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Porto Alegre, segunda-feira, 09 de julho de 2018.
Feriado em São Paulo - Revolução Constitucionalista.

Jornal do Comércio

Economia

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Artigo

Notícia da edição impressa de 09/07/2018. Alterada em 09/07 às 17h21min

Opinião econômica: Guardar, poupar, investir

Marcia Dessen é autora do livro Finanças pessoais: o que fazer com meu dinheiro

Marcia Dessen é autora do livro Finanças pessoais: o que fazer com meu dinheiro


ALBERTO ROCHA/FOLHAPRESS/JC
Marcia Dessen
Tiago mora em uma comunidade que reúne pessoas que, assim como ele, declaram não serem poupadoras ou investidoras. Entretanto, está guardando dinheiro para comprar um cobiçado tênis. Depois, vai guardar para comprar um celular bacana.
Nara é diarista e deposita algum dinheiro, todos os meses, na sua conta poupança. Seu objetivo é ter uma reserva financeira para se proteger de dois problemas que a preocupam: sua renda irregular e o fato de não ter plano de saúde.
Rafael investe em títulos públicos regularmente e está orgulhoso da pequena carteira que tem. Se interessa pelo assunto "investimentos" e confessa que, depois de passar pela fase de guardar dinheiro e usar a poupança para seus primeiros passos, estudou, pesquisou e ganhou confiança para avançar. Seu sonho? Fazer um curso de especialização, confiante em que aumentará a sua qualificação profissional e o seu salário.
Embora o verbo usado para qualificar o que fazem Tiago, Nara e Rafael seja diferente, todos têm capacidade de poupança e escolhem poupar para o futuro em detrimento do consumo imediato. Os três estão motivados, estabeleceram metas e se esforçam para alcançá-las.
Tiago, que apenas guarda moedas e notas em um cofrinho, ainda não tem o entendimento do valor do dinheiro no tempo. Deixa de ganhar juros sobre os recursos que estão sendo acumulados, necessários para garantir que os R$ 50,00 que guarda hoje terão o mesmo (ou maior) poder de compra daqui a alguns meses. Mas ele está no caminho certo, cultivando o hábito de guardar dinheiro, logo será um investidor de mão cheia.
Nara se contenta com os juros que ganha na poupança. Como não está preparada para avaliar outras alternativas de investimento, sabiamente evita se aventurar por caminhos que desconhece. Avessa a riscos, se sente segura assim e gosta de ver o saldo crescer, devagarinho, convencida de que vale a pena poupar.
Rafael já transita com segurança pelas alternativas de investimento em "renda fixa". Tem uma carteira diversificada de títulos, todos do mesmo emissor, o Tesouro Nacional, com remuneração diferente. Mantém metade da carteira em taxa pós-fixada (Tesouro Selic). A outra metade foi alocada em títulos que pagam a variação da inflação mais uma taxa real de juros (Tesouro IPCA ) e títulos de taxa prefixada de juros (Tesouro Prefixado).
Rafael tem consciência de que precisa pagar o menor custo possível para investir, visando acelerar o crescimento do capital investido. Opera por uma corretora que não cobra corretagem, limitando seu custo a 0,30% ao ano, taxa que paga para a B3.
Está pesquisando alternativas mais sofisticadas, tem estudado a respeito dos fundos de investimento, convencido de que pode ser uma boa forma de participar de outros mercados, como o de ações.
Como não tem conhecimento suficiente para investir diretamente nesse mercado, sabe que, ao aderir a um fundo cuja estratégia combina com a sua, está pagando a um especialista para tomar as decisões de investimento que, sozinho, não está preparado para tomar.
Não importa o verbo usado para qualificar a ação: guardar, poupar, investir. Importa pouco o produto de investimento usado para remunerar o capital. Importa muito começar cedo, gerenciar custos e cultivar o hábito de investir em você, de se pagar em primeiro lugar, de destinar recursos para realizar seus projetos de vida.
Planejadora financeira CFP (Certified Financial Planner), autora de Finanças pessoais: o que fazer com meu dinheiro.
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