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Porto Alegre, segunda-feira, 24 de setembro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Energia

Edição impressa de 21/09/2018. Alterada em 24/09 às 16h54min

Engie vê momento delicado para setor elétrico no Brasil

Obras da usina Pampa estão terminando, afirma Eduardo Sattamini

Obras da usina Pampa estão terminando, afirma Eduardo Sattamini


/FERNANDO WILLADINO/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Completando neste mês de setembro 20 anos de atividade no País, a empresa Engie Brasil Energia está em meio a um processo que chama de descarbonização (abandono das fontes fósseis). Apesar disso, a companhia que já se chamou Tractebel e adotou a marca Engie em todo o mundo a partir de 2016, ainda desenvolve o projeto da termelétrica a carvão Pampa Sul. Esse ativo, situado em Candiota, deverá ser vendido mais adiante. Paralelamente aos planos sendo conduzidos, o diretor-presidente da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini, considera que é necessário tomar algumas medidas setoriais para corrigir atuais distorções que impactam o mercado de energia atualmente.
Jornal do Comércio - Qual a sua avaliação sobre o setor de energia do Brasil hoje e projeções futuras?
Eduardo Sattamini - O setor de energia vive um momento delicado em função dos desarranjos causados pela MP 579 (convertida na Lei nº 12.783 e que renovou as concessões de vários ativos do setor elétrico) e pelo GSF (sigla em inglês que significa Generation Scaling Factor, relacionada a riscos hidrológicos e comerciais) que geraram, até agora, uma inadimplência da ordem de R$ 10 bilhões. No final do governo Temer foi lançado uma iniciativa legislativa através do PL nº 10.332 que visa, entre outras coisas, criar condições para solução do imbróglio jurídico que gerou grande parte da atual inadimplência no mercado de curto prazo de energia. Além desse projeto, temos o PL nº 1.917 que tem como meta modernizar, liberalizar e reduzir subsídios que distorcem preços e alocação de recursos no setor. Esperamos que o novo governo e a configuração do Congresso permitam que essas medidas sigam adiante.
JC - Como está a estratégia da saída da Engie das fontes fósseis e a venda de seus ativos nesse segmento?
Sattamini - Ao implementarmos a estratégia da Engie aqui no Brasil tivemos de tomar a decisão de sair da geração a carvão e colocamos a usina Pampa Sul (em construção no Rio Grande do Sul) e o complexo termelétrico Jorge Lacerda (em operação em Santa Catarina) à venda. O rumo novo é o de descarbonizar nossa matriz geradora de energia. A empresa, porém, não comenta eventuais negociações em curso. O que posso adiantar é que temos interessados nos dois projetos.
JC - Como estão as obras da térmica de Candiota?
Sattamini - As obras da termelétrica Pampa (também chamada de Miroel Wolowski) aproximam-se da sua reta final. Na ilha de energia é possível destacar as atividades de montagem do turbo-gerador, que estão bastante avançadas e da caldeira, em fase final de montagem da chaparia, que fará o acabamento do isolamento térmico, dos refratários e de sistemas auxiliares. Agora, as estruturas aguardarão a conclusão das obras da usina para início da operação comercial, prevista para o primeiro semestre de 2019, quando a termelétrica terá capacidade instalada de 345 MW (cerca de 8,5% da demanda média de energia do Estado).
JC - Avaliação desses últimos anos e perspectiva futura para a Engie?
Sattamini - A trajetória da Engie no Brasil é um caso de sucesso. Com a privatização da Gerasul, há 20 anos, iniciamos nossa história com menos de 4 mil MW de capacidade instalada e duas usinas em construção. Nossa estratégia foi a de crescer com disciplina financeira e retorno aos acionistas, capturando valor das oportunidades que surgiram. Nossa perspectiva futura é atuar num mercado mais aberto, com milhares de clientes, produtos inovadores e novas linhas de negócios. Vejo a Engie presente na vida das pessoas e das pequenas e médias empresas através da energia, geração distribuída, plataforma de compra e venda de energia e muito mais.
JC - Quais os projetos em construção que a Engie está envolvida hoje e em que locais?
Sattamini - Nos complexos eólicos Campo Largo e Umburanas, na Bahia, usina termelétrica Pampa Sul, no Rio Grande do Sul, e linhas de transmissão Gralha Azul, no Paraná.
JC - Quais são os planos da empresa na comercialização de soluções para a geração distribuída (produção de eletricidade no local de consumo, muitas vezes feita com painéis fotovoltaicos, com a possibilidade de jogar o excedente na rede elétrica e usufruir de créditos para abater na conta de luz)?
Sattamini - Hoje, a Engie Geração Solar Distribuída está presente em todos os estados, mas o foco das operações está nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País. Para o ano que vem a empresa tem planos de investir também na região Nordeste. Em três estados: Santa Catarina, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, atua diretamente na implantação de um programa de incentivo ao uso de energia solar em parceria com as federações das indústrias e a empresa WEG. O Programa Indústria Solar oferece sistemas fotovoltaicos para empresas e residências com descontos e condições facilitadas de financiamento em parceria com instituições financeiras, como BRDE ou Sicredi. No ano passado, a Engie Geração Solar Distribuída realizou 1.288 instalações. No primeiro semestre de 2018 fez 505 instalações e a previsão é chegar em 700 instalações até o final do ano. A expectativa é duplicar o volume de vendas em 2019 e intensificar os investimentos em contratos de comunidades solares.
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