiago Copetti
Se tem um mercado que ganhou com o desemprego no Brasil nos últimos anos foi o de maquininhas de cartão de crédito. Como boa parte de quem perdeu trabalho formal acabou abrindo seu próprio negócio ou atuando informalmente nas mais diferentes áreas do comércio e de serviços, o número de profissionais que passou a demandar o equipamento de cobrança cresceu visivelmente. De acordo com o Portal do Empreendedor, do governo federal, o número de microempreendedores individuais saltou de 4,6 milhões, em 2014, para quase 7,8 milhões em 2018 em todo o País.
Uma das mais antigas empresas do segmento, nascida no Rio Grande do Sul em 2003, a GetNet é uma das empresas que representa bem a expansão do setor. Hoje pertencente ao Banco Santander, a GetNet cresce, em média, 30% ao ano, segundo o CEO da companhia, Pedro Coutinho. O executivo confirma que as demissões crescentes no Brasil estão entre os fatores que alimentam a expansão do setor mesmo em meio à crise brasileira.
"Muitas pessoas que perderam empregos se tornaram empreendedoras. E aceitar cartão aumenta, em média, de 30% a 40% as vendas. Temos clientes de todos os tipos, desde o cara que vende suco na praia ao taxista e à vendedora de roupas autônoma", explica Coutinho. Ainda que as empresas defendam que há um grande mercado a ser ampliado no Brasil, e que há espaço para todos, existe uma visível "guerra das maquinhas" pelos empreendedores. A disputa tem como armas desde campanhas publicitárias de diferentes empresas aos investimentos em tecnologia, facilidades e redução de custos e taxas para cativar clientes. Empresas até então pouco conhecidas do grande público começam a investir para se tornar conhecidas e registrar ganhos ainda maiores.
Uma das bandeiras que está apostando forte neste mercado é a multinacional SumUp, que, apesar de desconhecida do grande público, atua no Brasil desde 2012. Além de investir em mídia para se tornar mais popular, está duplicando seu quadro de pessoal. A SumUp é um fintech (startup voltada ao setor financeiro) na Alemanha e no Reino Unido, hoje atuante em 32 países e que já tem mais de 1 milhão de máquinas de cobrança em posse de empreendedores brasileiros. "Devemos contratar, neste ano, cerca de 350 profissionais, das mais diversas áreas, devido ao nosso crescimento no Brasil", comemora o CEO da empresa, Igor Marchesini.
O executivo ressalta que o sistema tem sido usado com frequência com alternativa para quem precisa de capital de giro, por exemplo. De acordo com Marchesini, 80% dos clientes da SumUp optam por receber os valores das vendas no cartão de crédito antecipadamente. Para isso, tem uma taxa de desconto extra de 1,5% sobre a operação normal, de recebimento em 30 dias, que hoje é de cerca de 3%. "Ainda assim, é um recurso mais barato do que ele usar o limite do cheque especial", defende Marchesini, destacando que cidades pequenas e pouco atendidas pelo sistema bancário são foco da SumUp para a expansão. Diretor da Banrisul Cartões, Carlos Malafaia atua no segmento há mais de uma década e diz que o setor vem crescendo dois dígitos ao ano nos últimos anos. "Entre 2014 e 2015, auge da crise, talvez tenha recuado para um dígito. Em 2018, a alta deve ser de uns 15%", estima o executivo, responsável pela bandeira Vero, com 150 mil máquinas, 90% delas no Rio Grande do Sul.
Malafaia destaca, também, que há espaço para crescimento por um longo tempo e cita segmentos que não adotaram o sistema ainda, e que devem fazê-lo, como no transporte público, por exemplo. Também devem colaborar nesse avanço a popularização de cartões pré-pagos, que começam a ser mais oferecidos pelo mercado e conhecidos pela população e empreendedores não bancarizados. "Neste setor, não dá para ficar parado. Tem que correr e inovar. A Vero, por exemplo, vai lançar sistema de pagamento via celular e QR Code que dispensará até mesmo o uso da máquina", antecipa Malafaia.

Pesquisa mostra crescimento no comércio e nos serviços

Um levantamento recente feito em todo o País pelo Sebrae mostra a realidade que vários consumidores já perceberam na hora de pagar a conta. As máquinas de cartão, antes restritas a lojas físicas, hoje estão nas mãos desde uma doceira que produz bolos em casa até uma revendedora autônoma de bijuterias e mesmo em uma banca de pipocas. Apenas entre 2016 e 2018, o número de pequenos negócios que utilizam esse sistema cresceu 19%.
Em 2016, 39% dos microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte consultadas operavam com máquinas de cartão de crédito. Em 2018, o índice passou para 46%. De acordo com o Banco Central, existem, hoje, cerca 5 milhões de máquinas que aceitam cartões de crédito e débito espalhadas pelo Brasil. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, existe mais de 10 empresas atuando neste setor, e um número crescente está se agregando ano a ano ao setor.

Diferentes equipamentos e capital de giro mais acessível são atrativos

Com o uso de três modelos, a artesã Caroline, hoje, não perde vendas

Com o uso de três modelos, a artesã Caroline, hoje, não perde vendas


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Vendedora de bijuterias que ela mesma cria com a marca Carol Clio, Caroline Teixeira adotou as máquinas de cartões portáteis há cerca de quatro anos. Na época, ainda não era tão comum uma vendedora autônoma oferecer essa possibilidade de pagamento. A artesã diz que foi por demanda dos próprios clientes que buscou essa opção de vendas, e lista uma série de vantagens do sistema até hoje. Um dos ganhos vem da facilidade para efetuar uma venda e, principalmente, evita ter que fazer cobrança depois, o que, para Caroline, sempre foi uma dificuldade.
"Até adotar as máquinas, muitas vezes, fazia a venda para receber depois, caso a pessoa não tivesse o dinheiro no momento. Agora, passa no cartão e ninguém fica me devendo", diz a empresária, destacando que, logo após a adoção das máquinas, seu faturamento deu um salto. Outra vantagem, conta Caroline, é ter a garantia de um capital de giro mais fácil e com custo inferior ao cheque especial, por exemplo. Ela explica que 80% das vendas, hoje, são com cartões de crédito e débito. Metade desses negócios acontece na opção crédito, recurso que ela antecipa, com taxa de 4,9%. Hoje, trabalha com três bandeiras diferentes, compara o custo de cada uma na antecipação do recurso e recomenda, a quem ainda não tem máquina, pesquisar diferentes opções no mercado.
"Já tive muitos problemas com uma das operadoras. Cobram mais do que o devido de taxa e nunca se sabia quando seria o recebimento. Optei por outra, e, agora, o dinheiro chega rápido, sei até a hora em que vai entrar. Tem que pesquisar, há muitas diferenças entre as operadoras", ressalta a artesã.
A opção por ter mais de uma máquina é outra dica importante. Caroline conta que, como expõe em diferentes feiras, já ocorreu da única máquina que tinha falhar no dia de um evento, e o prejuízo foi grande. Para evitar esse tipo de imprevisto, hoje, tem três equipamentos e pode ir para a rua, por exemplo, com outra vendedora que comercializa suas peças. "Assim, mesmo que ela esteja com um na rua, tenho o meu", explica.
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