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Indústria Calçadista

10/07/2018 - 18h08min. Alterada em 11/07 às 11h51min

Decretada falência da Crysalis por não cumprir plano de recuperação; empresa vai recorrer

Empresa, com sede em Três Coroas, emprega mais de 400 funcionários

Empresa, com sede em Três Coroas, emprega mais de 400 funcionários


REPRODUÇÃO/GOOGLE MAPS/JC
Paulo Egídio
A juíza Mariana Motta Minghelli, da comarca de Três Coroas, decretou a falência da fabricante de calçados femininos Crysalis, de Três Coroas, no Vale do Paranhana, o que afetará mais de 400 trabalhadores empregados na empresa. Na avaliação da magistrada, a empresa, que está em recuperação judicial, não conseguiu cumprir o plano de reestruturação aprovado pelos credores, homologado em março de 2017.
A juíza Mariana Motta Minghelli, da comarca de Três Coroas, decretou a falência da fabricante de calçados femininos Crysalis, de Três Coroas, no Vale do Paranhana, o que afetará mais de 400 trabalhadores empregados na empresa. Na avaliação da magistrada, a empresa, que está em recuperação judicial, não conseguiu cumprir o plano de reestruturação aprovado pelos credores, homologado em março de 2017.
A decisão diz respeito às organizações Crysalis Sempre Mio, Calçados Glauben e Goldem Dreams, que compõem o grupo empresarial. Em sua decisão, publicada ainda em junho, a juíza determinou que as instalações da empresa fossem lacradas imediatamente, medida cumprida nessa segunda-feira (9) por oficiais de justiça.
No despacho, a juíza constatou uma “postura procrastinatória” da Crysalis em cumprir o plano de recuperação judicial e apontou que, desde o pedido de recuperação, em junho de 2016, a companhia apresenta um “crescente aumento de sua dívida”, mesmo com a moratória concedida pela Justiça.
A determinação atende à solicitação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), que formulou o pedido de convolação (que significa conversão) da recuperação judicial em falência a partir de informações prestadas pelo administrador judicial, que indicaram uma “gradual diminuição da capacidade de geração operacional de caixa” da companhia para dar viabilidade à continuidade do negócio.
“O que se percebe é a manutenção da incapacidade financeira da empresa de gerar lucro operacional, para sustentar o empreendimento e ao mesmo tempo solver o passivo submetido à moratória”, escreveu a magistrada. Ainda na decisão, ela afastou a hipótese da convocação de uma nova assembleia de credores e determinou a suspensão de ações ou execuções contra as empresas falidas.
A Crysalis contesta a decisão e deve apresentar recurso ainda nesta terça-feira (10) ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS). De acordo com o advogado Thomas Dulac Müller, do escritório Dulac Müller, que representa a calçadista, o agravo de instrumento a ser protocolado deve pedir, em caráter liminar, a retomada imediata das atividades da empresa.
Os representantes da empresa discordam dos fundamentos utilizados pela juíza para decretar falência e argumentam que a empresa não tem seguido o cronograma de pagamento de credores porque entende que as obrigações relativas ao plano de recuperação judicial ainda não estão em vigor.
“Existe previsão, no próprio plano, que os pagamentos se iniciam após o trânsito em julgado e ainda há recursos de credores”, avalia Müller, que também nega que os embargos de declaração apresentados pela empresa tenham caráter procrastinatório.
A expectativa é de que a decisão seja revertida em curto prazo. “Isso abala relação de crédito com os fornecedores e a demora na reversão desse quadro pode gerar inviabilidade permanente”, argumenta Müller.
O administrador judicial nomeado para o caso, Roberto Carlos Hahn, da Hahn & Volkart Administradores Judiciais, evitou tecer comentários sobre o teor da decisão, mas confirmou que o passivo da empresa, em especial na área tributária, é “muito superior” aos R$ 52 milhões que integram o plano de recuperação judicial.
Conforme o advogado, estão em andamento a arrecadação de bens da empresa e o atendimento e avaliação dos credores. “Aqueles credores que continuaram a fornecer bens e serviços durante a recuperação têm algumas preferências (na quitação de débitos)”, afirma Hahn.

Decisão amplia redução dos empregos na indústria calçadista

Se mantida, a falência da Crysalis vai representar o desligamento de 432 trabalhadores, número informado pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Calçados de Três Coroas. "Isso (decretação de falência) era esperado, mas não para este momento", afirma o vice-presidente da entidade, Erni Rinker.
Segundo o sindicalista, a maioria dos funcionários da empresa reside em cidades vizinhas, em especial Parobé, município que já sofreu uma baixa de 250 postos de trabalho no setor calçadista no início do mês com o fechamento de uma das fábricas da Bottero.
Em 12 meses - de junho a maio de 2018, a indústria de calçados registra uma redução de 2.711 empregos no Rio Grande do Sul, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. O número é o saldo entre admissões e demissões no período.
Em reportagem do Jornal do Comércio na última quinta-feira (5), o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, afirmou que o setor fechou cerca de 35 mil postos de trabalho nos últimos 18 meses em todo o País. Klein alega que a elevação do dólar, que, em tese, daria fôlego às indústrias exportadoras, ainda não foi sentida pelas empresas.
“Essa valorização ainda não produz efeito no fluxo de encomendas, que acontece a partir das feiras do segundo semestre e que definem as vendas para o período primavera-verão”, explicou o dirigente.