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- Publicada em 11h30min, 12/09/2020. Atualizada em 09h52min, 13/09/2020.

Rita D'Libra trabalha com inclusão pioneira no mês da visibilidade surda brasileira

Artista Drag Queen tem formação em Pedagogia e tradução para Libras

Artista Drag Queen tem formação em Pedagogia e tradução para Libras


GUILHERME DA CRUZ/DIVULGAÇÃO/JC
Além de ser conhecido como Setembro Amarelo (em prevenção ao suicídio), este mês também é considerado o período da visibilidade surda brasileira. O mês de celebração das pessoas com deficiência auditiva é conhecido como Setembro Azul porque nele se comemora o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21/9) e o Dia Nacional do Surdo (26/9). A cor remonta à Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas identificavam todos os deficientes com uma faixa azul no braço.
Além de ser conhecido como Setembro Amarelo (em prevenção ao suicídio), este mês também é considerado o período da visibilidade surda brasileira. O mês de celebração das pessoas com deficiência auditiva é conhecido como Setembro Azul porque nele se comemora o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21/9) e o Dia Nacional do Surdo (26/9). A cor remonta à Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas identificavam todos os deficientes com uma faixa azul no braço.
Rita D’Libra é a primeira Drag Queen a levar inclusão ao público surdo. Com formação em Pedagogia e tradução de Língua Brasileira de Sinais (Libras), a artista na verdade se chama Lenon Tarragô, mas hoje em dia o nome masculino fica apenas na certidão, e assim ela prefere. Rita trabalha fortemente com inclusão, apresentando ao seu público a arte da cultura LGBTQI+.
A Drag Queen coleciona elogios do cantor Mateus Carrilho e das cantoras, Kaya Conky, Cariucha e Danny Bond, com quem já trabalhou, traduzindo as apresentações dos artistas em respectivos shows no Rio Grande do Sul. Ela também foi destaque na edição de 2020 do Bloco Puxa Que É Peruca em Porto Alegre e ganhou projeção nacional na live da cantora e ícone da internet Inês Brasil.
Novos projetos tomam conta da agenda da artista já programada para este mês. Rita segue com programação profissional na capital paulista na primeira quinzena de setembro. Além desses compromissos em São Paulo, ela faz, toda sexta-feira, no Instagram, um cover musical inédito, traduzido para Libras. Majur, Pabllo Vittar, Preta Gil, Duda beat, Manu Gavassi e Glória Groove já tiveram suas canções traduzidas e inclusivas ao público surdo, e muitas delas compartilhadas pelas próprias intérpretes. O vídeo desta sexta-feira (11) teve como tema Amor e sexo, de Rita Lee, e está disponível no seu perfil na rede social.
Pesquisa revela que Brasil tem 10,7 milhões de surdos
Há 500 milhões de surdos no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, são 10,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva. Desse total, 2,3 milhões têm deficiência severa.
A predominância é na faixa de 60 anos de idade ou mais (57%). Vinte por cento dos idosos com deficiência auditiva não conseguem sair sozinhos, só 37% estão no mercado de trabalho e 87% não usam aparelhos auditivos. A surdez atinge 54% de homens e 46% de mulheres. Os dados constam de estudo feito em setembro de 2019 com brasileiros surdos e ouvintes, pelo Instituto Locomotiva e a Semana da Acessibilidade Surda.
Ainda segundo a pesquisa, 9% das pessoas com deficiência auditiva nasceram com essa condição. Os outros 91% a adquiriram ao longo da vida, sendo que metade teve perda auditiva antes dos 50 anos. E entre os que apresentavam deficiência auditiva severa, 15% já nasceram surdos.
O levantamento revelou ainda que indivíduos com deficiência auditiva severa têm três vezes mais risco de sofrer discriminação em serviços de saúde do que pessoas ouvintes. Além disso, 40% disseram não se sentir à vontade para falar sobre quase tudo com os amigos; e 14% sentem o mesmo em relação à família.
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