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Cinema

- Publicada em 19h09min, 12/10/2020.

Festival POADOC exibe filmes tendo o real como matéria-prima

Documentários como 'Cidades fantasmas', de Tyrell Spencer, integram programação online

Documentários como 'Cidades fantasmas', de Tyrell Spencer, integram programação online


GALO DE BRIGA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
Pela primeira vez, Porto Alegre será sede de um festival dedicado exclusivamente ao cinema documental. Mesmo que, ao menos por enquanto, apenas de forma virtual. De quarta-feira (14) até domingo (18), 12 produções, realizadas entre 2000 e 2020, serão exibidas online na primeira edição do POADOC - Festival de Documentários de Porto Alegre. A programação poderá ser acessada gratuitamente pelo site.
Pela primeira vez, Porto Alegre será sede de um festival dedicado exclusivamente ao cinema documental. Mesmo que, ao menos por enquanto, apenas de forma virtual. De quarta-feira (14) até domingo (18), 12 produções, realizadas entre 2000 e 2020, serão exibidas online na primeira edição do POADOC - Festival de Documentários de Porto Alegre. A programação poderá ser acessada gratuitamente pelo site.
Com financiamento pelo edital FAC Digital, da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), o POADOC será dividido em quatro programas, cada um contendo um longa, um curta e uma produção escolar. As atrações, todas feitas no Rio Grande do Sul, estarão disponíveis por 24 horas, a partir das 20h, sempre de forma gratuita. Ao final de cada janela de exibição, serão promovidos debates virtuais, com realizadores ligados a todos os filmes, além de convidados.
"O evento surge de uma percepção de dentro da classe (do audiovisual da Capital), de que era necessário criar um espaço para o documentário em Porto Alegre", explica o cineasta Henrique Lahude. Ele é um dos integrantes do grupo responsável pela organização do POADOC, ao lado de Lívia Pasqual, Natasha Ferla, Juliana Costa, Jonatas Rubert e Thais Fernandes.
Embora a ideia original não fosse na direção de um festival online, o formato acabou se mostrando adequado para as propostas da mostra. "Acho que conseguimos fazer uso desse alcance que a internet permite, com uma programação bem ampla e de uma forma mais barata do que um evento presencial. É uma consequência da pandemia que, de certa forma, pode ser positiva", argumenta Lahude. "Além disso, é um convite para pensar em formas híbridas, dentro dos eventos presenciais que acontecerão no futuro. O online permite um aumento exponencial do alcance e dos debates em torno dos filmes, e acho que ele vai estar sempre presente daqui para frente."
A pluralidade de olhares é um dos alicerces desta primeira edição. Temas como a luta por moradia, questões de gênero e raça, memória e os impactos sociais e humanos da pandemia de Covid-19 integram a mostra, em programas que aproximam cineastas experientes e realizadores que dão os primeiros passos. "Sempre levantamos a bandeira de trabalhar o ensino de audiovisual em escolas públicas, e não poderíamos deixar de trazer para dentro do festival. Colocamos (as produções escolares) junto com os curtas e os longas para gerar um debate horizontal. O documentário trabalha com a matéria-prima do real, então não existe isso de elencar o que tem maior ou menor importância, todos estão inseridos em uma mesma discussão sobre cinema e sociedade", acentua Lahude.
Iniciativas como o POADOC ganham importância em um cenário no qual a produção audiovisual brasileira enfrenta dificuldades. Em um País que se destaca internacionalmente pela sua produção documental, a ampliação das possibilidades de exibição (popularização das plataformas de streaming) pode ser neutralizada pela falta de fomento. "Com o desmonte da Ancine e a inoperância em torno do Fundo Setorial do Audiovisual, a situação pode se inverter", teme o cineasta. "Se antes o gargalo mais grave era na questão de acesso pelo público, o risco agora é uma estagnação na produção." Enfrentar isso, segundo Lahude, tem passado pela busca de financiamento internacional, uma vez que as políticas públicas nacionais estão paralisadas.
Uma situação difícil para uma cadeia de produção que gera centenas de milhares de empregos - mas um desafio que os profissionais estão dispostos a encarar, com a ajuda do público: "Essa nova janela das plataformas serve para mostrar que há audiência. Empresas como a Netflix têm um modelo de negócio que visa ao lucro, e não estariam incluindo tantas produções do gênero documental se não houvesse uma resposta positiva do público, o sucesso de filmes como Democracia em vertigem, de Petra Costa, indicado ao Oscar de melhor documentário, mostra que as pessoas têm interesse no documentário".

PROGRAMAÇÃO


LIVIA PASQUAL/DIVULGAÇÃO/JC
14 a 15 de outubro
- Mokoi tekoá petei jeguatá - duas aldeias, uma caminhada (2008), de Germano Benites, Ariel Duarte Ortega e Jorge Ramos Morinico
- Antes de lembrar (2018), de Vinícius Lopes e Luciana Mazeto
- Massacre dos Porongos (2017) - EMEF Timbaúva (Porto Alegre/RS)
15 a 16 de outubro
- Morro do Céu (2009), de Gustavo Spolidoro
- A invenção da infância (2000), de Liliana Sulzbach
- Contigo ninguém acaba (2018) - EMEF Professor João Carlos Von Hohendorff (São Leopoldo/RS)
16 a 17 de outubro
- Cidades fantasmas (2017), de Tyrell Spencer
- O céu da pandemia (2020), de Marina Kerber
- Dona Bugra, a periferia grita, Projeto Cidade Cinematográfica (Três Passos/RS)
17 a 18 de outubro
- O caso do homem errado (2017), de Camila de Moraes
- Construção (2020), de Leonardo da Rosa
- Respeito às diferenças (2017) - EMEF Rio Grande do Sul (Guaíba/RS)
 
Títulos disponíveis por 24 horas, das 20h às 20h do dia seguinte
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