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Turismo

09/09/2018 - 22h06min. Alterada em 10/09 às 11h51min

Alta do dólar altera o destino de intercambistas

Taísa desembolsou R$ 3 mil por quatro semanas de curso no Uruguai

Taísa desembolsou R$ 3 mil por quatro semanas de curso no Uruguai


/ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Lampert
Toda vez que o dólar oscila, o consumidor de intercâmbio ou de viagens de lazer muda o destino dos sonhos para o que "cabe no bolso". Pelo menos esta tem sido a realidade em agências onde é possível encontrar pacotes com perfil mais popular. "Na crise, de 30 clientes que entram nas nossas lojas, 20 acabam levando um produto mais adequado ao orçamento possível, porque em geral estas pessoas já chegam com um valor total fechado", explica o gerente de intercâmbio da CVC, Daniel Gouvêa.
Toda vez que o dólar oscila, o consumidor de intercâmbio ou de viagens de lazer muda o destino dos sonhos para o que "cabe no bolso". Pelo menos esta tem sido a realidade em agências onde é possível encontrar pacotes com perfil mais popular. "Na crise, de 30 clientes que entram nas nossas lojas, 20 acabam levando um produto mais adequado ao orçamento possível, porque em geral estas pessoas já chegam com um valor total fechado", explica o gerente de intercâmbio da CVC, Daniel Gouvêa.
Neste grupo se encaixam públicos bastante distintos, a exemplo da professora Taísa Martins Ramos (23 anos), que recentemente voltou de Montevidéu, no Uruguai, onde cursou espanhol avançado por quatro semanas, e a veterinária Maria Estela Gaglianone (61 anos), que em 2017 estudou inglês durante 45 dias na Cidade do Cabo, na África do Sul.
"Se comparasse com outro destino cuja moeda é o dólar certamente gastaria muito mais para fazer tudo o que fiz no Uruguai", comenta Taísa. "Desembolsei em torno de R$ 3 mil no período de um mês, incluindo comida, passeios turísticos, bares, cinema, teatro, transporte público, mercado e demais gastos necessários", calcula a professora, afirmando que sempre quis conhecer aquele país. "É nosso vizinho, porém, possui ideais progressistas." A viagem completa custou cerca de R$ 9 mil, incluindo o curso intensivo por quatro semanas, passagens aéreas e hospedagem em casa de família com direito ao café da manhã.
Maria Estela também teve muita vontade de conhecer a África do Sul. "Quando decidi que gostaria de aprimorar meu inglês, minhas pesquisas me direcionaram para a Cidade do Cabo, que oferecia um custo/benefício bastante atraente." Segundo a veterinária, o curso durou 35 dias - o restante do tempo ela aproveitou para fazer turismo. Mas, durante o período de curso, também conseguiu visitar os atrativos turísticos próximos de onde estava. "Estudei na LAL Language Centres e morei na própria escola", comenta. "Visitei muitos lugares aos fins de semana, com amigos que fiz na escola ou com excursões de poucos dias no entorno da Cidade do Cabo", relata. O roteiro incluiu vinícolas, parques nacionais e outros pontos históricos da cidade. "O tempo restante fui para Joanesburgo, Malelane, Parque Kruger, Nelspruit, Blyde River Canyon, e alguns pontos interessantes entre estas cidades."
Com a escola de inglês e hospedagem, Maria Estela gastou cerca de R$ 10 mil (na época). "Meu gasto total ficou em torno de R$ 15 mil, incluindo a alimentação e os deslocamentos com Uber ou táxi, que por sinal são muito baratos", comenta a veterinária. Ela calcula que, com a escolha, economizou pelo menos R$ 8 mil, se comparado com um destino onde a moeda local é o dólar. Na África do Sul, é possível pagar cerca de R$ 20,00 por um jantar em um bom restaurante, enquanto nos Estados Unidos este custo seria de R$ 80,00, compara o gerente de intercâmbio da CVC. Ele avalia que "com planejamento financeiro, determinação e atenção à forma de contratar a viagem", é possível realizar o sonho da experiência no exterior, com cursos profissionalizantes e de idiomas que podem ser realizados durante as férias ou em semanas curtas ou prolongadas de estudo, sem comprometer o orçamento familiar. "Hoje há uma vasta gama de opções de intercâmbio, inclusive para quem está com o orçamento apertado, mas que deseja fazer um esforço para tentar um diferencial no currículo", comenta o especialista. Ele reforça que nos anos em que se registrou pleno emprego no Brasil, a postura era diferente. "A maioria não tinha limite de valores e estava mais disposta a gastar, mas atualmente este público está mais suscetível a promoções e busca barganhar com mais frequência", pontua.
A supervisora da Região Sul da CI - Intercâmbio e Viagem, Ana Flora Bestetti, confirma que, com a instabilidade econômica, o brasileiro está readequando o orçamento para manter o estilo de vida. "Mesmo com a crise, há muitos jovens, entre 15 e 28 anos, que estão comprando cursos e colocando o pé na estrada", comenta Ana. "Hoje, temos várias opções de pagamento e apoio em tempo integral para quem está fora, o que dá ainda mais segurança no momento do embarque."

