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Música

Notícia da edição impressa de 29/06/2020. Alterada em 29/06 às 14h38min

Gabriela Lery vislumbra novos caminhos e problematiza as lives da quarentena

Após mudança de planos em meio à pandemia, Gabriela prepara disco e novos projetos

Após mudança de planos em meio à pandemia, Gabriela prepara disco e novos projetos


VITORIA PROENÇA/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
"Foi um daqueles momentos em que você vê seus sonhos sendo destruídos, e precisa começar a construir novos. Porque não dá para deixar de sonhar nunca." Ao dizer tal frase, Gabriela Lery não pretende apenas passar uma mensagem de esperança em meio à pandemia. Na verdade, a colocação reflete de forma bastante honesta o modo como a cantora, instrumentista e compositora tem tentado lidar com a súbita mudança de planos causada pela presença da Covid-19 em Porto Alegre. Afinal, mesmo em casa, a criatividade e a música precisam achar espaços para fluir.
"Foi um daqueles momentos em que você vê seus sonhos sendo destruídos, e precisa começar a construir novos. Porque não dá para deixar de sonhar nunca." Ao dizer tal frase, Gabriela Lery não pretende apenas passar uma mensagem de esperança em meio à pandemia. Na verdade, a colocação reflete de forma bastante honesta o modo como a cantora, instrumentista e compositora tem tentado lidar com a súbita mudança de planos causada pela presença da Covid-19 em Porto Alegre. Afinal, mesmo em casa, a criatividade e a música precisam achar espaços para fluir.
O ano de 2020 se desenhava bem para Gabriela. Além do projeto solo e da banda As Aventuras, na qual é baixista, ela vinha com muitas participações em outros projetos (como o da cantora Rita Zart e a banda bel_medula) e a perspectiva de tomar parte em um musical, aprovado no concurso público FAC Teatro hoje: Serafim Bemol. Em fevereiro, fez dois shows em São Paulo, promovendo o EP Coleção (2019), que passeia por estilos como indie e post-rock. Outras apresentações estavam agendadas pelo menos até outubro. Tudo, é claro, ficou em suspenso desde a segunda metade de março, quando o novo coronavírus virou realidade no Brasil. "É engraçado como, até aquela semana, se falava (na pandemia) com uma postura super passiva, de observadores, sendo que era claro que iria chegar em algum momento. Acho que, simplesmente, não soubemos lidar com essa informação", reflete, em retrospecto.
Pois a pandemia chegou. E Gabriela foi forçada a colocar toda a agenda na gaveta. Um movimento que, por outro lado, reabriu uma janela que andava meio fechada para a artista: a da composição. "Eu tinha muita dificuldade em achar um fluxo de composição no meu cotidiano, porque era aula de manhã, aula de tarde, ensaio de noite, shows, eu ficava muito pouco tempo em casa. Aí chegava fim de semana e eu só queria ver um seriado burro e ficar na cama, isso quando não tinha show. E tudo isso me deixava um pouco frustrada", explica. "O isolamento me trouxe isso de volta. Aí começaram os novos sonhos."
O primeiro deles aconteceu entre março e abril. Em seu canal do Instagram, a compositora criou uma série chamada Pequenas canções do isolamento, na qual postou vários vídeos com músicas desenvolvidas durante os dias de distanciamento social. A simplicidade, no caso, era a alma do negócio. "Compunha, gravava, fazia um vídeo e postava. Sem ficar pirando em cima do arranjo ou da letra, tentando não ser perfeccionista, o que, para mim, é uma coisa muito difícil. Foi um exercício também nesse sentido", conta.
Ao recuperar o ritmo mais intenso de composição (intercalado, no caso, com a rotina de aulas on-line), Gabriela Lery ganhou fôlego para se mover na direção de um sonho mais ambicioso: um álbum completo de estúdio. O projeto, que deverá ter o nome Arquipélago, totalizará dez faixas: seis pequenas canções repaginadas, ao lado de duas músicas escritas antes da pandemia e outras duas posteriores à série no Instagram. As gravações, realizadas de forma remota, já estão acontecendo, em parceria com os produtores Carlos Ferreira (Quarto Sensorial) e Valmor Pedretti Jr. (Fu_k The Zeitgeist). Ainda não há data prevista de lançamento.
Muitos sonhos, é claro, funcionam melhor quando sonhados juntos. E um deles é a Corda Solta, produtora cultural formada por mulheres e da qual Gabriela é uma das integrantes. A equipe promoveu uma ação de Dia das Namoradas, voltada para a comunidade LGBT, oferecendo um pacote com show on-line, jantar e bebida - tudo, é claro, prontinho e entregue na casa das clientes. Segundo a artista, a ação chegou a ter mais de 40 perfis ativos na live - um número que atendeu muito bem as expectativas das produtoras. "Conseguimos reverter um cachê bem justo para as artistas, acima do que geralmente pagam os bares, e os comentários foram bastante positivos", empolga-se. Tudo isso, é claro, para manter a chama da arte acesa - e, ao mesmo tempo, garantir os boletos mais ou menos em dia. "Acho que as pessoas estão consumindo mais produção artística, mas não sei até que ponto elas se dão conta de que isso é arte, de que existe uma pessoa por trás que está tendo dificuldades neste momento", reflete. "Essas lives excessivas, por exemplo, são legais até certo ponto, mas também corremos o risco de estar deseducando as pessoas, no sentido de acostumá-las a não pagar pela música que consomem.
As pessoas ouvem uma playlist e não sabem quanto uma artista ganha por um play nas plataformas de streaming. Faz parte da nossa união, enquanto classe artística, começarmos a desmistificar e a sensibilizar nosso público."
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