Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, segunda-feira, 14 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 14/01/2019.
Alterada em 14/01 às 16h47min
COMENTAR | CORRIGIR

O desafio do Brasil de levar suas startups do zero ao IPO

Segundo Valente, novo jeito de fazer negócios gera valor para todos

Segundo Valente, novo jeito de fazer negócios gera valor para todos


WAYRA/WAYRA/DIVULGAÇÃO/JC
Empreendedores terão até o dia 27 de janeiro para se inscrever e fazer parte do primeiro ciclo do Programa Bndes Garagem, iniciativa que conta com a operacionalização da Wayra, hub de inovação aberta da Vivo no Brasil e Telefônica no mundo, e a Liga Ventures, primeira aceleradora focada em conectar startups e grandes corporações do Brasil.
Na terça-feira (15), representantes do projeto estarão no Tecnopuc, em Porto Alegre, para um roadshow que trará informações estratégicas sobre o programa. A iniciativa é uma parceria do poder público com players que são conhecedores da dinâmica dos ambientes de inovação para ajudar a colocar o Brasil em um outro patamar na formação de startups. "Vamos operacionalizar o programa, junto com a Liga Ventures, organizar a metodologia, selecionar as empresas e ajudar para que tudo ande rápido.
A Wayra já investiu em 800 empresas no mundo e queremos colaborar", destaca o country manager da Wayra no Brasil, Renato Valente. O Garagem Criação terá duração de quatro meses e tem como objetivo transformar boas ideias em empresas; já o Garagem Aceleração terá duração de seis meses com foco na atração de startups que possuam um produto desenvolvido e ofertado no mercado e que faturem até R$ 16 milhões por ano. As inscrições devem ser feitas por meio do link: https://bndesgaragem.com.br/.
Jornal do Comércio - Qual a importância de o poder público fomentar iniciativas para o surgimento de startups de forma conectada com parceiros privados especializados nesta área?
Renato Valente - Vejo com bons olhos essa parceria. A Wayra tem experiências legais com outros governos na Europa. Em Londres, estamos junto em um projeto de cibersegurança com o governo britânico; em Madri, realizamos programas com a empresa público espanhola deste segmento. Agora, o Bndes nos propôs parceria nesse projeto e estamos muito interessados em ajudar. Todos temos que trabalhar juntos. O desafio do Brasil é encontrar essa dose entre ter um estado que ajude e não atrapalhe, que saiba o timing de sair de uma iniciativa que está criando para fomentar o setor e a hora de deixar mercado ir em frente. Um grande exemplo de país em que o poder público entrou forte, fomentou o setor, todos participaram e depois o governo foi saindo de cena é Israel (o país hoje com o maior número de startups per capita do mundo).
JC - Onde está o gap que impede as nossas startups de serem escaláveis?
Valente - Falta conseguirmos escalar as nossas empresas e, mais do que isso, falta conhecimento de como fazer isso acontecer. Quantos empreendedores levaram as suas operações do zero ao IPO no Brasil? No Vale do Silício, nos Estados Unidos, isso é tão profissionalizado que existem profissionais especializados por nichos, como por fazer a empresa ir do 0 aos US$ 20 milhões, depois dos US$ 20 milhões aos US$ 100 milhões e por aí vai. Aqui, ainda falta essa bagagem. Mas, o momento é bom. Tecnicamente, temos muita gente boa aqui. Sem falar que tem muito capital de risco vindo para o Brasil, recursos chineses, americanos. O volume de rodadas de investimentos na América Latina vai explodir, o que deve fazer crescer quase 100% o volume de capital de risco.
É fundamental buscar perfis diferentes, desde PhDs de 50, 60 anos até jovens cheios de energia Renato Valente

JC - Faltam empreendedores que vivenciaram cases de sucesso em suas empresas ou executivos especializados em conduzir as startups a atingir novos patamares?
Valente - Ambos. Temos muitos casos de empreendedores de sucesso e empresas que atingiram patamares importantes, como a 99, a Nubank, a Trocafone e a MaxMilhas. Mas, para o tamanho do Brasil, ainda é pouco, precisamos fazer essas pessoas girarem. E também temos que formar profissionais capazes de gerenciar negócios em escala, ter contatos, fazer relações e ajudar as empresas a crescerem.
JC - Qual a melhor fórmula para o Brasil? Formar grandes volumes de startups para dali tirar algumas de sucesso ou focar em um número menor, porém com mais atenção para o crescimento de cada operação?
Valente - Temos que ter volume, ações que gerem escala. As aceleradoras mais famosas do mundo investem em mais de 1 mil jovens empresas para dali surgir um DropBox ou AirbnB. E também é fundamental buscar perfis diferentes, desde PhDs de 50, 60 anos até jovens cheio de energia. Essa mistura é muito rica. Quanto mais pessoas se envolverem, mais chances de coisas boas acontecerem teremos.
JC - Quais segmentos de mercado você apostaria para 2019?
Valente - As fintechs ainda estão muito voga no Brasil. O mercado financeiro é concentrado, temos cerca de quatro grandes bancos, então existem grandes oportunidades para serem exploradas. E tem a área da saúde, que apesar de ainda ser muito regulada no Brasil, promete muita novidade. Aliás, o que estamos vendo acontecer hoje com as fintechs, com esse grande crescimento, deve se repetir com as startups de saúde. E outro segmento sempre importante para nós é o de agronegócios.
JC - As grandes empresas já estão maduras para a necessidade de investir na sua transformação?
Valente - A esmagadora maioria das grandes empresas já percebeu que tem que fazer algo. Isso já não é mais apenas uma iniciativa do "guerreiro da inovação", tentando vender essa ideia dentro da corporação. Já está na agenda dos CEOs. O desafio é como fazer, isso ainda está um pouco nebuloso para muitas companhias. Mas, as grandes estão entrando de cabeça, começando a estruturar áreas especificas e entender o que faz mais sentido para a operação. É um caminho sem volta.

Roadshow - Bndes Garagem

  • Data: 15 de janeiro
  • Hora: 18h30min às 21h30min
  • Local: Tecnopuc - sala 101 (Auditório Bill Hewlett - David Packard) - Av. Ipiranga, 6.681 - Partenon, Porto Alegre/RS
  • Inscrições: www.sympla.com.br/roadshow-bndes-garagem__418728 (até 14 de janeiro)
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia

Patrícia Knebel

Ecossistemas de inovação, tendências globais para os negócios, marketing digital, as tecnologias que são os pilares da transformação digital (como mobilidade, Internet das Coisas e Big Data) e todas as novidades que impactam o comportamento dos consumidores e o futuro das empresas e das cidades estão na coluna Mercado Digital. Estou feliz por você estar aqui.