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cinema

Notícia da edição impressa de 18/06/2020. Alterada em 17/06 às 21h57min

Em road movie documentário, trupe embarca em percurso que une almas partidas

Estreia nesta quinta-feira (18) 'Partida', que leva profissionais de cinema rumo a Mujica no Uruguai

Estreia nesta quinta-feira (18) 'Partida', que leva profissionais de cinema rumo a Mujica no Uruguai


PANDORA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Caroline Zatt da Silva
Caco Ciocler já queria ter passado o Réveillon de 2017 para 2018 no Uruguai, ao lado de José Mujica (ex-presidente e senador do país vizinho). Mas, naquele momento, seus amigos não tinham topado a empreitada. Após o resultado das eleições brasileiras de 2018, quando a atriz Georgette Fadel, numa roda de ensaio, afirmou que se candidataria à presidência da República no próximo pleito, ele achou que era hora de carregá-la com ele no sonho antigo. "Era algo que sempre esteve no meu imaginário essa lenda que Mujica morava em um lugar isolado, uma fazenda bem escondida, mas que ele recebia com chimarrão todo mundo que ali chegasse."
Caco Ciocler já queria ter passado o Réveillon de 2017 para 2018 no Uruguai, ao lado de José Mujica (ex-presidente e senador do país vizinho). Mas, naquele momento, seus amigos não tinham topado a empreitada. Após o resultado das eleições brasileiras de 2018, quando a atriz Georgette Fadel, numa roda de ensaio, afirmou que se candidataria à presidência da República no próximo pleito, ele achou que era hora de carregá-la com ele no sonho antigo. "Era algo que sempre esteve no meu imaginário essa lenda que Mujica morava em um lugar isolado, uma fazenda bem escondida, mas que ele recebia com chimarrão todo mundo que ali chegasse."
Assim, de um carro em que iriam somente os dois, formou-se uma trupe de pessoas de cinema, que foi cada vez crescendo mais, a ponto de ser necessário um estiloso ônibus retrô prata, com detalhes em marsala, e bancos de couro e cortinas coloridos. A linha privada saída de São Paulo depois do Natal tinha como destino final o rancho de Mujica, em 31 de dezembro de 2018, e um nome: Partida. "O filme foi se constituindo a partir do momento em que fomos convidando pessoas ou pessoas foram pedindo para ir junto", relata Ciocler.
O documentário Partida chega às plataformas de streaming (Now, Vivo Play, Oi Play, Petra Belas Artes à la Carte, Filme Filme e Looke) hoje. Posteriormente, entrará em cartaz também no iTunes e no GooglePlay. O longa estava previsto para estrear nos cinemas brasileiros no primeiro semestre de 2020, mas, devido à pandemia de Covid-19, os produtores Beto Amaral e Caco Ciocler, o coprodutor Paulo Vidiz, a produtora Cisma Produções, a coprodutora Zumbi Post e a distribuidora Pandora Filmes decidiram lançar o filme em VOD (Video On Demand), em parceria com o Canal Brasil. Também aderindo à moda do momento, resultado do distanciamento social, a obra será exibida nesta quinta-feira, às 18h, no Belas Artes Drive-in, no Memorial da América Latina, em São Paulo. 

Protagonismo feminino

Caco Ciocler reconhece que produziu um filme muito feminista, e se orgulha disso
Caco Ciocler reconhece que produziu um filme muito feminista, e se orgulha disso
FOTOS PANDORA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Além da protagonista ser Georgette Fadel dando voz aos seus pensamentos políticos, e do próprio ônibus se tornar um personagem desta narrativa, o diretor afirmou, logo no início da viagem, que todos os membros da equipe seriam coautores do filme. Sobre o título do longa, Ciocler comenta: "O que tínhamos de certeza era a partida e o lugar que queríamos chegar; do resto, não tínhamos certeza nenhuma. Então é um filme de partida, apenas, em busca de uma utopia. Partida, de fato, é o feminino de partido, o nome do partido pelo qual essa candidata à presidência da República iria concorrer, e faz uma alusão também a uma alma partida, sabe? À alma da Georgette partida, a um país partido. O título já estava decidido".
E, como o nome sugere, a abordagem fílmica do já saturado debate entre fascismo e comunismo também é feminista. Camisetas com as mensagens "The future is female" e "Lute como uma garota" tornam-se figurinos das atrizes e realizadoras que entram em cena. "Eu acho o filme superfeminista e fiquei muito orgulhoso disso. Fui me dar conta de quão feminista ele era na montagem. O título é feminino, o partido é feminino, a protagonista é feminina, com duas diretoras de fotografia mulheres", analisa o diretor.

