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Música

- Publicada em 19h35min, 01/03/2021.

Vagner Cunha, Paulinho Fagundes e Bebê Kramer lançam álbum instrumental

'YbY Vol. 1', voltado à música do Pampa, entra nas plataformas digitais nesta quarta-feira (3)

'YbY Vol. 1', voltado à música do Pampa, entra nas plataformas digitais nesta quarta-feira (3)


ISADORA AQUINI/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
A palavra escolhida pelos músicos Vagner Cunha, Paulinho Fagundes e Bebê Kramer para batizar o disco que fizeram juntos evoca diferentes tipos de ancestralidade. YbY, em tupi-guarani, significa 'terra' - e é a busca por essa trilha em direção às origens, ao solo do qual surgimos e que nos mantém vivos, que o trio propõe no primeiro volume de seu projeto conjunto, que chega na quarta-feira (3) às plataformas digitais. Os fãs já podem fazer o pré-save do disco.
A palavra escolhida pelos músicos Vagner Cunha, Paulinho Fagundes e Bebê Kramer para batizar o disco que fizeram juntos evoca diferentes tipos de ancestralidade. YbY, em tupi-guarani, significa 'terra' - e é a busca por essa trilha em direção às origens, ao solo do qual surgimos e que nos mantém vivos, que o trio propõe no primeiro volume de seu projeto conjunto, que chega na quarta-feira (3) às plataformas digitais. Os fãs já podem fazer o pré-save do disco.
Ao mesmo tempo, a exploração de sonoridades ligadas ao Pampa gaúcho também significa, para os músicos envolvidos, um olhar para a própria trajetória, eliminando vaidades individuais e vivendo seu momento no fluxo da música que foi, é e seguirá sendo. O lançamento será marcado por um bate-papo, unindo os três artistas com mediação de Ernesto Fagundes - que, aliás, participa do álbum tocando o bombo leguero nas músicas Laçador e De mano. A conversa começa às 19h desta quarta-feira (3), e poderá ser acessada gratuitamente no canal da Bell'Anima Produções na plataforma YouTube.
As sete faixas foram registradas em uma só tarde, em um clima bastante informal. A própria participação de Ernesto Fagundes foi resolvida em cima da hora, quando os demais músicos já estavam em estúdio para gravar. O resultado é um disco que (em especial em faixas como Cigano e a homenagem a Astor Piazzolla em Oblivion) soa não apenas ao vivo mas, acima de tudo, vivo.
A proximidade entre os músicos não é de hoje. Vagner, que assume o violino nas gravações, promoveu uma série de lives com a Bell'Anima, produtora musical da qual é um dos sócios. Colega de outros tantos caminhos, o acordeonista Bebê tornou-se parceiro de Vagner para uma dessas sessões - e o repertório que trabalharam expandiu-se de tal forma que somar o violão de Paulinho foi um desdobramento quase natural.
Do total de 22 músicas trabalhadas pelo trio para a live, foram escolhidas as canções que estão no disco - registrado sem maiores pretensões, em uma única sessão que ninguém sabia direito no que ia dar. "Acho que a gente se preparou muitos anos para fazer a coisa dessa forma", diz Vagner Cunha ao Jornal do Comércio. "Não aconteceu em uma tarde, sabe? Tem décadas de trabalho atrás desse fonograma. E acho que a gente se encontrou no momento certo, todo mundo com uma certa maturidade e com um relação de respeito com o que o outro está trazendo que é uma das magias da coisa toda. Foi tudo em uma tarde, mas essa tarde foi uma materialização para tantas outras coisas", reflete.
Paulinho Fagundes concorda. "A gente conseguiu se sincronizar para viver aqueles momentos com uma intensidade única, quase como se fosse a última vez. É como aquelas filmagens de parto, que a pessoa leva uma câmera. Não existe outra chance de registrar aquilo. Eu vejo o YbY quase como se a gente tivesse meio que parido ele, mesmo", compara. "Quem ouve percebe que a gente está se esforçando até o último instante para dar aquela nota, talvez até um pouco pelo espírito de maestro do Vagner. A gente confiou nele quase como se, dentro do espírito de um trio popular, houvesse uma batuta regendo o entrar e o sair das situações."
A presença dos músicos é, de fato, um dos principais encantos de YbY Vol. 1. A gravação e a mixagem, comandadas por Leo Bracht no Transcendental Audio de Porto Alegre, preservaram até mesmo as pausas para respirar e o tomar fôlego antes de determinadas notas - o que ganha ares quase de testemunho, dentro de um disco no qual o lado humano e coletivo se mostra tão importante.
Ainda assim, e mesmo que eles sejam nomes fortes na música regional e no domínio de seus respectivos instrumentos, não se trata de um trabalho de virtuoses. "Tudo foi extremamente espontâneo, mas sinto que, quando a gente diz 'ah, foi no primeiro take', a gente acaba entrando numa espécie de regozijo para si, e não é isso que acontece ali, para nenhum de nós", frisa Paulinho. "O YbY é resultado de uma coisa que não nos pertence. A gente mexe bastante com esse elemento da ancestralidade, com questões de natureza espiritual, e nós, como indivíduos, não vamos ser proprietários de mérito nenhum sobre essas coisas. Eu nem digo que o YbY chega em um momento de maturidade minha como músico, mas de maturidade como amigo, como ser humano."
Ainda em março, Paulinho Fagundes deve celebrar o lançamento de Capricórnio, álbum gravado com Ernesto Fagundes, e já projeta o lançamento de um outro disco em dupla com Bebê Kramer, sem data definida. Quanto ao horizonte do projeto YbY, há planos para uma live em formato virtual, entre os meses de abril e maio. E o fato de este trabalho trazer 'Vol. 1' em sua capa é indicação óbvia de que a viagem pela ancestralidade de Vagner, Paulinho e Bebê não se encerra tão cedo.
"Já estamos com saudades desse encontro", garante Vagner. "Ainda neste ano a gente fará uma outra imersão. Será um pouco diferente porque já fizemos o primeiro experimento, não tem como saber o que vai sair. Mas a gente não vai ficar em casa, escutando o disco e falando nele", ri o violinista. "As coisas vão se movendo, a vida já está seguindo."
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