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Memória

- Publicada em 18h08min, 11/08/2021. Atualizada em 14h33min, 12/08/2021.

Um dos grandes inovadores do cinema, Cecil B. DeMille nasceu há 140 anos

Nome de destaque do cinema mudo cruzou com sucesso a ponte para o som e as cores na tela

Nome de destaque do cinema mudo cruzou com sucesso a ponte para o som e as cores na tela


PARAMOUNT PICTURES/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
Boa parte do que associamos com a indústria cinematográfica norte-americano (e, por consequência, com o cinema como um todo) só existe graças à atuação decisiva de Cecil B. DeMille. Um dos realizadores mais bem-sucedidos de todos os tempos, ele nasceu há exatos 140 anos, em 12 de agosto de 1881 - e deixou, durante mais de quatro décadas de produção cinematográfica, uma marca inesquecível para a sétima arte.
Boa parte do que associamos com a indústria cinematográfica norte-americano (e, por consequência, com o cinema como um todo) só existe graças à atuação decisiva de Cecil B. DeMille. Um dos realizadores mais bem-sucedidos de todos os tempos, ele nasceu há exatos 140 anos, em 12 de agosto de 1881 - e deixou, durante mais de quatro décadas de produção cinematográfica, uma marca inesquecível para a sétima arte.
Cecil Blount DeMille nasceu na cidade de Ashfield, no estado norte-americano de Massachusetts, em uma família de artistas: seu pai, Henry DeMille, atuava como dramaturgo, e conheceu sua esposa Beatrice em um clube de música e literatura que os dois frequentavam. Não surpreende, então, que o jovem desde cedo tenha demonstrado inclinação para as artes. Seu pai morreu cedo, quando Cecil tinha menos de 12 anos de idade - e conta-se que, pouco antes do falecimento, Henry DeMille disse a Beatrice que não desejava que seus filhos se dedicassem a escrever para o teatro, pois era uma vida muito incerta financeiramente.
Para a sorte de quem aprecia cinema, o filho não atendeu esse desejo paterno. O sucesso, porém, ainda demoraria um pouco para se concretizar. Cecil começou a carreira artística como ator itinerante, além de dividir a autoria de algumas peças com seu irmão William, que alcançou sucesso escrevendo para a Broadway bem antes do irmão mais novo. Mas foi apenas a partir de 1913, depois de mais de uma década tentando atingir o sucesso no teatro, que Cecil B. DeMille achou sua verdadeira vocação. À época, o ainda iniciante cinema era visto como uma arte menor: em uma notória carta enviada ao irmão, William Churchill DeMille lamentava que Cecil, filho de uma família forjada "nas nobres tradições do teatro", se dispusesse a buscar uma carreira tão vazia de glamour.
A marca de Cecil B. DeMille no cinema foi revolucionária desde o início. Primeiro filme de sua empresa Lasky Play Company, o faroeste The Squaw Man (1914) foi o primeiro filme rodado em Hollywood, local escolhido pelo cineasta como uma boa locação para as filmagens - e foi também uma das primeiras produções em longa-metragem nos EUA, a partir da ideia de DeMille de fazer com que a obra tivesse mais ou menos a duração de uma peça teatral. O sucesso foi tamanho que levou os sócios da Lasky Play a criar uma nova companhia, a Paramount, passo decisivo para que Hollywood virasse símbolo de cinema nos EUA e em todo o mundo.
Produzindo uma média de 25 filmes por ano, Cecil B. DeMille tornou-se um dos gigantes do cinema mudo. Graças a ele, os filmes de temática histórica ou bíblica se tornaram um lucrativo filão, com obras como Joana D'Arc (1917), Os dez mandamentos (1923) e O rei dos reis (1927) transformando-se em clássicos do estilo. Com sucessivos sucessos de bilheteria, o nome de DeMille tornou-se uma atração em si mesmo, sendo usado em cartazes e peças promocionais; de fato, Cecil B. DeMille foi um dos primeiros nomes a consolidar a ideia de que produtores e diretores são os autores intelectuais de um filme, em uma época na qual a maioria desses profissionais tinha pouca ou nenhuma projeção.
Ao contrário de tantos, o diretor se deu muito bem com as mudanças tecnológicas. A chegada do som ao cinema, na virada da década de 1930, deu a seus filmes uma carga dramática ainda mais acentuada. O sinal da cruz (1932) é considerado um dos primeiros filmes de Hollywood a dominar de forma plena a união entre som e imagem, o que rendeu outro sucesso de bilheteria, e Cleópatra (1934) é visto até hoje como uma das melhores obras do realizador. A chegada da cor foi ainda mais impactante: conquistaria o Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor com O maior espetáculo da Terra (1952), e seu último filme, um remake de Os dez mandamentos (1956), é até hoje lembrado pelos efeitos especiais, revolucionários para a época - em especial a marcha pelo Mar Vermelho, considerada por muitos críticos uma das cenas mais impactantes da história do cinema.
O sucesso de DeMille foi também para o rádio, com o programa Lux Radio Theater (1936-1945) chegando a ter cerca de quarenta milhões de ouvintes semanais. A vida pessoal, porém, não esteve à prova de polêmicas: conhecido pelo pensamento conservador, ele tomou medidas contra a sindicalização nos estúdios de cinema, o que angariou antipatias. Além disso, era conhecido pela agitada vida extraconjugal, com várias amantes - segundo biógrafos, sua esposa, a atriz Constance Adams, sabia e até mesmo concordava com as aventuras, na medida em que não nutria interesse físico pelo marido.
Reconhecido como um dos principais inovadores do cinema do século passado, DeMille tem um legado que transborda das telas e impacta na própria produção de filmes: ele foi o primeiro, por exemplo, a fazer uso de megafones e sistemas de autofalantes para comunicar-se no set, e criou mecanismos para captar as falas de atores e atrizes diretamente em cena, a partir do uso de microfones 'boom'. Menosprezado durante décadas pelos críticos, o cinema de Cecil B. DeMille é visto na atualidade como um dos nomes definitivos do cinema épico e da reconstituição histórica, definindo boa parte da linguagem que até hoje leva multidões às salas de projeção.
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