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MÚSICA

- Publicada em 11/05/2022 às 19h01min.

Em busca do próprio eu, Viridiana mergulha nas composições autorais em 'Transfusão'

A cantora e compositora Viridiana lançou recentemente um show virtual, com direção de Gautier Lee

A cantora e compositora Viridiana lançou recentemente um show virtual, com direção de Gautier Lee


GABZ/DIVULGAÇÃO/JC
Lara Moeller Nunes
Da música experimental para refrões chicletes: esse foi o caminho percorrido recentemente pela cantora Viridiana, que agora se aventura na linguagem do pop eletrônico em composições autorais que revelam, em sua grande maioria, uma viagem em busca de conhecimento pessoal. Depois de lançar no final do ano passado o disco Transfusão, divulgou recentemente mais um desdobramento do projeto: um show virtual, comandado pela diretora e roteirista Gautier Lee. O trabalho, disponível no YouTube, conta com dez interpretações musicais.
Da música experimental para refrões chicletes: esse foi o caminho percorrido recentemente pela cantora Viridiana, que agora se aventura na linguagem do pop eletrônico em composições autorais que revelam, em sua grande maioria, uma viagem em busca de conhecimento pessoal. Depois de lançar no final do ano passado o disco Transfusão, divulgou recentemente mais um desdobramento do projeto: um show virtual, comandado pela diretora e roteirista Gautier Lee. O trabalho, disponível no YouTube, conta com dez interpretações musicais.
Potencializando atmosferas coloridas e construindo uma narrativa visual que destaca elementos como figurino, cenografia e expressão corporal, a artista trans criou no espetáculo uma narrativa completa que se desenvolve em cima de um processo de exploração da identidade de gênero. "Minha ideia inicial foi juntar todas as músicas que eu havia composto durante o isolamento social em um disco e, posteriormente, transformar isso em uma apresentação. Naquela época as lives já estavam se esgotando e as pessoas já não tinham paciência para ver esse tipo de produção. Pensei então em tentar reinventar esse formato, criando algo novo", conta.
A primeira cena do show é ambientada dentro de uma casa vazia de energia e sem vida, apenas com objetos estáticos. Já ao longo das composições, acompanhamos de perto as andanças de uma pessoa que, incansavelmente, procura nos lugares por onde passa pequenas partes suas que foram ficando ao longo do caminho. No final dessa jornada, o cenário inicial é retomado, agora com a presença de Viridiana que, aos poucos, toma o espaço de tudo aquilo que antes ocupava o ambiente.
O número de encerramento, embalado ao som da canção Menina, é o mais sensível para a artista. Apresentada apenas em voz e guitarra, a música fala sobre a sensação de ter nascido em uma forma que não te pertence. "Nascemos com uma etiqueta gigante que define a maneira como as pessoas nos tratam. É uma música complicada de ensaiar e de apresentar ao vivo. Ela toca em pontos delicados para mim. Apesar disso, é um difícil bom, pois ela simboliza toda a minha sinceridade como compositora."
Engajada, a cantora já pensava desde o início do projeto que queria desenvolver o trabalho com uma equipe formada apenas por pessoas trans e não binárias. Quando começou a buscar colegas para integrar a equipe, no entanto, percebeu a ausência de profissionais para cargos mais técnicos dentro do perfil que queria. "Isso não diz respeito à falta de interesse, mas sim à dificuldade de acesso para investimento de carreira. Quando notei que não conseguiria ter uma ficha técnica 100% do jeito que queria, decidi colocar pelo menos uma pessoa trans comandando cada setor criativo do processo. Isso faz com que os nossos olhares sejam levados em consideração ao longo de toda a construção do projeto", explica. Para ela, esse tipo de acolhimento reflete diretamente no aumento de oportunidades para essas pessoas - que agora ganham espaço e destaque por tudo que produziram.
"Apesar dessa ausência constatada em funções específicas, vemos hoje na indústria artística uma abertura um pouco maior para que pessoas trans desempenhem funções que não sejam estereotipadas e caricatas. Durante muito tempo as travestis foram apresentadas de forma pejorativa, como piada, e isso felizmente tem se transformado", celebra a compositora.
Ao mesmo tempo em que comemora a abertura de mais portas e a mudança de certos comportamentos, frisa que teme a possibilidade da sua presença virar uma representatividade vazia. "Muitas pessoas nos chamam para fechar trabalhos só pra poder dizer que tinham alguém trans na equipe. Às vezes nem conhecem nossa música, nossa arte e o que fazemos na essência. É um longo processo, mas temos nos mobilizado muito dentro da própria comunidade para gerar e garantir oportunidades uns para os outros", analisa. "Sei que uma das coisas que mais me abrem portas é o fato de eu ter conseguido encontrar e estabelecer esse meu espaço na música. Consigo genuinamente me expressar, trazendo para público todas as minhas vivências e referências estéticas. Esse é o diferencial do que eu crio, e tenho muito orgulho disso."
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