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Porto Alegre, segunda-feira, 31 de dezembro de 2018.
Dia de São Silvestre.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Edição impressa de 31/12/2018. Alterada em 31/12 às 01h00min

Granizo reduzirá a safra de uva em 2019

Fenômeno climático pode repercutir negativamente por duas safras

Fenômeno climático pode repercutir negativamente por duas safras


JÚLIO SOARES/JÚLIO SOARES /DIVULGAÇÃO/JC
Guilherme Daroit
Vindo da melhor safra da década, a viticultura gaúcha não repetirá, em 2019, a grande produção de 2018. O principal motivo para o fato é datado: 31 de outubro, data da queda de granizo que atingiu vários municípios da Serra e comprometeu até 80% da área de parreirais em algumas regiões. Ao todo, a colheita de uvas deve ser de 15% a 22% menor, segundo as estimativas do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), e já complica, também, até a safra de 2020.
"Granizo dessa intensidade deve comprometer duas safras", comenta o vice-presidente do Ibravin, Márcio Ferrari, lembrando que as árvores afetadas demoram a recuperar o seu potencial produtivo. Em 2019, estima Ferrari, a produção pode chegar até 600 milhões de quilos no Estado, dependendo de como as variedades mais populares se comportarem até a colheita, que ainda não se iniciou. Se as condições ajudarem e o montante se confirmar, a quebra em relação a 2018 seria menor do que a esperada atualmente. Na última safra, a colheita gaúcha totalizou 663 milhões de quilos.
Mesmo assim, a situação não compensaria o estrago causado pelas pedras. A chuva do último dia de outubro alcançou um raio de quase 100 quilômetros, afetando fortemente cidades como Nova Pádua e o maior produtor de uvas do País, Flores da Cunha, municípios onde o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) estima que 80% dos parreirais foram atingidos. "É um ano que queremos esquecer", afirma Olir Schiavenin, presidente do STR de Flores da Cunha, que representa ambos os municípios. Schiavenin afirma não lembrar de uma queda de granizo tão abrangente quanto essa.
O dirigente conta que vários produtores estão segurados para a safra de 2019, e, por isso, "possuem uma certa garantia", mas lembra que muitos não têm nenhum instrumento de segurança para a perda. "Quem não tem, não tem o que fazer", lamenta Schiavenin, que acrescenta que, entre os poucos viticultores que não foram atingidos, a qualidade dos cachos está boa.
Segundo a Emater-RS, a primeira variedade colhida, a Vênus (de mesa), teve uma safra com bons rendimentos físicos e de qualidade. A próxima vindima do calendário é a da principal variedade de mesa da região, a Niágara Rosa, que também está com bom desenvolvimento, segundo a empresa pública.
Outro problema para a safra, localizado principalmente na Região da Campanha, área mais recente da viticultura gaúcha, é o impacto indireto do uso do herbicida 2,4-D por sojicultores. Ainda que importante para a produção de soja, o princípio ativo, transportado pelo vento, complica a formação das uvas e pode levar as parreiras à morte em dois ou três anos. "Isso inviabiliza, com certeza, a viticultura. Entendemos a necessidade dos sojicultores, mas a nossa também precisa ser preservada", argumenta Ferrari. O Ibravin não tem uma estimativa do tamanho das perdas pelo uso dos herbicidas, e afirma buscar uma solução negociada com os produtores de soja para a situação.
Já no mercado de consumidor, o cenário é mais promissor. A venda de derivados da uva (vinhos, espumantes e suco) produzidos no Brasil deve acabar 2018 com 10% de crescimento em relação a 2017, resultado que é defendido por Ferrari como "um bom percentual, visto a situação da economia".
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