Quatro continentes oferecem alternativas com o melhor custo-benefício

Gouvêa, da CVC, lista países competitivos para estudos ou lazer
Gouvêa, da CVC, lista países competitivos para estudos ou lazer
/CVC/DIVULGAÇÃO/JC

Enquanto as cotações do dólar persistem na alta, as agências que oferecem viagens com foco em estudos no exterior têm se ocupado em formatar pacotes para destinos onde o real é mais valorizado que a moeda local. "Pelo menos cinco países apresentam uma vantagem em relação aos gastos no destino, se comparados com outras localidades onde as moedas correntes são dolarizadas", enumera o gerente de intercâmbio da CVC, Daniel Gouvêa.

"Na lista, se destacam países na América do Sul, Norte, África e Europa, onde é viável driblar a alta do dólar, também por oferecerem cursos com preços mais acessíveis ou por permitirem aos estudantes trabalhar enquanto realizam o intercâmbio."

A CI - Intercâmbio e Viagem também oferece cursos em quatro destinos considerados mais baratos para quem quer estudar no exterior: África do Sul, Nova Zelândia, Austrália e Malta. "Mesmo com a alta do dólar, esses lugares possuem uma qualidade de vida menos cara que outros países, como Estados Unidos e Londres, por exemplo. Além disso, exige algumas adaptações do aluno", explica a supervisora da Região Sul da CI, Ana Flora Bestetti.

"Os viajantes estão fazendo algumas mudanças. Ou diminuem o tempo de estadia ou optam pela fórmula de estudo e trabalho", afirma. De acordo com levantamento das agências, estudar em Malta, por exemplo, é ótima opção para quem quer aproveitar o verão europeu e as praias do Mediterrâneo, degustar de uma ótima gastronomia e, ainda, economizar mais de 20% no custo de vida diário, com alimentação e transporte, se comparado a outras cidades europeias.

Gouvêa destaca que a desvalorização do peso frente ao dólar e ao real é um exemplo do efeito sob o poder de consumo do turista brasileiro na Argentina, no que se refere a outros serviços, além do turismo. Para se ter uma ideia, em setembro de 2017 para comprar 1 peso argentino o brasileiro desembolsava R$ 0,18 e hoje, um ano depois, o valor caiu para R$ 0,10. Com isso, despesas como alimentação e gastos extras no destino tendem a ficar mais vantajosos aos brasileiros que visitam o país. Colômbia, México, Chile, Peru e Marrocos são outros destinos que contam com vantagens semelhantes.

"A princípio, eu gostaria de ir para Espanha, mas busquei outra alternativa, na América Latina, pelo custo/benefício: neste caso Santiago (Chile) foi um atrativo para viver esta experiência, sendo um país com muitas indicações pelo desenvolvimento estrutural do país, além de um turismo diferenciado ao que temos no Brasil de belezas naturais", comenta a intercambista Tatiane Pereira da Silva. "Os preços de moradia e alimentação em Santiago (Chile) são bem parecidos com os do Brasil. Além disso, lá os gastos com comida, passeios e transporte podem ser pagos em reais, ou seja, uma vantagem a mais ao bolso do estudante brasileiro", finaliza o gerente de intercâmbio da CVC.