Porto Alegre, quarta-feira, 23 de setembro de 2020.

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artes visuais

- Publicada em 20h48min, 16/09/2020. Atualizada em 09h47min, 17/09/2020.

Após realização de leilão, Fundação Iberê reabre para o público com exposições

Obra de Pedro Weingärtner em óleo sobre tela, 'Garibaldi' (1921) recebeu lance de R$ 80 mil

Obra de Pedro Weingärtner em óleo sobre tela, 'Garibaldi' (1921) recebeu lance de R$ 80 mil


OBRA DE PEDRO WEINGARTNER/FUNDAÇÃO IBERÊ/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
Para os espaços culturais de Porto Alegre e do Brasil, os meses de pandemia têm sido, mais do que nunca, um esforço de sobrevivência. Dentro dessa realidade, a Fundação Iberê promoveu, na semana passada, um leilão virtual de obras e joalherias, com obras cedidas por artistas e colecionadores de todo o Brasil. O resultado foi positivo: até o momento, as vendas arrecadaram cerca de R$ 900 mil - um aporte financeiro que vem em ótima hora, já que a Fundação reabre as portas neste fim de semana, com duas exposições.
Para os espaços culturais de Porto Alegre e do Brasil, os meses de pandemia têm sido, mais do que nunca, um esforço de sobrevivência. Dentro dessa realidade, a Fundação Iberê promoveu, na semana passada, um leilão virtual de obras e joalherias, com obras cedidas por artistas e colecionadores de todo o Brasil. O resultado foi positivo: até o momento, as vendas arrecadaram cerca de R$ 900 mil - um aporte financeiro que vem em ótima hora, já que a Fundação reabre as portas neste fim de semana, com duas exposições.
Os lances mais altos foram para obras assinadas por Vik Muniz (a impressão de pigmento sobre papel de algodão Flowers after Van Gogh, que atingiu R$ 178 mil), Pedro Weingärtner (Garibaldi, 1921, óleo sobre tela, R$ 80 mil) e Artur Lescher (sem título, aço inox e linhas pretas, R$ 78 mil). Parte das peças seguem disponíveis - entre elas, uma pintura rara de Iberê Camargo, Sol vermelho, de 1951. É possível consultar as obras no site Santayana Leilões, e a Fundação disponibiliza o telefone (51) 3247-8000 para os interessados.
Um certame bem-sucedido, como afirma sem reservas o diretor-superintendente da Fundação Iberê, Emilio Kalil. "Para a Fundação, esse valor representa mais de 40% do orçamento anual necessário para manter o prédio funcionando", afirma ele. "Anualmente, nosso prédio consome aproximadamente R$ 2 milhões. As pessoas, às vezes, podem achar que é um valor elevado mas, quando nos visitam, elas acabam concluindo que é até pouco para a dimensão e a complexidade do que é esse espaço. Saber que, nesse momento de reabertura, temos recursos para bancar a infraestrutura, terceirizados, colaboradores etc durante vários meses é uma excelente notícia."
Além do muito bem-vindo reforço financeiro, o leilão acaba demonstrando a importância da Fundação Iberê no panorama artístico do Estado e do País - em uma conexão que vai muito além de um simples espaço para exposições artísticas. "Foi uma mobilização muito grande, e tanto dos artistas quanto da comunidade em geral. Um grande peso nessa balança que torna possível a Fundação é a comunidade abraçando esse espaço. Hoje (a conversa ocorreu no dia 11 de setembro) veio uma senhora até nós, e ela acabou comprando 12 obras. Ela nos disse que sente que tem que apoiar e que, comprando as obras, pode ensinar as pessoas da sua convivência a gostar de arte", anima-se Kalil.

Duas mostras inéditas marcam retorno com "todo o cuidado"

O fio de Ariadne traz obras de Iberê Camargo em tapeçaria e cerâmica, pouco conhecidas
O Fio de Ariadne traz obras em tapeçaria e cerâmica, pouco conhecidas na trajetória de Iberê
FABIO DEL RE/VIVA FOTO/DIVULGAÇÃO/JC
Essa proximidade das pessoas com o Iberê, como o prédio é conhecido popularmente, deve ganhar novo fôlego nas próximas semanas. A partir deste fim de semana, o espaço reabre as portas, com duas exposições: Iberê Camargo - O fio de Ariadne e Iberê Camargo - Tudo vem do nosso pátio.
Em meio às restrições ainda vigentes no enfrentamento à Covid-19, a retomada será parcial, com público reduzido e cobrança de entrada - uma decisão que foi recebida com desconforto por alguns frequentadores, mas que a direção diz ser fundamental para controlar o acesso e operacionalizar os cuidados sanitários necessários nesse período.
Os pacotes de acesso, que podem incluir o catálogo das exposições e estacionamento, estão disponíveis no site do Sympla (entre R$ 10,00 e R$ 70,00) A visitação ocorre neste sábado (19) e neste domingo (20), das 14h às 18h (com entrada de no máximo 15 pessoas por grupo, a cada hora). 
O fio de Ariadne traz um aspecto pouco lembrado da intensa produção de Iberê: as obras em cerâmica e tapeçaria. O nome da exposição une essa relação do artista com os fios a um outro aspecto significativo: a ampla rede feminina que, em diferentes dimensões, tornou possível a trajetória artística do criador. A mostra, com curadoria de Denise Mattar e Gustavo Possamai, é complementada por uma cronologia ilustrada, com fotos e depoimentos em vídeo de algumas dessas mulheres.
Por sua vez, Tudo vem do nosso pátio ocupará o grande átrio do prédio, com gravuras de 35 artistas que dialogam com criações de Iberê, realizadas entre 1989 e 1992.
"A experiência de estar em frente a uma obra de arte é, em si, insubstituível", afirma Denise, em conversa com o Jornal do Comércio. "No caso específico das tapeçarias e cerâmica, isso é ainda mais candente. Quando você olha a riqueza e a qualidade dos pontos da tapeçaria, o esforço para trazer para o tecido a sensação da pincelada, ou o modo como Iberê tratava a cerâmica como uma experimentação... Não tem livro, site, galeria online, nada que substitua esse contato", comenta.
Ou seja, se depender da Fundação Iberê, os porto-alegrenses podem recolocar a apreciação da arte na agenda - sempre, é claro, respeitando todos os procedimentos de segurança, que serão exigidos de todo mundo que for ao espaço.
"No dia de reabertura (próximo sábado), serão 187 dias que permanecemos fechados. Eu me dei ao trabalho de contar porque não é possível, é um sufoco do cão não poder abrir as portas por tanto tempo", agita-se o diretor-superintendente Emilio Kalil. "Tivemos que esperar o momento certo, mas temos convicção de que, tomando todo o cuidado com as pessoas, e as pessoas também se cuidando, chegou o momento de retomada."
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