Porto Alegre, sexta-feira, 13 de março de 2020.

Jornal do Comércio

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 26/11/2018. Alterada em 26/11 às 10h15min

Mapeamento confirma novo perfil da Metade Sul

Levantamento poderá ser usado por investidores e políticas públicas

Levantamento poderá ser usado por investidores e políticas públicas


/FECOAGRO/DIVULGAÇÃO/JC
Pedro Carrizo
O movimento de expansão agrícola, principalmente para produção de soja, tem aumentado exponencialmente na Metade Sul do Estado, dominando áreas florestais e campestres e reduzindo, consequentemente, a produção pecuária, antes hegemônica neste território. Nos últimos 47 anos, a ocupação campestre foi reduzida quase pela metade na Região da Campanha, por exemplo - de 83% para 44% - enquanto o território agrícola cresceu cerca de seis vezes o seu tamanho - de 5% para 34%.
O movimento de expansão agrícola, principalmente para produção de soja, tem aumentado exponencialmente na Metade Sul do Estado, dominando áreas florestais e campestres e reduzindo, consequentemente, a produção pecuária, antes hegemônica neste território. Nos últimos 47 anos, a ocupação campestre foi reduzida quase pela metade na Região da Campanha, por exemplo - de 83% para 44% - enquanto o território agrícola cresceu cerca de seis vezes o seu tamanho - de 5% para 34%.
Na Fronteira Oeste e na Região das Missões, o movimento das lavouras é semelhante e indica transformações significativas da produção no Estado. Estas e outras informações fazem parte do estudo de mapeamento sobre o Uso da Terra no Rio Grande do Sul - 2017, produzido pelo Laboratório de Estudos em Agroecologia e Recursos Naturais (Labeco), da Embrapa Pecuária Sul.
Atualmente, as áreas agrícolas e urbanas ocupam 45,5% de todo o território gaúcho. O campo domina 26%, as florestas 24%, a silvicultura 2,7% e os demais espaços são tomados por corpos d'água sem a definição de origem. Ou seja, embora o avanço da agricultura na Metade Sul, ainda há considerável preservação natural no Estado como um todo: florestas e campos somam 49% de vegetação natural sem produção.
A próxima etapa do estudo é avaliar as aptidões de solo nessas regiões e oferecer um cruzamento de dados para direcionar em quais regiões a agricultura e a pecuária podem crescer. Usando bases georreferenciadas e estudos de solo, o mapeamento busca ser um guia tanto para a tomada de decisões de investidores, quanto para a criação de políticas públicas no Estado. Até final do ano, a Embrapa irá lançar um novo boletim, agora sobre o Uso da Terra em 2018, que contará com aconselhamentos para a ocupação na Metade Sul.
"O objetivo é fornecer informações confiáveis a respeito das mudanças territoriais que acontecem no Estado, mas a interpretação disso pode ser tanto do ponto de vista econômico como ambiental", diz Alexandre Varella, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul. O engenheiro agrônomo acrescenta que a iniciativa de mapeamento surgiu a partir de 2012, quando a saca da soja ultrapassou os R$ 60,00. A área plantada de soja no Rio Grande do Sul deverá somar 5,89 milhões de hectares na safra 2018/2019, de acordo com projeções da Emater-RS.
Essa ressignificação do uso do território gaúcho, principalmente na Metade Sul do Estado, acontece a partir de novas demandas de mercado e queda do poder de compra no Brasil, segundo Varella. "A renda pecuária diminuiu em função do recuo da na renda dos brasileiros. Já o preço da soja aumentou por estar atrelado a fatores externos, a partir de novos compradores estrangeiros", analisa. Para Varella, foi esse movimento que gerou a busca por novas áreas de cultivo e, tendo em vista que o norte e noroeste do Estado estão praticamente ocupados com a oleaginosa, as lavouras começaram a migrar para a Metade Sul.
As informações sobre o uso da terra no Rio Grande do Sul serão atualizadas em boletins anuais publicados pela Embrapa Pecuária Sul. De acordo com a Empresa, a intenção de evoluir o mapeamento para Santa Catarina e Paraná.