Porto Alegre, quarta-feira, 21 de julho de 2021.
Porto Alegre,
quarta-feira, 21 de julho de 2021.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

cinema

- Publicada em 20h31min, 20/07/2021.

Ismael Caneppele estreia como diretor em adaptação literária documental

'Música para quando as luzes se apagam', com Emelyn Fisher e Julia Lemmertz, entra em cartaz em Porto Alegre

'Música para quando as luzes se apagam', com Emelyn Fisher e Julia Lemmertz, entra em cartaz em Porto Alegre


ZEPPELIN FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline Zatt da Silva
Primeiro título do escritor, roteirista e ator gaúcho Ismael Caneppele como diretor, Música para quando as luzes se apagam mistura ficção e documentário para mostrar a trajetória de Emelyn, uma jovem trans. A história se passa em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, onde uma autora começa a seguir os passos da jovem insatisfeita com seu corpo. Assim, ela inicia o processo para se tornar Bernardo e vive várias inquietações pessoais, com os pais e amigos.
Primeiro título do escritor, roteirista e ator gaúcho Ismael Caneppele como diretor, Música para quando as luzes se apagam mistura ficção e documentário para mostrar a trajetória de Emelyn, uma jovem trans. A história se passa em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, onde uma autora começa a seguir os passos da jovem insatisfeita com seu corpo. Assim, ela inicia o processo para se tornar Bernardo e vive várias inquietações pessoais, com os pais e amigos.
Em Porto Alegre, o longa estreia nesta quinta-feira (22) na Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim, localizada na Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736), com sessões diárias às 18h30min, e no Espaço Itaú de Cinema (Túlio de Rose, 80), na sala 8, na faixa das 18h. A produção é da Zeppelin Filmes e da Besouro Filmes, com roteiro baseado no livro do próprio Caneppele. 
O filme é uma adaptação do livro homônimo que o autor lançou em 2007. Caneppele explica que chama o longa de documentário, pois a obra literária já tinha esse caráter documental. "O livro nasceu a partir de diários de uma menina que morava no interior de Lajeado, 100% sobre a realidade da vida dela. E aconteceu um episódio em que a mãe dela teve contato com o diário, ficou de certa forma horrorizada com o que leu ali e o jogou no fogo."
Ela conseguiu salvar algumas páginas e contou essa história ao escritor: "Fiquei muito interessado em ler, e ela permitiu que eu lesse essas páginas esparsas do diário. Meu primeiro ímpeto foi transcrever essas páginas para Word, para que não fossem perdidas novamente. Quando transcrevi essas palavras, não rendeu muito, umas quatro ou cinco páginas aproximadamente, mas senti muita potência narrativa, as personagens e acontecimento eram muito interessantes".
Então, Caneppele perguntou a ela se poderia transformar aquelas páginas em uma narrativa ficcional sua. "No livro, o que fiz foi transformar o gênero de narradora feminina para o masculino, mantive todos os personagens com os quais ela se relacionava e sobre os quais escrevia no diário, e também os lugares que ela transitava. Meu exercício literário foi costurar esses acontecimentos que ela atravessava e transformar isso em livro, meu primeiro publicado. Quando surgiu a possibilidade de transformar Música para quando as luzes se apagam em filme, eu quis fugir da ficção, queria que fosse documentário", ressalta.
Para fazer o longa, conforme ele, a ideia foi retornar aos lugares onde esse diário acontecia e procurar descobrir quem eram os adolescentes que estavam vivendo nessas paisagens no momento da filmagem (2015/2016). "Basicamente 10 anos após ela ter escrito esse diário, volto para os lugares por onde ela passou buscando os adolescentes que estariam vivendo ali naquele tempo. Por isso, para mim, por mais que tenha algumas cenas que aparentemente sejam ficcionais, posso dizer que tudo ali surgiu de um experimento documental, do encontro com essas pessoas e suas situações reais."
No longa, a autora, interpretada por Julia Lemmertz, chega em uma pequena vila no Sul do Brasil, com a intenção de transformar a vida de Emelyn (Emelyn Fisher) em uma narrativa ficcional. Quanto mais a autora provoca Emelyn com suas câmeras, mais a garota se torna Bernardo, um adolescente dividido entre viver o seu desejo e continuar desejando.
"Apesar do filme ser regional, obviamente, acontecia numa cidade muito pequena, na região vivida pela Emelyn e outros personagens, nossa busca foi que ele tivesse um ponto de encontro com o universo, que mergulhasse nas questões humanas e que elas fossem reconhecidas pelos mais diversos públicos e por pessoas que habitassem as mais diferentes partes do mundo. É sempre uma grande preocupação tornar o filme acessível, para que as pessoas se identifiquem e se sintam tocadas por aquelas vidas. Essa necessidade de se tornar universal é uma busca difícil, acaba implicando em muitas escolhas e muitas renúncias no processo de contar a história. Às vezes, situações muito sedutoras e interessantes acabam ficando de fora, justamente por serem de um entendimento que traz um recorte muito regional", explica o diretor.
O documentário é a estreia de Ismael Caneppele na direção de longa-metragem, pelo qual recebeu o prêmio do júri no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o Prêmio de Filme Mais Inovador do Festival Visions du reel, na Suíça, e o Prêmio Mubi de Melhor Doc Art no Festival de Sheffield, Reino Unido.
Como roteirista, ele é responsável pelos filmes Verlust e Os famosos e os duendes da morte, ambos originados a partir de seus livros de mesmo nome, dirigidos por Esmir Filho. Essa parceria é agraciada com o prêmio de melhor filme nos Festivais do Rio e de Havana e teve passagem pelas seleções oficiais dos Festivais de Berlim e Locarno, além de ter recebido o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras. O escritor gaúcho é autor ainda dos livros A vida louca da MPB, Só a exaustão traz a verdade e Música para quando as luzes se apagam.
Como ator, é um dos protagonistas da série Desalma, com primeira temporada disponível no Globoplay (e está gravando a continuação atualmente, "trabalho do momento que me enche de alegria"), do filme Domingo, de Felippe Barbosa e Clara Linhart, pelo qual foi indicado ao Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival do Rio, além de atuar na novela A dona do pedaço, na Globo. 
Ele também se prepara para dirigir seu primeiro longa-metragem de ficção, Questão de pele, uma produção Casa de Cinema de Porto Alegre, falando sobre o encontro de imigrantes alemães com imigrantes senegaleses no Rio Grande do Sul. "O roteiro está bem desenvolvido, em breve devemos entrar em fase de captação. A produção é da Nora Goulart, uma das pessoas mais importantes do cinema brasileiro."
Comentários CORRIGIR TEXTO
Conteúdo Publicitário