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Memória

- Publicada em 26/09/2021 às 15h15min.

Morto há 35 anos, Cliff Burton é um símbolo de integridade no som pesado

Baixista nos três primeiros discos do Metallica, Cliff Burton sofreu acidente fatal na estrada, durante uma turnê

Baixista nos três primeiros discos do Metallica, Cliff Burton sofreu acidente fatal na estrada, durante uma turnê


JAWBONE PRESS/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
Nos anos seguintes à sua morte, o baixista norte-americano Cliff Burton ganhou uma dimensão quase lendária entre fãs de heavy metal. Há inclusive quem diga que o músico - falecido há 35 anos, em 27 de setembro de 1986 - foi o último herói da era "romântica" do estilo: teimoso, musicalmente íntegro, feroz em cima do palco e disposto a enfrentar tudo e todos em nome de sua visão artística. Responsável pelo baixo nos três primeiros (e clássicos) álbuns do Metallica, o músico acabou morrendo cedo demais, com apenas 24 anos de idade, em um acidente na estrada no meio de uma turnê - uma tragédia que, de certa forma, garantiu a ele a imortalidade dos ídolos que nunca vão envelhecer.
Nos anos seguintes à sua morte, o baixista norte-americano Cliff Burton ganhou uma dimensão quase lendária entre fãs de heavy metal. Há inclusive quem diga que o músico - falecido há 35 anos, em 27 de setembro de 1986 - foi o último herói da era "romântica" do estilo: teimoso, musicalmente íntegro, feroz em cima do palco e disposto a enfrentar tudo e todos em nome de sua visão artística. Responsável pelo baixo nos três primeiros (e clássicos) álbuns do Metallica, o músico acabou morrendo cedo demais, com apenas 24 anos de idade, em um acidente na estrada no meio de uma turnê - uma tragédia que, de certa forma, garantiu a ele a imortalidade dos ídolos que nunca vão envelhecer.
De certa forma, se pode dizer que Clifford Lee Burton estava destinado a ser uma figura emblemática desde o início. Os próprios companheiros de Metallica tiveram um primeiro encontro para lá de impactante com o talento do baixista. James Hetfield e Lars Ulrich foram, meio ao acaso, a um show da banda Trauma em Los Angeles, em 1982. Estavam meio distraídos com as próprias cervejas, sem prestar muita atenção no palco - até que um solo veloz e extremamente técnico chamou a atenção dos dois.
Durante alguns momentos, tentaram enxergar qual dos guitarristas estava fazendo aquela demonstração de destreza. Quando perceberam que, na verdade, era o baixista quem estava solando como se não houvesse amanhã, decidiram que aquele cara tinha que entrar em sua banda. Depois de muita insistência, Burton impôs uma condição: que o Metallica se mudasse para a região de San Francisco, onde ele residia - uma exigência que a dupla, fascinada com o que tinha visto e ouvido, aceitou sem pestanejar.
Foi uma decisão acertada, e uma primeira impressão plenamente justificada. Interessado em música desde a infância, Cliff Burton decidiu focar no baixo aos 13 anos, pouco depois da morte do irmão Scott, vítima de aneurisma quando tinha apenas 16 anos de idade. Quando dizemos 'focar', não estamos falando da boca para fora: segundo o pai, Ray Burton, o jovem afirmou que seria o melhor baixista do mundo para honrar o irmão, e dedicava cerca de seis horas diárias ao instrumento, mesmo em meio às longas e cansativas turnês do Metallica.
Com a lendária banda de thrash metal, Burton gravou os discos Kill 'em all (1983), Ride the lightning (1984) e Master of puppets (1986) – o último, a estreia oficial do conjunto em uma grande gravadora, a Elektra. Mesmo sem tocar em rádios e sem videoclipes rodando na MTV, o Metallica tornou-se um fenômeno de vendas, e sua atitude e sonoridade praticamente redefiniram o som pesado de então. Em um tempo no qual bandas mais acessíveis e de som pasteurizado tomavam conta do estilo, o quarteto da Bay Area californiana se tornou um símbolo de integridade, energia e ambição artística. Muito disso passava, é claro, pelo baixista, um dos primeiros (e, até hoje, um dos únicos) a colocar seu instrumento na linha de frente em várias músicas, indo além do status de mero acompanhamento da guitarra base ou das levadas de bateria. Basta ouvir músicas hoje clássicas, como For whom the bell tolls, The thing that should not be e as instrumentais Anesthesia (pulling teeth) e Orion para perceber a originalidade que o instrumentista trouxe para o som pesado.
O acidente que tirou a vida de Burton aconteceu na Suécia, em uma das últimas datas da turnê europeia. O motorista, que não chegou a ser julgado pelo caso, alegou ter perdido o controle quando o ônibus deslizou em um trecho de gelo na pista; não foram poucas, porém, as suspeitas de que ele tenha dormido ao volante, ou mesmo que estivesse embriagado. Seja como for, o ônibus saiu da pista, e Burton, que dormia em um beliche, foi arremessado pela janela; em um acaso trágico, o veículo capotou e acabou caindo em cima do corpo do baixista, que morreu no local. Um final triste e inesperado para alguém que mal tinha começado a ser um ídolo, e uma tragédia da qual o heavy metal demorou para se recuperar.
Verdade que, mesmo sem Cliff Burton, o Metallica seguiu em uma vertiginosa rota rumo ao estrelato. Já com Jason Newsted no baixo, a banda chegaria ao ápice do sucesso com o chamado Black album, de 1991, e se mantém uma das mais importantes entidades do heavy metal e, por que não dizer, de todo o universo do rock. Não são poucos, porém, os que enxergam nesse sucesso todo uma forma disfarçada de decadência: segundo esses saudosistas, a banda "se vendeu" em nome da fama, e isso nunca teria acontecido se Burton tivesse seguido vivo. De certa forma, a banda antes incorruptível tornou-se, ela mesma, parte do cenário mainstream - e o falecido baixista, de forma acidental e indesejável, foi transformado em ícone de um idealismo agora perdido e eternamente inalcançável, tanto para o próprio Metallica quanto para o metal como um todo.
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