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Mercado Financeiro

23/10/2018 - 19h18min. Alterada em 23/10 às 19h18min

Bolsas de Nova Iorque recuam com aversão a risco, mas de olho em questões domésticas

As bolsas de Nova Iorque fecharam em queda nesta terça-feira (23) penalizadas por um cenário de aversão a risco que beneficiou ativos considerados seguros em detrimento das ações, embora longe das mínimas do dia, registradas no início da tarde. No foco dos investidores estão tanto preocupações com a economia global quanto tensões geopolíticas, além da discussão orçamentária italiana, cujas tensões aumentaram nesta terça.
As bolsas de Nova Iorque fecharam em queda nesta terça-feira (23) penalizadas por um cenário de aversão a risco que beneficiou ativos considerados seguros em detrimento das ações, embora longe das mínimas do dia, registradas no início da tarde. No foco dos investidores estão tanto preocupações com a economia global quanto tensões geopolíticas, além da discussão orçamentária italiana, cujas tensões aumentaram nesta terça.
O índice Dow Jones registrou queda de 0,50%, aos 25.191,43 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,55%, aos 2.740,69 pontos. O Nasdaq recuou 0,42%, aos 7.437,54 pontos. O índice de volatilidade VIX, considerado o "medidor de medo" de Wall Street, voltou a operar acima dos 20 pontos, em alta de 5,45%, para 20,71 pontos.
O cenário de aversão a risco observado nos mercados globais começou a se desenhar durante os negócios na Ásia, quando os mercados acionários - entre eles, os chineses e os japoneses - apresentaram fortes quedas diante de preocupações com a economia da China, a despeito das medidas do governo para incentivar o consumo. O movimento se alastrou para as praças europeias, onde a busca por segurança se acentuou após a Comissão Europeia rejeitar a proposta orçamentária da Itália para o ano fiscal de 2019.
Durante as negociações, o índice Nasdaq chegou a entrar em território de correção, caindo mais de 10% em relação ao último pico intraday, registrado em 30 de agosto. O estrategista-chefe de ações do Morgan Stanley, Michael Wilson, destaca que "não achamos que a correção tenha acabado. As tentativas de recuperação foram mais breves do que sustentáveis", ao passo que defende que a disparidade de crescimento americano em relação ao resto do mundo tem causado sofrimento às carteiras.
Mas, para o chefe de estratégia de taxas dos EUA do banco canadense BMO Capital Markets, Ian Lyngen, "embora existam vários acontecimentos no exterior aos quais é fácil de creditar o rali, também há algumas razões para incluir foco nas questões internas dos EUA". Segundo o analista, se o sentimento de risco global negativo fosse principalmente atribuível a território italiano, seria de se esperar que a volatilidade nas ações europeias aumentasse em relação às ações dos EUA.
Tanto esse não é o caso que o VIX "está, na verdade, acima de sua contraparte do outro lado do oceano", escreve Lyngen. Para o especialista, um dos pontos de dentro dos EUA que estão no radar dos agentes é o Livro Bege do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que será divulgado amanhã e vai trazer as perspectivas macroeconômicas que observam os dirigentes da instituição.
O analista Andrew Hunter, da Capital Economics, ressalta que, com as eleições de meio de mandato nos EUA apenas duas semanas à frente, o presidente americano, Donald Trump, tenta evitar uma vitória democrata no Legislativo ao anunciar planos de cortar adicionais 10% dos impostos de assalariados de renda média. "Nós duvidamos que essa proposta recente ganhe muito apoio, ao menos não com o Partido Democrata com controle da Câmara dos Representantes", destaca, em referência ao braço do Congresso onde uma vitória da oposição é considerada mais provável por muitos analistas. Analistas do Danske Bank concordam que a proposta de Trump de uma nova reforma tributária "pode ser uma tentativa de pressionar os democratas".
Diante do cenário, as perdas foram lideradas pelo setor de energia, cujo subíndice do S&P 500 registrou queda de 2,67%, no dia em que os contratos futuros de petróleo caíram mais de 4%, no maior recuo porcentual desde julho, e aos menores preços em dois meses. As ações da Chevron caíram 3,25% e as da Exxon Mobil recuaram 1,61%.
O setor industrial também registrou forte queda, com o subíndice do S&P 500 em baixa de 1,60%, com os papéis da 3M (-4,38%) e da Caterpillar (-7,56%) fragilizados após a divulgação de resultados trimestrais, realizada nesta manhã. Ao mesmo tempo, a Boeing recuou 1,67%.
Já o setor financeiro apagou parte das perdas durante a tarde, o que limitou a queda nos principais índices nova-iorquinos. As ações do Goldman Sachs fecharam em queda de 1,37%, enquanto as do Morgan Stanley caíram 1,31% e as do Bank of America recuaram 1,31%.