Porto Alegre, quinta-feira, 24 de setembro de 2020.

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- Publicada em 22h18min, 23/09/2020.

Última matéria da série dos 30 anos da CCMQ celebra futuro do espaço

Espaços emblemáticos da CCMQ, como o Jardim Lutzenberger, ainda não têm data para reabertura

Espaços emblemáticos da CCMQ, como o Jardim Lutzenberger, ainda não têm data para reabertura


LUIZA PRADO/JC
Igor Natusch
Os corredores, acostumados a todos os sons artísticos que se possa imaginar, estão em silêncio. Mas isso não quer dizer que o 30º aniversário da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), que será celebrado nesta sexta-feira (25), passará sem registro. Enquanto não é possível ir presencialmente ao espaço, fechado desde março em decorrência do novo coronavírus, as pessoas que amam a arte e a CCMQ podem se engajar em uma movimentada programação virtual.
Os corredores, acostumados a todos os sons artísticos que se possa imaginar, estão em silêncio. Mas isso não quer dizer que o 30º aniversário da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), que será celebrado nesta sexta-feira (25), passará sem registro. Enquanto não é possível ir presencialmente ao espaço, fechado desde março em decorrência do novo coronavírus, as pessoas que amam a arte e a CCMQ podem se engajar em uma movimentada programação virtual.
Para esta quinta-feira (24), às 20h, está previsto o lançamento de um documentário, assinado por Mirela Kruel e com roteiro de Théo Tajes. O filme, de cerca de 15 minutos de duração, traz uma série de depoimentos de figuras importantes para a concretização do projeto da CCMQ, além de personalidades do meio artístico e da produção cultural. O material ficará disponível no canal da CCMQ no YouTube.
Na sexta-feira (25), também às 20h, o projeto Casa Virtual trará uma live com a cantora Adriana Calcanhotto. A atração poderá ser vista no perfil @ccmarioquintana no Instagram. Essas iniciativas se unem à instalação, na entrada do Teatro Bruno Kiefer, da obra Auditório, de Regina Silveira, que substitui painel perdido involuntariamente em 2016 durante uma reforma.
"A CCMQ é a instituição cultural do Estado mais plural e colorida entre todas", diz a titular da Secretaria de Estado da Cultura, Beatriz Araujo. "É um centro irradiador de tendências artísticas e que abriga a nossa diversidade."

Fechada na pandemia, Casa passa por adequação contra incêndios

Obras, com custo de R$ 1 milhão, são fundamentais para reabertura
Obras, com custo de R$ 1 milhão, são fundamentais para reabertura
LUIZA PRADO/JC

De portas fechadas enquanto durar a pandemia, a CCMQ resolveu aproveitar a situação para colocar ordem na casa. No momento, estão sendo feita a adequação ao Plano de Prevenção e Combate a Incêndios (PPCI), fundamental para uma futura reabertura. A obra, com custo de R$ 1 milhão via Banrisul, inclui tubulação elétrica, alarmes de incêndio, troca de extintores e fiação. As próxima etapas são a impermeabilização das lajes, que já teve valor de R$ 400 mil aprovado pela Lei Rouanet e aguarda captação, e a manutenção dos elevadores.

Segundo o diretor da CCMQ, Diego Groisman, serão tomadas algumas medidas simples para deixar a Casa mais amigável, como a instalação de uma rede wi-fi para visitantes. De qualquer modo, ele garante que a situação do edifício é boa, não havendo necessidade de intervenções mais profundas. "As pessoas em geral preservam bem (a CCMQ). Não se vê pichação, há pouco dano às instalações sanitárias. Há alguns casos de depredação, mas, em geral, as pessoas respeitam e demonstram carinho pela Casa."

A ausência de público pode ter sido relativamente útil para as reformas, mas caiu pesada sobre os estabelecimentos comerciais na CCMQ. Após uma década de funcionamento, a Arteloja entregou o ponto no térreo do centro cultural e passará a funcionar apenas em caráter virtual. Segundo a proprietária da Arteloja, Luciana Pinto, espaços como a Bomboniere e a Livraria Kaçula, ambos na Travessa dos Cataventos, também estão na iminência de deixar o local.

Espaços ao ar livre são estratégia para reabertura gradual do centro de cultura

Cinema e teatros devem ser últimos a ter eventos
Salas de cinema e teatro devem ser as últimas a ter atividades presenciais
LUIZA PRADO/JC
Apesar da ansiedade coletiva pela retomada, Diego Groisman admite que não há data prevista para reabrir a CCMQ. "É algo que envolve muitas questões. O que posso garantir é que vamos abrir a Casa de forma gradual, com toda a segurança", acentua. Entre as decisões já tomadas, está a limitação a 25% de público e funcionários, além de álcool em gel em todos os cantos dos dois prédios.
O plano, em um primeiro momento, será fazer uso estratégico dos espaços abertos, como a Travessa dos Cataventos e o Jardim Lutzenberger, no quinto andar da ala oeste. Visitas guiadas a espaços como o Acervo Elis Regina, em grupos reduzidos, também devem ser permitidas. Isso inclui o apartamento 217, que abrigou Mario Quintana durante mais de década - uma forma de atender parcialmente as críticas de pessoas próximas ao poeta, que lamentam a ausência de um memorial e de uma lojinha com itens ligados ao autor.
Outros espaços, como os cinemas e teatros, vão ficar fechados por mais tempo, mantendo a programação virtual. Para novembro, está previsto o festival Cinema Negro em Ação, que valorizará o trabalho de cineastas e roteiristas negras e negros e terá exibição na TVE-RS.
"Temos uma certeza: as pessoas querem muito voltar a conviver e respirar arte e cultura", afirma Liana Beatriz Ferreira Zogbi, presidente da Associação dos Amigos da Casa de Cultura Mario Quintana. "Quando houver segurança para reabrir as portas, nossos espaços serão ocupados pelos artistas e pelo público que respira arte para viver", reforça, esperançosa, Beatriz.
 
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