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22/07/2018 - 22h00min. Alterada em 22/07 às 21h59min

Cresce mercado voltado para a terceira idade

Espaço Viva Club, em Porto Alegre, promove aulas de dança voltadas para pessoas com mais de 60 anos

Espaço Viva Club, em Porto Alegre, promove aulas de dança voltadas para pessoas com mais de 60 anos


/CLAITON DORNELLES /JC
Pedro Carrizo
Chegar à terceira idade, hoje, é como prolongar a juventude, acredita Lúcia Marder, de 63 anos. Ela faz parte de um dos grupos de dança do espaço Viva Club, considerada uma "academia de lazer" voltada às pessoas com 60 anos ou mais. "Ficar dentro de casa com a mesma rotina todos os dias não faz parte da minha vida. Estou em constante movimento e me sinto jovem!"
Chegar à terceira idade, hoje, é como prolongar a juventude, acredita Lúcia Marder, de 63 anos. Ela faz parte de um dos grupos de dança do espaço Viva Club, considerada uma "academia de lazer" voltada às pessoas com 60 anos ou mais. "Ficar dentro de casa com a mesma rotina todos os dias não faz parte da minha vida. Estou em constante movimento e me sinto jovem!"
Como Lúcia, 30,2 milhões de brasileiros estão na terceira idade, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, publicada este ano pelo IBGE. O número tende só a crescer, assim como a expectativa de vida da população brasileira, que chegou aos 75,5 anos. Estima-se que daqui a nove anos, 37 milhões de brasileiros estarão com 60 anos ou mais. Baseando-se nesse cenário, o mercado especializado para produtos e serviços à terceira idade infla e projeta crescimento.
Localizado no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, o espaço Viva Club apostou no mercado segmentado há nove anos. Atualmente, possui 18 turmas e 200 alunas e alunos, em grande maioria mulheres, que se aproximam ou que já estão na terceira idade. "A ideia era criar um espaço que tivesse atividade física exclusivamente para os idosos, mas que em segundo plano se transformasse em um grupo de convívio", diz o diretor administrativo do Viva Club, Rafael da Silva.
O espaço oferece aulas de pilates, treinamento funcional, alongamentos, ritmos, dança cigana e teatro. Também há palestras com psicólogo duas vezes por mês, sessões de fisioterapia e capacitações para o manuseio de aparelhos eletrônicos, como smartphones e tablets. O valor médio mensal gasto é R$ 175,00, de acordo com o pacote de serviços. 
Outro fator que coloca os 60 (nova nomenclatura do mercado para designar a terceira idade) em destaque é o seu poder aquisitivo. Segundo dados da CDL Poa, em parceria com a Vitamina Pesquisas, enquanto o valor médio gasto no dia das mães de 2018, em Porto Alegre, foi de R$ 199,00, o público acima dos 60 anos gastou R$ 250,00 (20% acima da média). Já para o Dia dos Namorados na Capital, enquanto o ticket médio da população foi de apenas R$ 193,00, a terceira idade desembolsou R$ 320,00 (40% acima da média).
Para o fundador da consultora SeniorLab Inteligência em Mercado e Consumo 60 , Martin Henkel, os números comprovam a importância do segmento. "Os idosos terão uma renda de R$ 850 bilhões até o final de 2018, entre aposentadorias, pensões e rendimentos financeiros" ressalta Henkel. "Além disso, os 60 não possuem tantas despesas fixas, tendo maior liberdade de gastos do que as pessoas de meia idade. Por isso, as empresas estão correndo para assumir esse mercado", acrescenta.

Primeira feira técnica voltada ao segmento acontecerá no Estado

Conforme indica o IBGE, entre 2012 e 2017 o Rio Grande do Sul teve um acréscimo populacional de 18,6% na faixa etária dos 60 , sendo a unidade da federação com maior percentual de crescimento de idosos do Brasil. Seguindo o embalo demográfico, o primeiro evento nacional destinado à terceira idade acontecera no Estado. A primeira edição da Geronto Fair acontece de 3 a 5 de setembro, em Gramado, e reúne produtos e serviços voltados à qualidade de vida e saúde dos idosos.

