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Porto Alegre, terça-feira, 22 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 11/01/2019.
Alterada em 14/01 às 15h51min
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Papel da Ceitec é defendido por especialistas do setor

Ex-presidente da companhia, Lubaszewski diz que operação é essencial

Ex-presidente da companhia, Lubaszewski diz que operação é essencial


/CLAITON DORNELLES/JC
Patricia Knebel
Ainda não há uma definição sobre o que acontecerá com a Ceitec, empresa pública de semicondutores vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) instalada na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. Depois de informações extraoficiais de que o governo federal iria fechar a operação e demitir os funcionários, o ministro Marcos Pontes, do MCTIC negou, por meio de nota, que haja uma definição. "Não existe decisão ou confirmação de que a Ceitec será liquidada pelo governo federal", diz o texto. Procurada, a Ceitec não se prolongou no assunto e disse apenas que a posição da empresa é a mesma do MCTIC.
A fábrica da Ceitec em Porto Alegre tem 194 empregados, com salário médio de R$ 8,6 mil. A empresa recebeu subvenção do Tesouro Nacional de R$ 75 milhões em 2017. O fato de a Ceitec não ser lucrativa, muitas vezes pesa no discurso das pessoas para defender a sua extinção. Mas, para especialistas do setor, a capacidade de gerar lucro não é o fator que deve ser considerado em uma operação como essa. "O papel da Ceitec nunca foi muito bem compreendido pela sociedade e pelos tomadores de decisão. A empresa é um elo essencial da política industrial brasileira na área de microeletrônica, e isso não pressupõe que o resultado principal que entregará é o financeiro", destaca Marcelo Lubaszewski, que foi presidente da Ceitec de 2013 a 2016 e hoje é o diretor do Zenit - Parque Científico e Tecnológico da Ufrgs. Segundo ele, a operação tem sido muito importante pelo pioneirismo, por abrir portas, trabalhar os fornecedores dessa cadeia e permitir a instalação de novas empresas e instituições.
A opinião é corroborada pelo empresário Ricardo Felizzola, que há muitos anos acompanha esse setor, inclusive sendo o fundador da HT Micron (instalada no Tecnosinos e fruto da cooperação tecnológica entre Brasil e Coréia do Sul). "A Ceitec está tendo um desempenho baixo como empresa, mas elevadíssimo como sinal de interesse do Brasil pelo setor de microeletrônica", destaca. Em 2018, a operação faturou R$ 7 milhões com a venda de circuitos integrados, encapsulamentos e tags especiais. O gestor cita esse projeto e o da Smart Modular Technologies como resultado direto da criação da Ceitec. "Hoje esse setor já fatura mais de R$ 3 bilhões no País graças a essa iniciativa", aponta.
Felizzola acredita que ainda é cedo para saber o que acontecerá com a empresa e destaca que antes de entender isso, é preciso saber qual será a política do governo federal com relação a esse mercado de microeletrônica. "A continuidade disso é questão de vontade política e de envolvimento do setor empresarial. A microeletrônica está associada ao que há de mais moderno no mundo. Fechar a Ceitec não é uma medida razoável para o País", defende.
O professor de microeletrônica da Instituto de Informática da Ufrgs, Sergio Bampi, comenta que o grande capital acumulado pela Ceitec é o intelectual e a sua capacidade de design de chips em algumas áreas, como Internet das Coisas (IoT). E afirma que isso não pode ser perdido. "Seria uma péssima decisão fechar a empresa, pois estaríamos desperdiçando todo capital humano de experiência de mercado acumulado em quase 20 anos", destaca. Vale ressaltar que a Ceitec surgiu como projeto em 2000, mas apenas em 2005 começou a operar com o seu Centro de Design e, anos depois, com a fábrica.
Bampi participou da criação da empresa e ajudou a montar o time de designers. Ele acredita que, apesar de algumas decisões equivocadas tomadas ao longo deste período, a operação atua em nichos estratégicos. "Não existe hoje no Brasil nenhuma outra empresa com o know how da Ceitec no mercado de IoT. A operação tem competência técnica para projetar, vender e entregar dispositivos para este mercado explosivo", diz. Dados da Frost & Sullivan mostram que a IoT atingirá 995 milhões de dispositivos em 2023 na América Latina.
