Porto Alegre, sexta-feira, 13 de março de 2020.

Jornal do Comércio

Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

CORRIGIR

financiamentos

Notícia da edição impressa de 28/11/2018. Alterada em 28/11 às 01h00min

Bndes abre informações de empréstimos e investimentos do Bndespar

Alvo de críticas do presidente eleito, Jair Bolsonaro, o Bndes decidiu abrir ao público informações de empréstimos e investimentos feitos pelo banco nos últimos anos. Ao anunciar o nome do futuro presidente do banco estatal, Joaquim Levy, Bolsonaro disse que, em seu governo, a caixa-preta do banco seria aberta. Ele se refere a empréstimos feitos pelo banco, nas gestões do PT, a empresas que acabaram investigadas pela operação Lava Jato, como Odebrecht e JBS.
Alvo de críticas do presidente eleito, Jair Bolsonaro, o Bndes decidiu abrir ao público informações de empréstimos e investimentos feitos pelo banco nos últimos anos. Ao anunciar o nome do futuro presidente do banco estatal, Joaquim Levy, Bolsonaro disse que, em seu governo, a caixa-preta do banco seria aberta. Ele se refere a empréstimos feitos pelo banco, nas gestões do PT, a empresas que acabaram investigadas pela operação Lava Jato, como Odebrecht e JBS.
A maior parte das informações, contudo, já está disponível no site do banco, após anos de pressão do Tribunal de Contas da União (TCU) e de parlamentares por maior transparência. Até 2015, o Bndes mantinha sigilo sobre todas as operações. Isso começou a cair quando, naquele ano, o banco perdeu uma causa no Supremo Tribunal Federal (STF) após tentar proteger do envio de dados ao TCU.
Após a derrota, o Bndes enviou todo seu banco de dados ao TCU, em 2016. E no ano passado os dois passaram a discutir a abertura dos dados no site do banco, o que foi concluído agora. Ontem, o banco informou que passou a publicar também informações sobre investimentos feitos pela Bndespar, braço de aplicação em renda variável do banco, desde 2012.
Em seminário no TCU, o superintendente da área de planejamento do banco, Maurício Neves, disse esperar que, com a divulgação de dados, a pecha de caixa-preta entre em desuso. "Hoje o Bndes é uma caixa transparente, e gostaríamos que a percepção coletiva fosse essa", afirmou.
Até janeiro, segundo executivos do banco, serão abertos dados desde 2007, o que dará acesso a informações sobre investimentos feitos pelo banco na JBS usados n internacionalização da empresa. Com o dinheiro do Bndes, a JBS se transformou na maior empresa de proteína animal do mundo.
Um dos alvos preferenciais dos críticos são os empréstimos a exportações de serviços no exterior, como a construção de obras em países como Venezuela, Cuba, Moçambique e República Dominicana. Desde que estourou a Lava Jato, o Bndes não concedeu mais empréstimos para essa finalidade. Moçambique e Venezuela deixaram de pagar o banco, gerando custos para honrar a garantia ao Tesouro Nacional. Cuba está indo pelo mesmo caminho. O ministro do TCU, Augusto Sherman, elogiou a iniciativa do banco, mas enfatizou que transparência não é apenas divulgar os dados, mas explicar o que de fato ocorreu e quais os impactos das decisões do banco na economia. "O Bndes está em processo de transparência", afirmou, ao ser perguntado se o banco deixou de ser caixa-preta. Ele lembrou que o TCU apontou indícios de irregularidades em duas fiscalizações concluídas recentemente: investimentos feitos na JBS, em 2011, e os empréstimos a construtoras para obras no exterior.