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Porto Alegre, segunda-feira, 03 de setembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Economia

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GESTÃO

Edição impressa de 03/09/2018. Alterada em 03/09 às 05h08min

Mulheres ainda são a minoria em cargos de CEO

Andreea, à frente da Fraport Brasil, admite que vivenciou situações decepcionantes na sua trajetória

Andreea, à frente da Fraport Brasil, admite que vivenciou situações decepcionantes na sua trajetória


FREDY VIEIRA/JC
Carolina Hickmann
Apesar de cada vez mais as mulheres conquistarem destaque em suas atividades, algumas posições ainda são de maioria masculina. A ONU Mulheres projeta que menos de 2% das empresas possuem como CEO uma mulher em nível mundial. Uma pesquisa da HSD Consultoria apontou que, inclusive, mulheres oferecem menor risco na gestão das empresas.
Segundo o levantamento de perfil comportamental de executivos, dos 3,5 mil profissionais consultados em cargos de comandos em médias e grandes corporações, entre 2014 e 2017, apenas 26% eram mulheres. Do total consultado, 27% apresentaram algum desvio de caráter a partir de questionário aplicado, dos quais 80% eram do gênero masculino. Na comparação de percentuais, 20,77% das mulheres consultadas mostraram o problema, enquanto os números masculinos chegaram a 29,2%.
Mesmo assim, a realidade feminina em cargos de liderança é repleta de adversidades. A presidente da Fraport Brasil, Andreea Pal, recorda que, durante sua vida profissional, passou por situações as quais define como "decepcionantes, ou até mesmo ofensivas". Sem citar especificamente o ocorrido, ela afirma que, quanto maior a experiência profissional, mais fácil se torna contornar esses acontecimentos. "Quando era mais nova, acreditava que crescimento estava atrelado a uma boa performance, mas aprendi que não é tão simples assim", diz.
Os dados levantados pela HSD, por outro lado, podem ser explicados por uma convicção da gestora. "As mulheres são menos autoconfiantes que os homens e investem muito mais esforços para fazer as coisas corretamente nas tarefas que desempenham", observa.
A HSD trabalha com avaliação de perfis comportamentais de executivos desde 2000. Esta é a primeira vez que a consultoria segmenta os resultados por gênero. A decisão da nova abordagem partiu da experiência da CEO da marca, Susana Falchi, como consultora. "Apesar de vermos que características femininas mudam o perfil de gestão de uma empresa, organizações relutam em contratar mulheres para cargos de importância", lamenta a gestora.
O estudo considerou desvios de caráter características como interesses pessoais desmedidos, conflitos de interesses com atividades que levam a ganhos individuais e condutas moral e ética inadequadas. Entre as práticas dos executivos com esse perfil de personalidade estão maquiagem de resultados, desvios de valores financeiros, manipulação de dados e pessoas para atender a interesses próprios e comportamentos de risco para as corporações.
Susana afirma que, independentemente de questões ligadas a gênero, existe um elevado número de gestores com perfis comportamentais propensos à prática de atos condenáveis. Pelo seu entendimento, isso ocorre porque empresas valorizam apenas preparo técnico e experiência, e não a personalidade. "Fator humano é essencial dentro das matrizes de riscos", observa. 

Preconceito persiste no ambiente corporativo, diz gestora do PayPal

Paula considera perturbadora 
a diferença de remuneração

Paula considera perturbadora a diferença de remuneração


PAYPAL/DIVULGAÇÃO/JC
Apesar de não ter relatos de discriminação por sua condição feminina em sua trajetória profissional, a CEO do PayPal, Paula Paschoal, recorda diversas situações presenciadas que envolviam o preconceito no trabalho com outras mulheres. "Assim me sinto imbuída a trabalhar diariamente para que meu caso deixe de ser exceção", relata.
Mudar essa realidade, contudo, não é simples, segundo o entendimento da presidente de Desenvolvimento Humano e Inovação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS), Crismeri Correa. Para que haja maior participação feminina nas empresas, e, em especial, em seus cargos de gerência, Crismeri argumenta a necessidade das corporações prestarem educação empresarial aos gestores para que haja possibilidade de competição sadia.
Por outro lado, a futura presidente da ABRH-RS (assume em janeiro) ressalta que é preciso que haja imposição da parte feminina. "Garantir espaço de fala em uma mesa estratégica é difícil para qualquer um, para a mulher é um pouco mais por questões culturais, mas todas temos artifícios para superar isso", assegura, ao cobrar firmeza das demais.
Paula, todavia, lembra dados do Fórum Econômico Mundial, em prognóstico que considera "bastante perturbador". Segundo o levantamento, a remuneração de homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo será a mesma, em nível global, apenas em 2095. "Não gosto da possibilidade de, talvez, não ver isso acontecer", comenta. No PayPal, conta, desde 2016, a igualdade de remuneração entre homens e mulheres foi alcançada, e isso é motivo de orgulho para a gestora.
A CEO avalia que se faz necessário que os governos entendam que precisam se aproximar da pauta a partir de políticas de mudança cultural. De acordo com Paula, dados da Capes mostram que as mulheres são maioria em cursos de graduação, mestrado e doutorado desde o começo deste século. "Isso quer dizer, basicamente, o seguinte: elas estão mais aptas (do ponto de vista acadêmico) a gerar mais e melhores negócios para as empresas do que eles. Então por que continuar pagando menos às mulheres e contratando mais homens?", questiona. 
 

Conselhos de administração também excluem mulheres

Camila lamenta que a presença feminina seja pequena na área


AGÊNCIA ID/DIVULGAÇÃO/JC
Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa aponta que a participação de mulheres em conselhos de administração no País representa somente 7,9% do total de assentos disponíveis. A primeira colocação no ranking fica com a Noruega, que tem índice de ocupação feminina nos conselhos de 40,5%. O país escandinavo conquistou a colocação a partir de instrumento normativo que regulamenta a participação de mulheres em conselhos.
Melhor colocado entre os países em desenvolvimento, a África do Sul aparece na sétima colocação, com 17% de presença feminina, contando com mecanismo similar ao norueguês. O Brasil está em 26º no ranking mundial.
CEO desde os 32 anos, a gestora da agência de publicidade IDTBWA, Camila Costa, precisou lidar com questões de gênero e idade. Hoje, ela é mentora e membro de conselhos de administração de empresas lideradas por mulheres.
Camila lembra que, historicamente, cargos de liderança são ocupados por homens. Ao considerar que a inclusão em conselhos engloba confiança e recomendação, as mulheres ficam prejudicadas. "Homens indicam homens de seus círculos, a não ser que o direcionamento, perfil da vaga ou setor da empresa demande diferencial feminino", diz. Ela avalia que as mulheres podem potencializar e acelerar uma mudança, preparando e suportando umas às outras a partir de seu mérito profissional. 
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