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Porto Alegre, domingo, 10 de junho de 2018.
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Jornal do Comércio

Economia

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Logística

Notícia da edição impressa de 11/06/2018. Alterada em 10/06 às 22h41min

Nova reunião debate preço do frete hoje

Tabelamento foi uma das principais reivindicações dos motoristas para acabar com greve

Tabelamento foi uma das principais reivindicações dos motoristas para acabar com greve


/MAURO PIMENTEL/AFP/JC
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e representantes dos caminhoneiros marcaram, para as 9h de hoje, uma nova reunião, de caráter técnico, para discutir o tabelamento do preço mínimo para o frete rodoviário. O assunto criou um grande impasse no governo, que, sob pressão, já editou duas versões da tabela dos preços. A segunda foi revogada horas depois de ter sido divulgada, na noite de quinta-feira, dia 7.
A primeira atendeu aos caminhoneiros, mas revoltou o agronegócio e a indústria, que falam em aumentos de até 150% nos preços, e ameaçam travar a comercialização e até ir à Justiça para barrar o tabelamento. A segunda procurou aliviar o custo aos produtores, mas contrariou os caminhoneiros, por ter levado a um corte médio de 20% nos preços.
Mesmo irritados com a revisão, os caminhoneiros se propuseram a buscar uma composição de preços que seja boa para eles e para os usuários de seus serviços. Representantes da categoria reuniram-se no sábado para fazer as contas e levar uma proposta à ANTT hoje. O encontro foi fechado, e as entidades não divulgaram sequer o local da reunião. Eles disseram que queriam evitar ruídos que pudessem prejudicar as negociações.
A ANTT já avisou que uma eventual terceira versão da tabela, que pode ficar pronta no início da próxima semana, será submetida a uma audiência pública que durará de 30 a 45 dias. Na mesa, há inclusive a proposta de se estipularem preços diferenciados para os períodos de safra e de entressafra.
Enquanto continua o impasse, segue em vigor a primeira versão da tabela, editada no último dia 30 de maio, nos termos da Medida Provisória nº 832/2018, que instituiu a Política de Preços Mínimos de Transporte Rodoviário de Cargas, uma das reivindicações dos caminhoneiros dentro do acordo com o governo para pôr fim à paralisação da categoria. 

Custo será rateado entre a população, setor produtivo e governo, dizem especialistas

Apesar da indefinição no valor do frete, já é certo que o aumento do custo será rateado entre a população, o setor produtivo e o próprio governo, avaliam especialistas. É que ele vai puxar alta de preços para o consumidor ou corte em rentabilidade para produtores e empresas. A consequência, dizem os consultores, virá em corte de investimentos, menos empregos e queda na atividade econômica, encolhendo a arrecadação pública.
"É um tremendo gol contra. O tabelamento será inócuo se ficar abaixo do preço de equilíbrio de mercado. Ou, se ficar acima, vai gerar excesso de oferta e contração de demanda. Vai trazer um choque de custo, de cara. É que, apesar de a economia estar pouco aquecida, há forte demanda por frete por causa da greve. Está claro que a negociação focou em elevar o preço do frete. Mas esse custo terá de ser repassado. O consumidor vai pagar uma parte. O restante virá em retração da economia, corte de investimentos e de empregos", avaliou Gesner Oliveira, sócio da GO Associados.
A presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputada Tereza Cristina (DEM-MS), disse que, depois da revogação da tabela, as negociações se intensificaram. "Se não houver acordo, a Medida Provisória (MP) nº 832 (que institui uma política de preços mínimos para o frete) vai fracassar", destacou a deputada, informando que grandes grupos que contratam fretes, como BRF, se reunirão hoje, em São Paulo, para se posicionar sobre o assunto.
A MP já recebeu 55 emendas e enfrenta forte resistência da bancada ruralista. Entidades representativas do setor produtivo estão se movimentando para derrubar a medida. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou ontem que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o tabelamento do frete, alegando que a medida trará prejuízos para a economia e para a população. A Associação do Transporte Rodoviário de Cargas do Brasil (ATR) também decidiu recorrer ao STF.
Especialistas destacam que a tendência, com menor eficiência no setor de carga rodoviária, é de verticalização dos serviços. "O custo do transporte rodoviário é de R$ 380 bilhões por ano. Com a tabela, pode subir em R$ 80 bilhões. Essa conta vai mudar as relações de trabalho. O autônomo vai sumir. E se a economia der um passo para trás, o transporte rodoviário também vai cair. As transportadoras serão afetadas com desemprego ou menor demanda", pondera Maurício Lima, sócio-diretor do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos).
Para Fábio Silveira, sócio-diretor da Macro Sector, faltou atenção do governo aos entraves em um setor relevante para a economia do País. "Parece haver uma falta de percepção por parte do governo e talvez da própria Petrobras, que não deram atenção ao encarecimento do (preço do) diesel, que afeta toda a cadeia produtiva do País. A freada brusca que isso causou vai ter um preço, que é a queda da atividade no País. Vamos crescer 1,5% neste ano."
José Carlos Hausknecht, sócio-diretor da MB Agro, diz que a conta será dupla. "Uma vem do aumento do déficit público pelo subsídio ao diesel; a outra, da tabela de preço do frete. Em alguns setores, vamos perder rentabilidade e competitividade. Em outros setores, a alta de preço é certa, como em carnes e leite." 

Preço do diesel cai R$ 0,34 após assinatura do acordo

Redução prevista inicialmente era de R$ 0,46 nas bombas dos postos

Redução prevista inicialmente era de R$ 0,46 nas bombas dos postos


/MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL/JC

O preço médio do litro do óleo diesel nas bombas caiu R$ 0,34 (o que corresponde a 9%) após a greve dos caminheiros, segundo balanço divulgado neste sábado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Na semana de 3 a 9 de junho, após a greve, o preço médio desse combustível foi de R$ 3,482; enquanto, na semana anterior, de 27 de maio a 2 de junho, quando ainda não havia acordo entre o governo federal e os caminhoneiros, o diesel custava R$ 3,828. Ao firmar acordo com os caminhoneiros, o governo federal previu redução de R$ 0,46 no preço do litro.

Para obter o preço médio, a ANP pesquisou 2.855 postos em todo o Brasil. O menor valor foi registrado na Região Sul (R$ 3,312), enquanto o maior foi constatado na Região Centro-Oeste (R$ 3,695).

Nas distribuidoras, o preço médio do litro de óleo diesel caiu 8,5% na comparação entre as duas semanas, passado de R$ 3,446 para R$ 3,154.

De acordo com a ANP, o preço da gasolina se manteve estável em relação à semana anterior. Na semana passada, a gasolina foi vendida, em média, a R$ 4,603 por litro, R$ 0,319 a mais do que o valor vigente antes da greve dos petroleiros.

Já o preço do botijão de gás começou a ceder. O preço médio nesta semana,
R$ 68,97, é R$ 1,64 menor do que na semana anterior.

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