Porto Alegre, quarta-feira, 23 de setembro de 2020.

Jornal do Comércio

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Memória

- Publicada em 22h18min, 20/09/2020. Atualizada em 09h47min, 22/09/2020.

A Casa de todas as artes

Na semana dos 30 anos do espaço, Jornal do Comércio publica série sobre a história da Casa de Cultura Mario Quintana

Na semana dos 30 anos do espaço, Jornal do Comércio publica série sobre a história da Casa de Cultura Mario Quintana


LUIZA PRADO/JC
Igor Natusch
No espaço de três décadas, a Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ) tornou-se fundamental no imaginário coletivo de Porto Alegre. Hoje em dia, é difícil até pensar a cidade sem a CCMQ: qual seria nosso ponto de encontro, para onde nossos pés nos levariam naquelas caminhadas sem rumo pelo Centro Histórico?
No espaço de três décadas, a Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ) tornou-se fundamental no imaginário coletivo de Porto Alegre. Hoje em dia, é difícil até pensar a cidade sem a CCMQ: qual seria nosso ponto de encontro, para onde nossos pés nos levariam naquelas caminhadas sem rumo pelo Centro Histórico?
Aberta ao público no dia 25 de setembro de 1990, a Casa não apenas marcou o reencontro da cidade com sua história, como tornou-se abrigo para artistas de todos os tipos, além de ponto de referência para qualquer um que esteja (mesmo que só de passagem) na Capital. Isso sem contar a homenagem eterna ao poeta que dá nome ao espaço - ele também, em verso e sensibilidade, decisivo para uma Porto Alegre que, mesmo com tantos problemas, segue capaz de sonhar.
Na semana em que a Casa de Cultura Mario Quintana comemora 30 anos, o Jornal do Comércio recorda a história desse lugar tão especial - além de, é claro, projetar olhares para o futuro. Mesmo ainda fechada em decorrência da pandemia do novo coronavírus, a CCMQ trará uma série de atividades comemorativas, como um show virtual de Adriana Calcanhotto, na próxima sexta-feira, e um documentário, que ficará no canal do YouTube da instituição.

No início, tudo era um hotel

Solução arquitetônica ousada, passarelas encantam até hoje os visitantes
Solução arquitetônica ousada, passarelas encantam até hoje os visitantes
LUIZA PRADO/JC
Porto Alegre vivia dias agitados na primeira metade dos anos 1910. Em rápida expansão, a cidade tinha aspirações de se tornar uma metrópole regional - e foi nesse lugar fervilhante de oportunidades que, em 1913, o empresário Horácio de Carvalho obteve, junto à Intendência Municipal, licença para erguer um hotel. O terreno original, embora estreito, tinha localização privilegiada: além de estar no coração comercial do Centro, dava de frente para o Guaíba, então passando pelo aterramento que abriria espaço para uma grande expansão imobiliária.
O projeto ficou nas mãos do arquiteto alemão Theo Wiederspahn, chegado a Porto Alegre cinco anos antes e funcionário do escritório do engenheiro Rudolph Ahrons. O primeiro edifício, hoje a parte oeste do conjunto arquitetônico, foi erguido entre 1916 e 1918. No térreo, funcionava a Companhia Sulford de Veículos; nos quatro andares acima, 150 quartos ofereciam conforto aos que visitavam uma Porto Alegre que não parava de crescer.
Em 1926, o Hotel Majestic começou a tomar a forma atual, a partir das obras na ala leste. Como a então Travessa Araújo Ribeiro (hoje Travessa dos Cataventos) estava no meio do caminho, Wiederspahn tomou uma iniciativa, à época, revolucionária: uniu os dois edifícios por cima, fazendo uso de passarelas suspensas.
"Fico pensando, até hoje, como conseguiram as licenças para essa obra", reflete o arquiteto Flávio Kiefer, responsável, ao lado de Joel Gorski, pela reforma que transformou o Majestic em CCMQ. "A partir de dois terrenos de 10 metros (de largura), ele conseguiu uma fachada de 30 metros, fazendo uso do espaço aéreo. É um projeto muito inteligente", admira-se.
As passarelas deixavam de boca aberta as damas e cavalheiros fazendo footing na Porto Alegre do século passado, e arrancam até hoje um efeito semelhante dos estrangeiros que passam pela Capital. O conjunto, marcado também pelas cúpulas e pelas elegantes soluções referentes à diferença de andares (sete na ala leste, cinco na oeste), é tombado desde 1982 como patrimônio histórico do Estado.
Concluído em 1933, o Majestic viveria seu auge até a década seguinte, sob gerência dos irmãos Masgrau, vindos da Espanha. Com 400 quartos e um salão de refeições capaz de abrigar até 600 pessoas, o hotel se destacava pelo conforto, tendo sido dos primeiros a ter banheiros privativos, além de água corrente e, mais tarde, telefones em todas as peças. Os aposentos especiais para famílias eram tão bonitos e bem cuidados que alguns endinheirados vendiam suas casas, passando a morar nas confortáveis dependências do hotel.
Entre outros, estiveram nos quartos do Majestic nomes como os presidentes Getúlio Vargas e João Goulart, o escritor Erico Verissimo e os cantores Francisco Alves e Vicente Celestino. O hóspede mais notório, porém, só chegaria ao Majestic em 1968, quando o negócio já estava em franca decadência: Mario Quintana, poeta nascido no Alegrete, mas que amou Porto Alegre como poucos.
Na terça-feira (22): a relação de Mario Quintana com o Majestic, e a eternidade do poeta na Casa que leva seu nome
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