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Música

Notícia da edição impressa de 24/06/2020. Alterada em 23/06 às 19h43min

Bibiana Petek retoma gostinho de tocar com a banda em live no sábado

Em entrevista, compositora, cantora e instrumentista fala de recolhimento e sobrevivência musical

Em entrevista, compositora, cantora e instrumentista fala de recolhimento e sobrevivência musical


VICTÓRIA VENTURELLA/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
Não é o aguardado reencontro com os palcos, mas a compositora, cantora e instrumentista Bibiana Petek vai voltar a sentir o gostinho de tocar com sua banda, depois de três meses de quase total distanciamento. A live acontece neste sábado (27), às 20h, no canal da gravadora Loop Discos no YouTube, e vai arrecadar recursos para o movimento Ajude a Graxa RS, que dá apoio a técnicos de palco impedidos de trabalhar devido ao novo coronavírus, e para a Casa de Cultura Hip Hop do Morro da Cruz, projeto que conta com o envolvimento da cantora Negra Jaque.
Não é o aguardado reencontro com os palcos, mas a compositora, cantora e instrumentista Bibiana Petek vai voltar a sentir o gostinho de tocar com sua banda, depois de três meses de quase total distanciamento. A live acontece neste sábado (27), às 20h, no canal da gravadora Loop Discos no YouTube, e vai arrecadar recursos para o movimento Ajude a Graxa RS, que dá apoio a técnicos de palco impedidos de trabalhar devido ao novo coronavírus, e para a Casa de Cultura Hip Hop do Morro da Cruz, projeto que conta com o envolvimento da cantora Negra Jaque.
A ideia, explica Bibiana, é fazer uma produção simples. As imagens serão via câmera de celular, mas o áudio será captado à parte, garantindo boa qualidade. No repertório, músicas do mais recente CD, Música para segunda-feira, Vol. 1 (2019), além de algumas releituras de trabalhos anteriores e de clássicos da música brasileira.
A apresentação, de certa forma, marca o final de um período de recolhimento para a artista. Com agenda cheia para 2020 e contatos em andamento para as primeiras apresentações fora do Estado, Bibiana viu tudo ser cancelado em questão de dias - e se percebeu forçada a aceitar que dificilmente será possível retomar a estrada neste ano. Assim, os primeiros três meses de pandemia serviram para ficar "mais de canto", como ela própria descreve. Um momento de olhar para dentro, revendo a própria trajetória até aqui - e para se envolver no processo de apoio mútuo que movimenta a cena cultural gaúcha desde os primeiros casos de Covid-19.
"Acho que essa pandemia veio nos dar um recado, e eu meio que me dei o direito de escutar esse recado", reflete. "É um privilégio poder fazer isso, na verdade, porque também trabalho com produção musical e de áudio, então tenho uma condição de continuidade do trabalho em casa. Sempre fui muito hiperativa artisticamente, de estar fazendo um monte de coisas ao mesmo tempo, e fiquei grata por esse tempo para fazer essa visita."
Em breve, quem gosta de música vai poder escutar o primeiro fruto desse olhar para dentro. Para agosto, está projetado o relançamento da música Tudo que eu gosto em ti, gravada ao lado de Antonio Villeroy e registrada no primeiro disco de Bibiana, Dengo (2013). Ao invés do esquema voz e violão da versão original, a releitura vem com banda completa, trazendo parte das influências adquiridas em sete anos de estrada. "É muito legal estar revendo a canção de uma menina, que estava no começo ainda, e voltar a ela com alguns conceitos, com vontade de achar aquele timbre de baixo ou bateria, dar aquele recado específico", anima-se.
Além dessa redescoberta de si mesma, a compositora também reforçou conexões com a coletividade da cultura, exposta a um dos maiores desafios de sobrevivência de toda uma geração. "No fundo, não estou com pressa (de fazer coisas). Acho que não é hora de pensar no meu trabalho, mas de fazer alguma coisa que seja relevante para a cena toda", diz. "Estou tentando prestar atenção em quem está passando por perrengues, nas pessoas que estão em torno de mim. Acabei ligando para muitos amigos, alguns com quem não falava há muito tempo. Noto que muita gente está se sentindo como eu, vendo nisso tudo uma chance de ajudar e demonstrar carinho pelas pessoas."
Apesar das dificuldades de sobrevivência da cena, Bibiana acha que o momento também é propício para debater a importância do setor para a economia. "Acho que ficou claro o quanto a indústria criativa, do entretenimento e das artes, gera de grana para o País. Em especial para quem não queria ver antes, quem achava que cultura era supérfluo, perfumaria. É engraçado, porque vejo os mais escolados da cena dizendo 'ah, nos anos 1980 a gente tinha muito essa discussão'. São temas que voltam de tempos em tempos, como a questão de direitos autorais, de condições para shows, e tudo isso é necessário."
Tempos difíceis, é certo, mas que também trazem janelas para a renovação. E que testam o que somos e o que podemos ser no futuro. "No fundo, cada um de nós está escolhendo, agora, o que sua vida vai ser depois (que a pandemia passar). Se vai ser com egoísmo ou com empatia, se vamos nos preocupar uns com os outros ou fazer cada um o seu lado e só. Tenho certeza que esse levante da cultura, esse diálogo tanto da classe consigo mesma quanto com a sociedade, isso tudo vai continuar", garante, esperançosa.
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