Porto Alegre, terça-feira, 04 de maio de 2021.
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literatura

- Publicada em 19h53min, 03/05/2021.

Itamar Vieira Junior participa de debate sobre literatura brasileira contemporânea

Autor do elogiado 'Torto arado' é um dos convidados de evento online da TAG Experiências Literárias

Autor do elogiado 'Torto arado' é um dos convidados de evento online da TAG Experiências Literárias


ITAMAR VIEIRA JR./ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Roberta Requia e Caroline Zatt da Silva
O ciclo de encontros literários online Palavras em brasa: a literatura brasileira ontem, hoje e amanhã ocorre neste mês, promovido pela TAG - Experiências Literárias, maior clube de livros do País, com 70 mil assinantes em todo Brasil. Com tradução em Libras, o evento gratuito será transmitido pelo canal de YouTube da TAG, à noite, com a primeira apresentação nesta terça-feira (4). 
O ciclo de encontros literários online Palavras em brasa: a literatura brasileira ontem, hoje e amanhã ocorre neste mês, promovido pela TAG - Experiências Literárias, maior clube de livros do País, com 70 mil assinantes em todo Brasil. Com tradução em Libras, o evento gratuito será transmitido pelo canal de YouTube da TAG, à noite, com a primeira apresentação nesta terça-feira (4). 
A programação começa às 19h30min de hoje, com uma intervenção artística da slammer Mel Duarte, seguida, das 20h às 21h, por uma conversa virtual que traz o tema Por onde anda a literatura contemporânea brasileira. O papo será mediado pelo escritor e professor Luiz Maurício Azevedo, doutor em Teoria e História Literária (Unicamp), e traz como convidados os autores Itamar Vieira Junior, de Torto arado; a poeta Mel Duarte e a jornalista Socorro Acioli, mestre e doutora em Estudos de Literatura e autora de A cabeça do santo (2014), livro desenvolvido na oficina de escrita de Gabriel García Márquez.
Na próxima semana, também na terça-feira (11), das 20h às 21h, a agenda do ciclo traz à discussão a escrita criativa no Brasil. A editora da TAG Fernanda Grabauska entrevista o escritor Luiz Antonio de Assis Brasil, autor de 21 romances e ministrante da mais antiga oficina de criação literária do Brasil.
Para encerrar a programação, no quinta-feira (13), também às 20h, Pedro Pacífico, idealizador do Book.ster, um dos maiores perfis brasileiros do Instagram dedicado à área, comanda uma conversa sobre os clássicos que formam a literatura nacional. O debate tem participação de Jeferson Tenório (de O avesso da pele, ex-patrono da Feira do Livro de Porto Alegre) e de Amara Moira (autora do livro autobiográfico E se eu fosse puta e doutora em Teoria e Crítica Literária pela Unicamp - com tese sobre Ulysses, de James Joyce).
Inscrições e informações em clube.taglivros.com/palavras-em-brasa. Em maio, a TAG celebra a literatura nacional, também enviando para os seus assinantes títulos escritos por autores brasileiros nos kits Curadoria e Inéditos

"Não posso permanecer na sombra de minha criação"

Acompanhe a seguir uma entrevista com Itamar Vieira Junior sobre o grande sucesso de Torto arado (Prêmio Leya, 2018), em vendas e crítica - também vencedor dos prêmios Oceanos e Jabuti (Romance).
Jornal do Comércio - Como tem sido lidar com toda a repercussão do seu livro? Quando inscreveu a obra no Prêmio Leya, tinha alguma pretensão com a publicação?
Itamar Vieira Junior - Tudo tem corrido de maneira inesperada e absolutamente nova. Não imaginava esse encontro do livro com os leitores. Inscrevi o livro no Prêmio LeYa por absoluta certeza de que as editoras tradicionais não iriam querer publicar um romance sobre o Brasil rural, que traz a centralidade das vidas negras para a formação de nossa história. Não acreditava sequer que o romance pudesse vencer o prêmio, mas fui convencido do contrário e tudo mudou.
JC - Você ainda atua como servidor público ou planeja se dedicar exclusivamente à literatura?
Vieira Jr. - Continuo atuando como servidor público, não fiz da literatura uma profissão. A única diferença é que a pandemia me permitiu conciliar atividades profissionais com eventos literários virtuais, quase sempre à noite. Dedicar-me exclusivamente à literatura nunca foi um projeto pessoal e, por enquanto, não faz parte de meus planos.
JC - Você se enxerga dentro dessa nova leva de escritores - muitas vezes jovens, mulheres, afro-brasileiros ou indígenas - brasileiros?
Vieira Jr. - Sem dúvida, identifico-me com os autores contemporâneos brasileiros, principalmente com aqueles que falam a partir dos mais diversos lugares do País. São eles que têm imprimido em seus escritos a diversidade que nos compõe enquanto sociedade.
JC - De onde surgiu a vontade de escrever um livro que falasse sobre a relação de duas irmãs, no interior do Nordeste brasileiro?
Vieira Jr. - Surgiu inicialmente da influência dos romances da geração de 1930 e 1945, parte do nosso cânone literário brasileiro e que li com muito interesse ainda na adolescência. Depois ganhou densidade com meus estudos acadêmicos e com minha atividade de servidor público, ao encontrar um campo ainda muito vivo e pulsante.
JC - Seu próximo livro, Doramar ou a Odisseia, reúne contos já publicados e outros inéditos. O que dá liga e entrelaça essas histórias?
Vieira Jr. - São histórias que partem dos limites que encontramos em nossas existências, sejam as desigualdades de um mundo hostil, ou ainda a privação de liberdade e a solidão a que inevitavelmente estamos destinados como humanos.
JC - Depois do sucesso de Torto arado, você se sente pressionado ou com grandes expectativas para a repercussão de Doramar ou a Odisseia?
Vieira Jr. - Não me sinto pressionado em nenhuma medida. Cada livro é um livro novo, escrito com a dúvida, o anseio e a insegurança de um iniciante. Prefiro escrever assim, como se ninguém me conhecesse ou tivesse lido nada meu. Não posso permanecer na sombra de minha criação.
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