A Marcher Brasil, conhecida no mercado de armazenagem móvel em silos-bolsa, vai duplicar a planta da fábrica localizada na BR-290, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). Pioneira no País na fabricação dos implementos, a empresa investirá R$ 8 milhões na ampliação.
A Marcher aguarda a liberação de licenças ambientais para o início das obras, previstas para julho. O diretor da empresa, Fernando Hermann, informa que terá recursos de linhas de fomento do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes). Hermann diz que, mesmo que não haja os aportes das instituições, a expansão sai com capital próprio.
“Esse projeto vai sair de qualquer forma. Estamos desenvolvendo um plano para não só duplicar, mas deixar tudo preparado para nova ampliação futura”, revela o executivo, que prevê o término da obra de 2019 em 2020. A fábrica deve alcançar uma área de 5,2 mil metros quadrados com a expansão, elevando a capacidade de produção para 3 mil unidades, entre extratoras, embolsadoras e seladoras, utilizados no processo de armazenamento móvel da produção de grãos e silagem para a alimentação animal.
Além do aumento da produção, o investimento na ampliação virá acompanhado de novo maquinário e de uma área de pesquisa e desenvolvimento (P&D), para a prototipagem de equipamentos. Os investimentos vão abrir 50 novos postos de trabalho, 80% de aumento no quadro atual que soma 65 empregados.
Operando desde 2008 em Gravataí, a indústria foi fundada em 2004, motivada pelo problema de armazenagem e logística de grãos no Brasil. Hoje o sistema silo-bolsa apresenta um investimento inicial mais baixo em relação à construção de unidades fixas. Além disso, Hermann observa que a estrutura de armazenagem dá autonomia para o produtor escolher o melhor momento de comercializar a produção.
“Os preços do frete no momento da colheita costumam ser mais mais elevados, pois a demanda é maior. Calculamos uma economia de 40% na utilização do sistema”, estima o diretor. O silo-bolsa é uma estrutura de polietileno de 100 metros, que, dependendo da umidade do local onde é colocada, pode durar até dois anos, embora não seja reutilizável. Os implementos da Marcher podem custar cerca de R$ 90 mil iniciais para um pequeno ou médio produtor, que inclui embutidora e extratora - a empresa não fabrica a bolsa de armazenagem.
As máquinas da Marcher auxiliam no processo de armazenagem de grãos em silos-bolsa. Foto: Marcher Brasil
Mesmo sem a ampliação este ano, Hermann aposta em crescimento de 25% na receita bruta da operação. É uma escalada no negócio, que já domina 60% do mercado de silos-bolsa no país, segundo o diretor. Em 2018, o faturamento avançou 24% e 117% acumulados em 2016 e 2017. A consolidação do mercado da Marcher no Estado é recente. Depois de ter mais consumidores no Centro-Oeste do Brasil, desde o ano passado, a empresa amplia o alcance para a fronteira agrícola do Matopiba, na porção entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Outra frente de receita é o exterior, que responde por 10% das vendas, com embarques para Austrália, Uruguai e Paraguai.