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Porto Alegre, terça-feira, 16 de outubro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Mercado do Capitais

Edição impressa de 16/10/2018. Alterada em 16/10 às 01h00min

Ações de estatais são aposta para longo prazo

Candidato do PSL não pretende privatizar geração da Eletrobras

Candidato do PSL não pretende privatizar geração da Eletrobras


/WILSON DIAS/ABR/JC

As ações de empresas estatais ganharam os holofotes em meio à disputa eleitoral. A expectativa sobre quem deve ganhar as eleições e a política econômica do próximo governo levam forte volatilidade a esses papéis. Para quem busca ganho no longo prazo, isso pode se traduzir em boas oportunidades. No entanto, alertam especialistas, é preciso estar atento aos riscos embutidos nessas escolhas, em especial no curto prazo. "Há um sentimento de que vamos ter uma menor interferência do Estado na economia", disse Pedro Guilherme Lima, analista da Ativa Investimentos.

A Eletrobras é um exemplo disso. A vantagem do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na disputa pela presidência frente ao segundo colocado, Fernando Haddad (PT), fez as ações da empresa dispararem no último dia 8, após o primeiro turno: 18% nos papéis preferenciais (PN, sem direito a voto). O motivo é que Paulo Guedes, principal integrante da equipe econômica do deputado, defende um amplo plano de privatizações. Com uma gestão privada, avaliam investidores, a Eletrobras poderia se tornar mais eficiente e lucrativa.

Mas a frustração veio dois dias depois, ao Bolsonaro dizer que não privatizaria a geração de energia, somente a distribuição. As ações da Eletrobras caíram quase 10%. "Há uma contradição nas declarações do Bolsonaro. Ele frustrou as expectativas e mostrou algumas brechas do seu tropicalismo liberal. Isso jogou um pouco de água fria no otimismo do mercado", disse Glauco Legat, analista-chefe da corretora Spinelli.

No ano, as ações da Eletrobras acumulam ganhos de 5,7%. Em relação à sua maior cotação do ano, quando o governo Temer trabalhava para a privatização da empresa, os papéis perdem 17,9%.

Para Legat, uma postura mais cautelosa nas privatizações em um eventual governo Bolsonaro significa que parte do plano de Guedes para a economia pode não sair do papel. Ele defende arrecadar no mínimo R$ 1 trilhão em privatizações e venda de outros ativos da União para abater da dívida pública. Nos cálculos do analista da Spinelli, as participações em estatais negociadas em bolsa (Banco do Brasil, Eletrobras e Petrobras) somam cerca de R$ 250 bilhões. "Olhando pelo que o Bolsonaro falou, ao afirmar que não venderá ativos estratégicos, acho que não dá para levar esse valor tão a sério", disse Legat.

Ele mantém o otimismo em relação às estatais, mas de todas as empresas, vê maior potencial de ganhos no Banco do Brasil. O banco público também é a estatal preferida por Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante Investimentos. Para ele, o setor bancário tende a manter o crescimento dos ganhos com a recuperação da economia.

"O setor bancário é um bom negócio independentemente do cenário, e o Banco do Brasil, entre os grandes, está barato. A expectativa é de melhora de crédito, com a retomada da confiança e desemprego em queda." As ações do banco, no ano, acumulam alta de 17,2%, contra 8,5% do Ibovespa.

Investidores temem interferência no mercado em caso de vitória de Fernando Haddad

Política de preços da Petrobras acompanha variação externa

Política de preços da Petrobras acompanha variação externa


/MAURO PIMENTEL/AFP/JC

No caso de mudanças no cenário eleitoral, com avanço de Haddad, esses papéis seriam fortemente pressionados. O maior temor é o de ingerência nas estatais, como ocorreu no governo Dilma Rousseff. "Assim, essas ações já incorporaram praticamente todos os ganhos de uma vitória do Bolsonaro. Uma segunda onda de valorização vai depender da gestão que será implementada", avaliou Bevilacqua.

Além desse risco político, a Petrobras, que retomou o posto de empresa mais valiosa da bolsa brasileira, ainda tem influência direta dos preços internacionais do petróleo. Parte da recuperação dos papéis da estatal está atrelada a isso: as ações PN sobem 57,4% no ano, enquanto o barril do tipo Brent acumula alta de cerca de 25%.

Com relação às estatais estaduais, a Cemig se destaca, com valorização de 57% no ano. O segundo turno em Minas Gerais está sendo disputado por Romeu Zema (Novo) e Antonio Anastasia (PSDB), ambos favoráveis à privatização da empresa de energia.

Os investidores demonstram preferir uma vitória de Zema: após uma pesquisa de intenção de voto apontar sua vantagem, os recibos de ações da Cemig negociados na bolsa de Nova Iorque (ADRs, na sigla em inglês) subiram 7,85% na sexta-feira - os mercados no Brasil não funcionaram devido ao feriado de Nossa Senhora Aparecida.

Bevilacqua, da Levante, lembra, no entanto, que a Cemig precisa passar por ajustes. A perspectiva é que essa forte valorização continue, mas é uma opção mais indicada para o investidor de longo prazo, dada a volatilidade. Para quem quer correr menos riscos, ele recomenda outra estatal mineira, a Copasa.

Outros estados com segundo turno também têm ações listadas em bolsa, como São Paulo, com Cesp e Sabesp. No entanto, analistas não esperam grandes mudanças na gestão dessas empresas, independentemente de quem ganhe.

E, embora o candidato do PSL tenha a preferência do mercado, o economista-chefe da consultoria Lopes & Filho, Julio Hegedus Neto, lembra que há sinais de "pontas desencapadas" entre o que defende Guedes, considerado extremamente liberal, e a visão dos militares que o apoiam.

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