Porto Alegre, terça-feira, 30 de março de 2021.
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- Publicada em 21h41min, 29/03/2021. Atualizada em 11h36min, 30/03/2021.

Projeto 'Sementes da Retomada' lança EP com musicalidade indígena

Alexandre Werá Xunun e Romário Werá Xunun, do coral Araí Ovy, se unem à banda La Dign Rabia

Alexandre Werá Xunun e Romário Werá Xunun, do coral Araí Ovy, se unem à banda La Dign Rabia


MARCELO CURIA/DIVULGAÇÃO/JC
Roberta Requia
Um projeto baseado na troca de vivências e que ainda ressalta a independência e a importância dos costumes guaranis nos tempos atuais. O projeto Sementes da Retomada, contemplado pela Lei Aldir Blanc, concretiza a parceria entre a Retomada Mbya-Guarani Tekoa Kaaguy Pora (mata sagrada), de Maquiné (RS) e a banda Conjunto Musical La Digna Rabia. Dessa união, nascerão um EP gravado entre a banda juntamente com os artistas do coral Araí Ovy, formado por crianças da comunidade. Também contribui na empreitada a produtora Terramar Filmes, que produzirá um documentário que busca apresentar ao público, e principalmente para a população não indígena, os diferentes aspectos do Ñande Rekó, o modo de vida guarani.
Um projeto baseado na troca de vivências e que ainda ressalta a independência e a importância dos costumes guaranis nos tempos atuais. O projeto Sementes da Retomada, contemplado pela Lei Aldir Blanc, concretiza a parceria entre a Retomada Mbya-Guarani Tekoa Kaaguy Pora (mata sagrada), de Maquiné (RS) e a banda Conjunto Musical La Digna Rabia. Dessa união, nascerão um EP gravado entre a banda juntamente com os artistas do coral Araí Ovy, formado por crianças da comunidade. Também contribui na empreitada a produtora Terramar Filmes, que produzirá um documentário que busca apresentar ao público, e principalmente para a população não indígena, os diferentes aspectos do Ñande Rekó, o modo de vida guarani.
O projeto era uma ideia que já tinha corpo e mente através da parceria entre a La Digna Rabia e o coral Araí Ovy, coordenado pelo músico Romário Werá Xunun. Desde 2017, quando conheceram a Retomada, os músicos do conjunto participavam das atividades abertas à comunidade, e assim foram estreitando laços com os músicos e artistas do local. "A La Digna Rabia é uma banda que historicamente procura a parceria com movimento sociais, além de colocar o seu trabalho a disposição das causas que ela acredita", conta Marcelo Argenta, fundador e vocalista do grupo. Desde então, os músicos estão presentes em festas e atividades abertas da Retomada.
O EP apresentará seis faixas, todas de autoria do coral e músicos guaranis, sendo cinco delas cantadas e uma instrumental, e contará com a produção musical de Arthur de Faria e a co-produção de Lucas Kinoshita. O coral Araí Ovy existe há três anos, mesmo tempo de existência/resistência da retomada Mbya-Guarani Tekoa Kaaguy Pora, e é composto por: Alexandre Werá Xunun, Cleiton Karaí, Fabiana Jaxuka Mirim, Gabriel Karaí Mirim, Iedisson Kuray Mirim, Jonata Werá Mirim, Josiel Kuaray Papá, Larissa Pará Ixapy, Madisson Kuaray Mirim, Maílson Karaí Tataendy, Volmir Werá Mimbi, Andreia Jaxuka Poty, Eliana Jaxuka, além do coordenador Romário.
Para Marcelo, o principal benefício da contemplação com os recursos da lei Aldir Blanc é que o próprio coral tenha a oportunidade de ganhar reconhecimento e remuneração como um projeto artístico. "O artista que faz um trabalho voluntário em determinada situação, ele tem outras fontes de renda que permita o voluntariado em algum momento. Mas o coral não é remunerado e reconhecido como artista, ele é conhecido como folclore, algo interessante e exótico. Esse projeto joga isso para outro patamar, o coral está sendo reconhecido como artista de um trabalho musical", opina o vocalista.
Ele conta que a troca de musicalidades entre o grupo e o coral é, ao mesmo tempo, o maior desafio e a maior recompensa do projeto. Construir uma linguagem que preserve a identidade de todos os envolvidos é um dos pilares da parceria. "Estamos pegando algo que é concebido dentro de uma matriz cultural e, ao colocar em diálogo com uma banda que vem de outra referência, outra linguagem, há um mecanismo de adaptação. A gente sempre pergunta para o Romário 'Tu te percebe aqui? Tu percebe a tua música como compositor, compositor e criador, tu vê o coral aqui?' Para que todos nós nos vejamos nisso que está sendo construído", explica. Além da disponibilização gratuita e online do EP, também estão previstas de mil cópias em edição física que serão doadas integralmente à comunidade para sua comercialização.
O andamento das gravações em áudio e vídeo dependem agora de uma estabilização da situação da pandemia no Rio Grande do Sul. As ações presenciais que vinham acontecendo com cuidados protocolares foram completamente paralisadas logo após o carnaval. As gravações do EP, que também seriam gravadas em conjunto entre banda e coral, agora serão gravadas separadamente.
Marcelo Curia e Anderson Astor, idealizadores do documentário, contam que apenas 20% do conteúdo audiovisual foi captado. Eles explicam que o principal foco da produção, além de registrar o processo de construção do EP, é dar luz à troca de experiências entre culturas que envolve o projeto. "A música guarani está profundamente ligada ao seu modo de vida. Por se tratar de uma maneira de encarar o mundo bastante distinta da nossa, não indígenas, essa oportunidade de aprofundar a percepção de tudo que cerca a música do coral irá complementar a narrativa. Pretendemos, assim, não apenas documentar o processo e o modo de vida, mas dar suporte para que se possa entender melhor essa cultura musical que está intimamente ligada a luta indígena pelas terras ancestrais e também ao ñandé rekó, o modo de vida guarani", finaliza. Mais informações sobre o projeto, a Retomada, o EP e o documentário, estão disponíveis no site https://sementesdaretomada.com.br.
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