Porto Alegre, sábado, 14 de março de 2020.
Dia Nacional da Poesia. Dia do Vendedor de Livros.

Jornal do Comércio

Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

CORRIGIR

mercado financeiro

06/09/2018 - 01h02min. Alterada em 06/09 às 10h57min

Ex-dono da Empiricus é extraditado por fraude

Folhapress
A Procuradoria de Nova Iorque e o FBI, a polícia federal norte-americana, anunciaram a extradição para os Estados Unidos do brasileiro Marcos Elias, 47 anos, sócio da empresa de análise Modena Capital. Elias é um dos fundadores da consultoria de investimentos Empiricus e estava preso na Suíça desde junho. Ele teria participado de um esquema fraudulento que desviou mais de US$ 750 mil de um banco de Manhattan usando documentos falsos e identidades roubadas de correntistas da instituição.
A Procuradoria de Nova Iorque e o FBI, a polícia federal norte-americana, anunciaram a extradição para os Estados Unidos do brasileiro Marcos Elias, 47 anos, sócio da empresa de análise Modena Capital. Elias é um dos fundadores da consultoria de investimentos Empiricus e estava preso na Suíça desde junho. Ele teria participado de um esquema fraudulento que desviou mais de US$ 750 mil de um banco de Manhattan usando documentos falsos e identidades roubadas de correntistas da instituição.
A extradição ocorreu em 28 de agosto, segundo a Justiça dos Estados Unidos. O procurador Geoffrey S. Berman acusa Elias de montar um esquema de fraude "sofisticado" que envolvia uma empresa de fachada no Panamá e uma conta bancária em Luxemburgo. "Ao fingir ser um funcionário do dono da conta, o suspeito supostamente roubou centenas de milhares de dólares que não pertenciam a ele", afirmou, em comunicado, o diretor assistente do FBI, William F. Sweeney Jr.
Ele é acusado de conspiração para cometer fraude em transferência, que tem sentença máxima de 30 anos, e de fraude em transferência, também com pena máxima de 30 anos. Pesa ainda uma acusação de receptação de propriedade roubada, e duas acusações de roubo de identidade com agravantes.
Os documentos relacionados ao processo na Justiça americana dizem que, desde pelo menos 2012, uma empresa brasileira detinha uma conta em uma instituição financeira sediada em Manhattan. A empresa seria o grupo varejista Zaffari, e a conta pertenceria a um dos integrantes da família Zaffari.
Procurados, o advogado de Elias e a Modena não haviam se manifestado até o fechamento desta reportagem. Em nota, o Grupo Zaffari confirmou que possuía conta em uma instituição financeira nos EUA usada para suas atividades de importação e exportação. Porém em 2014, "ao perceber que a conta havia sido violada, notificou imediatamente a instituição financeira envolvida e passou a colaborar com as investigações das autoridades daquele país". A empresa salientou que já foi ressarcida dos valores depositados.
A Empiricus reforça que Elias deixou a companhia em 2012, "anos antes dos acontecimentos relatados". "Desde sua saída, nenhum sócio ou colaborador da Empiricus manteve qualquer tipo de contato com ele", afirma. A partir de junho de 2014, Elias começou a se corresponder com um vice-presidente do banco sobre uma conta bancária no nome da empresa brasileira.
O funcionário da instituição americana, então, passou a receber e-mails supostamente de um empregado da companhia e que o instruíam a transferir dinheiro a uma conta bancária de Luxemburgo, que parecia estar no nome dessa companhia brasileira. Mais tarde, os investigadores descobriram que os e-mails foram enviados de um endereço criado no mesmo dia e que nunca havia sido usado pelo empregado da empresa brasileira. Por causa dos documentos falsos, em julho de 2014 o banco transferiu US$ 752 mil da conta da empresa para a conta bancária em Luxemburgo, acreditando se tratar de um pedido legítimo do cliente.
Mas a transferência, na verdade, não tinha sido autorizada pela empresa brasileira, que também não tinha conta bancária ou de outro tipo em Luxemburgo e não havia enviado os e-mails com os supostos pedidos.
O beneficiário da conta em Luxemburgo, os investigadores descobriram, era o próprio Elias. A conta havia sido aberta em nome de uma empresa no Panamá na semana anterior à transferência fraudulenta. A conta em Luxemburgo era mantida no nome da empresa brasileira para criar a falsa impressão de que o dinheiro dessa companhia estava sendo transferida para outra conta que pertencia e ela, quando, na verdade, o beneficiário era o sócio da Modena.