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Porto Alegre, sexta-feira, 15 de junho de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Urbanismo

Notícia da edição impressa de 13/06/2018. Alterada em 15/06 às 20h23min

Obras do Pontal do Estaleiro devem ser entregues em 2021

Complexo terá shopping para 163 lojas e uma torre comercial de 84 metros de altura que abrigará um hotel

Complexo terá shopping para 163 lojas e uma torre comercial de 84 metros de altura que abrigará um hotel


/MELNICK/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Lampert
Após mais de 10 anos de debates e diversas alterações no projeto, o novo Pontal do Estaleiro deve começar a ser erguido em seis meses, com previsão de entrega das obras em até 40 meses, isto é, no final de 2021. A prefeitura já aprovou a viabilidade urbanística e o licenciamento ambiental. Falta a licença de instalação para a ordem de início dos trabalhos, o que deve ocorrer nos próximos meses.
O projeto foi apresentado ontem, em Porto Alegre, pela incorporadora Melnick Even - que construirá e comercializará a torre - e a BM Par Empreendimentos, que vai gerir o shopping. O investimento será de mais de R$ 300 milhões.
O complexo comercial terá 114 mil m2 de área construída, incluindo shopping center com 25 mil m2 de área bruta locável, capaz de abrigar 163 lojas em três pisos - sendo que a megastore Leroy Merlin será uma das cinco âncoras -, além de restaurantes, praça de alimentação e cinema.
O complexo multiuso ainda inclui um parque público e uma torre comercial de 84 metros de altura. O edifício, com mais de 20 andares, vai abrigar um hotel com 141 unidades, voltado para o segmento de lazer (com restaurante panorâmico), centro de eventos, escritórios, consultórios e clínicas médicas, e um hub da saúde, espaço de mil m2 no térreo, sob responsabilidade do Hospital Moinhos de Vento.
O Valor Geral de Vendas (VGV) do complexo não foi divulgado, mas o VGV das salas da torre comercial está estimado em R$ 160 milhões. O prédio contará com 237 unidades de escritórios e consultórios a partir de 28 m2, e estará conectado ao hub da saúde e ao shopping.
O Pontal Hotel contará com um centro de eventos para 800 pessoas, com área total de 1,4 mil m2 e vista panorâmica voltada para o Guaíba, que deverá receber desde pequenos encontros e recepções até grandes eventos. Ainda não há definição de qual bandeira irá administrar o futuro empreendimento hoteleiro.

Principal contrapartida dos empreendedores será parque de 2,9 hectares

No terreno do antigo Estaleiro Só, de 59 mil m2, está prevista uma área verde pública (de 29 mil m2) chamada de Parque do Pontal, com 700 metros de orla do Guaíba urbanizada. O projeto está sendo executado pelo arquiteto e urbanista Guilherme Takeda.
A ideia é entregar à população áreas gramadas, arquibancadas, mirantes para apreciação do pôr do sol, dois píeres, pistas de caminhadas, playground e o Memorial do Estaleiro Só (resgatando elementos históricos do local).
O espaço será aberto ao público e contará com deque de madeira, palco multiuso, prainha à beira do Guaíba, espaço para food trucks, bicicletário e quadra de areia para prática de esportes. Ainda receberá tratamento paisagístico com 30 mil novas mudas e palmeiras ornamentais.
Uma das condicionantes da licença prévia do projeto foi a urbanização do Parque do Pontal e a conexão com as áreas limítrofes. A área de preservação permanente ao longo das margens do arroio Sanga da Morte e do Guaíba serão mantidas e delimitadas.
Parte do parque será aberta ao público nas próximas semanas. Serão 10 mil m2, ao lado do plantão de vendas. A previsão é inaugurá-lo no dia 7 de julho e promover atividades esportivas, piqueniques e eventos públicos, informa o presidente da Melnick, Leandro Melnick.
Em vista do impacto viário na região, também deverão ocorrer alterações (alargamento) na avenida Padre Cacique para mitigar um futuro aumento de trânsito e a abertura de uma nova via interna entre o empreendimento e o parque, bem como a construção de 3 quilômetros de ciclovias.
"As 1,6 mil vagas de estacionamento coberto devem ajudar a acomodar veículos que cheguem ao complexo", destacou o diretor corporativo da BM Par Empreendimentos, Ricardo Jornada. "Mas a principal contrapartida do empreendimento para o município é a doação e execução do parque do Pontal", resumiu Jornada, durante coletiva de imprensa na manhã de ontem na Casa NTX.
O secretário municipal de Desenvolvimento, Leandro de Lemos, garantiu que já há consenso entre a prefeitura e os empreendedores a respeito das contrapartidas. Ele salientou ainda que o complexo comercial deve gerar milhares de empregos quando estiver em funcionamento.
 

Parceria entre BM Par e Melnick Even para o projeto começou há cinco anos

Guilherme Kolling
Empreendedores do novo projeto para a área do antigo Estaleiro Só, BM Par Empreendimentos e Melnick Even fecharam a parceria para o complexo imobiliário há cinco anos. Entretanto, a discussão sobre a área é bem mais antiga.
Pelo menos há uma década o destino daquele pedaço da orla do Guaíba é tema de debates públicos. O auge das discussões ocorreu em agosto de 2009, quando o então prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, promoveu uma consulta pública sobre a permissão para construir residências no local.
Mais de 22,6 mil porto-alegrenses participaram da votação eletiva e 80% (18,2 mil votos) se manifestaram contra a iniciativa. Com isso, o projeto da BM Par, então chamado Pontal do Estaleiro, que previa torres residenciais foi engavetado.
Os anos de debates e a tramitação do projeto foram destacados nos discursos durante o evento de lançamento do Pontal. O prefeito Nelson Marchezan Júnior foi o mais incisivo. "Meia dúzia de pessoas tiveram espaço para debater por anos, com os argumentos mais irracionais. E receberam o mesmo espaço do que interessa, que é recuperar a orla. Foram os mesmos argumentos irracionais contra o Cais, licenciado no ano passado após 30 anos de discussão", criticou Marchezan, bastante aplaudido por uma plateia formada por corretores de imóveis, que participavam de convenção de vendas na Casa NTX.
O nome mais citado nas falas de apresentação do projeto foi o de Saul Boff, da BM Par. O presidente da Melnick Even, Leandro Melnick, observou que sua incorporadora trabalha no projeto há meia década, enquanto que Boff está envolvido há 15 anos.
O diretor corporativo da BM Par, Ricardo Jornada, foi na mesma linha, lembrando que, após a falência do Estaleiro Só - empresa construtora de navios fundada em 1850 e que manteve a sede no local até 1995 -, houve tentativas frustradas de leilão, até que a área foi comprada por Boff.
"Saul Boff foi um homem de coragem. Quebrou um paradigma. Porque dói, como dói fazer mudanças no Rio Grande do Sul e Porto Alegre", afirmou Marchezan.
Agora, o projeto que vai sair do papel - aprovado pela prefeitura nove anos depois da consulta popular - é um complexo comercial, que segue tendo a BM Par em sociedade com Melnick.
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