O evento é uma aposta do grupo Merkator Feira e Eventos, focada no setor coureiro e calçadista. Roberta Pletsch, diretora de mercado da Merkator conta que há bastante tempo o grupo pensava em investir em um novo ramo de feiras. "Ficamos impressionados com os números voltados à terceira idade. É uma ótima possibilidade de negócio. Ainda mais porque não existem feiras de geriatria, produtos e inovações para os 60 ", disse.

A Geronto Fair contará com cerca de 80 expositores e estima um público médio de 5 mil pessoas durante os três dias de feira. Destinada aos diretores de hospitais, setor hoteleiro e da saúde, além de empresas de cuidadores e enfermagem, o evento acontece nos pavilhões do Serra Park.

Entre os expositores, o mercado de luxo marca presença. Substituindo o estigma dos asilos tracionais, os residenciais de longa permanência ganham espaço, oferecendo um serviço que preza pela independência do idoso e a dissociação com os hospitais. "Os condomínios não têm cara nem cheiro de clínica. É como um condomínio, mas com todos os serviços de saúde e acompanhamento integral", diz o gerente de vendas do Grupo Sinfonia, Rodrigo Souza.

Os residenciais ofertados na Geronto Fair serão o Menino Deus, localizado em Porto Alegre, e o Sinfonia, em Novo Hamburgo. Os valores de aluguel variam entre R$ 6 mil e R$ 9 mil por mês. Também estarão na feira marcas de produtos ortopédicos, redes de turismo voltadas aos idosos, empresas de transporte e serviços médicos e geriátricos, além de palestras com nomes importantes no mercado brasileiro da terceira idade.

Prestadoras de serviços investem no público mais velho

Na rede brasileira de clínicas populares MedicMais, que está em atividade há três anos, os idosos já representam 60% dos pacientes atendidos. A empresa, que tem 27 clínicas operando em 20 estados brasileiros, não nasceu para atender unicamente a terceira idade, mas os números têm mostrado que as potencialidades deste grupo são dignas de investimentos específicos.

De acordo com o sócio-fundador da empresa, Tiago Alves, a MedicMais tende a crescer acompanhando o aumento da população idosa no Brasil. "Estamos investindo em profissionais específicos e aumentando nossa agenda para abranger determinadas especialidades dessa parcela da população, além de preços e pacotes especiais para eles", diz Alves, acrescentando que a MedicMais abrange a medicina preventiva e a assistência às doenças crônicas.

Outros dois fenômenos que aumentam o interesse da rede de clínicas populares no atendimento à terceira idade são os preços exorbitantes dos planos de saúde para pessoas acima de 55 anos e a precarização do SUS. "Enquanto convênios médicos para idosos podem custar mais de R$ 2 mil ao mês. Em nossas clínicas eles costumam desembolsar entre R$ 90,00 e
R$ 120,00 por consulta", diz Alves. A expectativa da empresa é chegar até o final do ano com 100 unidades e alcançar, em cinco anos, 300 clínicas no Brasil.

Há três meses em Porto Alegre, a MedicMais tem média de 100 atendimentos por mês. Metade desses atendimentos são para a terceira idade. Para a diretora executiva da franquia na capital gaúcha, Allexia Richter, o engajamento do público mais velho é conquistado com profissionais mais atenciosos. "Nossa proposta de inclusão dos idosos como público alvo vai além da estrutura da clínica, ela passa por olhar no olho do paciente, escutar o que ele tem a dizer e não ficar só emitindo receitas", afirma.

Patrícia Abilaine, gestora de relacionamento da Maria Brasileira, rede de franquias que presta serviços de limpeza e cuidados, também tem percebido o aumento na procura por parte da terceira a idade. De acordo com ela, a procura por cuidadores e enfermeiros cresceu 10% em comparação com o mesmo mês do ano passado. O serviço de cozinheiros, passeadores de cachorros e de limpeza também identificam aumento na procura por parte desse público. 

A Maria Brasileira possui 167 franquias em operação, faz 35 mil atendimentos por mês, e abrangem os mais diversos serviços domésticos. "Nossos clientes são divididos, na sua grande maioria, em familiares que buscam nossos cuidadores e enfermeiros para algum ente querido e os idosos que procuram todos os tipos de serviços", diz Patrícia.

Segundo a gestora, a terceira idade demanda especificidades próprias de atendimento. Patrícia explica que eles gostam de ir até a empresa, não ser informados por e-mail, e costumam buscar o mesmo profissional que atendeu um amigo. "É uma questão de confiança. O fator humano não pode ficar de lado."