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Música

- Publicada em 16h29min, 30/09/2020.

Felipe Karam projeta lançamento virtual de três novas faixas em outubro

Improvisando caminhos em meio à pandemia, Felipe Karam vai gravando e lançando as faixas de seu novo disco

Improvisando caminhos em meio à pandemia, Felipe Karam vai gravando e lançando as faixas de seu novo disco


GABRIEL SOUZA/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
Não existe um bom momento para a chegada de uma pandemia, é claro. Mas, para alguns artistas - como o violinista gaúcho Felipe Karam, por exemplo - a bagunça criada pelo novo coronavírus parece quase ter escolhido a pior hora possível. Dando os primeiros passos com a pré-produção de um novo disco, e com o primeiro filho nascido há poucos vezes, o instrumentista e compositor tinha todos os motivos para estar empolgado com o futuro, e precisou se adaptar rapidamente a uma realidade totalmente fora do esperado.
Não existe um bom momento para a chegada de uma pandemia, é claro. Mas, para alguns artistas - como o violinista gaúcho Felipe Karam, por exemplo - a bagunça criada pelo novo coronavírus parece quase ter escolhido a pior hora possível. Dando os primeiros passos com a pré-produção de um novo disco, e com o primeiro filho nascido há poucos vezes, o instrumentista e compositor tinha todos os motivos para estar empolgado com o futuro, e precisou se adaptar rapidamente a uma realidade totalmente fora do esperado.
Mas o artista é, antes de tudo, um perseverante - e Felipe Karam fez da criatividade e da improvisação, tão importantes para sua música, as diretrizes para tocar os projetos de gravação e de vida para a frente. A previsão é que, ainda em outubro, ocorra o lançamento virtual de três faixas (Samba pro Will, Meu pequeno e Baiãozito pra Juli), as primeiras do novo álbum do violinista. Ligando as três, a celebração do nascimento de William, em outubro do ano passado, no mês em que ele completa seu primeiro ano de vida.
"Acabamos (ele e sua esposa, Juliette) vivenciando essa descoberta de como lidar com uma criança pequena, tendo que ficar o dia inteiro em casa. São as últimas músicas que escrevi (para o disco), e elas acabam falando mais a mim, ao meu momento", diz Karam ao Jornal do Comércio, ao explicar o critério que levou à escolha dessas canções para abrir o caminho do novo trabalho.
Ao mesmo tempo em que precisava atender as necessidades de alguém que chegou há pouco ao mundo, o músico precisa descobrir como conduzir suas músicas mais recentes pelo mesmo caminho. Antes da pandemia, apenas algumas guias de violão haviam sido gravadas, e foi a partir delas que Karam e os demais músicos (Max Garcia no violão, Dani Vargas na bateria e o baixista uruguaio Miguel Tejera) tiveram que se virar. Ao contrário da lógica usual da música instrumental, em que os temas são amplamente testados em ensaios e shows antes de a banda entrar em estúdio, o quarteto acabou pré-produzindo tudo em casa, trocando ideias e arranjos de forma virtual.
Na hora das gravações, realizadas no Tec Audio de Porto Alegre com produção musical de Antonio Flores, os músicos foram para o estúdio em duplas. Karam e Garcia em um time, Tejera e Vargas no outro - uma divisão cujos frutos agradaram muito o autor das três canções. "As pessoas podem estranhar isso de gravar sem que tenhamos ensaiado todos juntos. Mas as músicas já tinham sido trabalhadas passo a passo e, como as dúvidas que tínhamos eram mais ou menos um com o outro (da dupla) mesmo, foi quase como se estivéssemos resolvendo as coisas do modo 'normal'. Foi um desafio, mas o resultado final me agradou muito", anima-se.
Bacharel em Violino pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e mestre em performance musical pela City University de Londres, na Inglaterra, Karam tem desenvolvido uma trilha artística na fronteira entre a improvisação jazzística e a musicalidade tipicamente brasileira. O que, é claro, não exclui outros ingredientes, em um caldo musical com aroma e sabor de world music. Seu álbum anterior, De sol a sol (2018), já tinha trazido essa receita - que, na opinião do músico, surgirá amadurecida no novo trabalho, que deve ganhar título e lançamento completo no primeiro semestre de 2021.
"O disco anterior sintetizou anos de pesquisa na área do violino popular, algo super novo no universo da música no Brasil. Acho que as novas músicas já conseguem passar um pensamento harmônico e de estrutura que ainda estavam sendo desenvolvidos em momentos anteriores", pondera. "Optei por lançar agora, nesse modelo (em partes), para não perder a coisa do momento do artista e também para, de certa forma, aumentar o período de divulgação do lançamento. Fazendo assim, conseguimos usar o próprio processo de gravação e finalização de forma mais efetiva."
As gravações, como dito, seguem em andamento, e mais três pacotes ("cada um na sua embalagem", explica) devem sair, se possível, até o final do ano. Haverá também um single extra, a partir de uma gravação feita por Karam enquanto vivia em Londres, com o violonista Peter Michaels. Uma jornada por etapas, como o momento permite - e um trajeto que, quando talvez pareça encerrado, estará apenas começando.
"Geralmente, os temas são trabalhados no ensaios, testados durante os shows e, só depois disso, vamos para a gravação. No nosso caso, vai ser o contrário. E isso é muito legal, porque, uma vez que esse trabalho vá para a rua, ele vai continuar vivo e se transformando", comemora Karam, já antecipando as perspectivas de um futuro que, mesmo por caminhos inesperados, sempre acaba chegando.
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