Porém, Bampi acredita que é preciso reavaliar e, quem sabe, até reposicionar a operação. "Uma alternativa seria partir para uma privatização parcial. Tem partes da empresa que são lucrativas e interessam muito ao mercado, como o Centro de Design e o portfólio de produtos de RFID e IoT", acredita. Por outro lado, poderia ficar sob a tutela do poder público a área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), mantendo a capacitação tecnológica na infraestrutura/sala limpa de micro fabricação de eletrônicos. Lubaszewski também vê a privatização como natural. "A empresa foi pensada para ser empresa pública apenas no início. Mas, claro, não podemos liquidar a empresa, sob pena de retirarmos o Brasil do mapa de um segmento tão estratégico", alerta.
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Comentários
Marcus 22/01/2019 22h33min
A Ceitec parece com a Fundição Ipanema, criada por Dom João VI e que só deu prejuízo nos seus quase 100 anos.
Rafael 15/01/2019 12h09min
O mundo real não é igual o laboratório da universidade, se der certo bem e se não der amém. Antes que vire mais um sumidouro dos nossos impostos é melhor que o governo privatize o Ceitec.
Fernando 12/01/2019 23h05min
Entrei no site da CEITEC via smart phone e o último evento foi há dois anos atrás, na transparência não mostra nada ...... Uma emprsa que se diz como tecnologia de ponta só atualiza seus site PARA DESK TOP ???
Augusto M. 11/01/2019 19h58min
É uma pena, mas precisa ser fechado antes de aumentar o prejuízo. É necessário parar com esse diálogo de acadêmicos que vão perder mão de obra qualificada, qualificada em ganhar sem produzir, qualificada em uma fábrica obsoleta e extremamente cara.
Fabio Porto 11/01/2019 14h06min
Acho que deveria Privatizar em vez de fechar ou encerrar atividades.
Eng. Joel Robinson 11/01/2019 12h36min
Esta no site da CEITEC: Desenvolver soluções que contribuam para o progresso e o bem-estar da sociedade brasileira, explorando comercialmente tecnologias de microeletrônica e de áreas correlatas. Ela faz tudo isso? Mas tem 10 membros na Diretoria e mais 10 no Conselho. Concordo plenamente com Sergio Bampi que o Ceitec deva ser privatizado e manter sómente a área de desenvolvimento. Não se admite mais empresas que não dão lucro ao estado e ao cidadão contribuinte.
Rodrigo Dilelio 11/01/2019 12h18min
O que deveria estar em questão é o formato/estatuto jurídico e não a sua liquidação.
Ney Laert Vilar Calazans 11/01/2019 10h26min
O CEITEC surgiu depois de muitos anos de tentativas da comunidade acadêmica da área de microeletrônica para fomentar um setor estratégico em países desenvolvidos. O know-how em desenvolvimento nela é essencial para aumentar a competitividade do Brasil. Conta simples: comprar 1 Iphone (totalmente importado) implica produzir/exportar mais de 8 toneladas de soja com todo desmatamento associado. Vale a pena produzir tecnologia aqui? O CEITEC pode ser o primeiro passo, Sr. Luis Soubiron.
Teste Equipe i94.Co 11/01/2019 09h07min
Teste 2
Teste Equipe i94.Co 11/01/2019 09h01min
Teste
LUIS EDUARDO MACIEL SOUBIRON 11/01/2019 08h17min
Quando se trata de defender seus salários médios de $ 8.600 como não considerar essencial..? APENAS MAIS UM CABIDE DE EMPREGO PARA OS PRIVILEGIADOS
Fernando Fernandes Dias 11/01/2019 05h21min
Talvez seja uma grande chance de empresários e investidores brasileiros pensarem neste negócio. O Brasil nada produz de componentes de eletrônica e microeletrônica, no passado ainda durante a fase da ditadura, época a do carteis houve o fechamento de inúmeras empresas nacionais pela dependência destes componentes.n.Semp (Sociedade Eletromercantil Paulista)n.ABC (Canarinho)n.Colorado Rádio e Televisão SAn.AdmiralnEstas foram algumas delas. João Cabral de Melo Neto lembra, em uma de suas poesias mais célebres, que a manhã não é tecida pelo canto de um único galo. É preciso que outros soltem o seu canto e, juntos, teçam a manhã, que aparecerá então brilhante como luz balão, toldo tão aéreo. Tal como a manhã do poeta, assim deveria ser tecido de que é feito o setor eletroeletrônico. Para o desenvolvimento não podemos importar Chips e componentes, sob o risco de dependência e atraso de tecnologia.

Patrícia Knebel

Ecossistemas de inovação, tendências globais para os negócios, marketing digital, as tecnologias que são os pilares da transformação digital (como mobilidade, Internet das Coisas e Big Data) e todas as novidades que impactam o comportamento dos consumidores e o futuro das empresas e das cidades estão na coluna Mercado Digital. Estou feliz por você estar aqui.