Integrantes da equipe são coautores do documentário de busca

Léo Steinbruch e Georgette Fadel concentram embates ideológicos da viagem de ônibus ao Sul
Léo Steinbruch e Georgette Fadel concentram embates ideológicos da viagem de ônibus ao Sul
PANDORA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Pelo título e pela premissa com que a montagem apresenta o longa, ele poderia ser encaixado numa categoria que foi chamada de “documentário de busca” – expressão de Jean-Claude Bernardet – na primeira década dos anos 2000. Exemplos são filmes de Eduardo Coutinho, Kiko Goifman, Flávia Castro, Sandra Kogut e Paulo Sacramento – obras abertas, tendo um tema norteador (objetivo), mas nas quais o processo se mostra o próprio dispositivo de narrativa.
Caco Ciocler concorda com a denominação: "Exatamente. Esse viver ninguém me tira (primeiro longa dirigido pelo ator, exibido no Festival de Gramado de 2014) também era um pouco assim no sentido de que eu fui contratado pela produtora CineGroup para fazer o filme. Eu não conhecia a história da Aracy (Moebius de Carvalho, segunda esposa de Guimarães Rosa, que ficou conhecida como 'O Anjo de Hamburgo'), o filme já tinha uma roteirista, existia um roteiro, que não era meu. Então, todo o processo de feitura do Esse viver ninguém me tira foi uma tentativa de eu me aproximar dessa história, dessa mulher, com o filme falando muito mais da minha busca pelas possíveis conexões que eu teria com essa história do que da própria personagem. Tinha muito pouco material da dona Aracy, era tudo secreto o que correspondia ao tema do filme".
Partida é um filme totalmente autoral do realizador paulista, "mas você tem toda a razão, a única premissa era a partida. Não sabíamos o que íamos encontrar pela frente. Decidimos algumas coisas, inclusive de linguagem, mas não sabíamos absolutamente o que ia acontecer". Na pré-produção, ele afinou os gostos com as duas diretoras de fotografia e convidou o empresário Léo Steinbruch para criar um embate. "Eu tinha umas três vontades de proposições durante a viagem, a ideia da psicanálise, onde pudéssemos colocar o próprio filme no divã, a cena da Georgette lutando Aikido com o Léo, a cena da Fronteira. Tinha três ou quatro ideias que queria cumprir, mas não sabia se seriam possíveis e se renderiam cenas interessantes. Não sabíamos nada, só que tínhamos que tentar chegar na casa do Mujica no dia 31", especifica Ciocler.
Talvez a trupe não encontrasse o destino, mas "a busca era o de menos, pois determinar o ponto de chegada era uma desculpa para poder filmar o percurso", conforme o diretor. "A minha vontade era muito menos de busca, e mais uma vontade de voyer, tinha vontade do percurso, de assistir o que aconteceria durante esta viagem, assistir a construção de pensamento político da Georgette, de assistir o que aconteceria com este embate que eu preparei, assistir o que sobraria depois desse embate. Estávamos em um momento do país muito dividido, muito partido, discussões intermináveis nos grupos de WhatsApp, nas famílias, nas amizades, muito pouca escuta. Eu sabia que este embate argumentativo em uma viagem de cinco dias uma hora se esgotaria, né? Tinha vontade de ver o que brotaria desse esgotamento. Eu fixo um ponto de chegada e tenho curiosidade pelo percurso dele, que acaba sendo de busca, exatamente."
Caco Ciocler não encontrava com Léo Steinbruch - quem conheceu fazendo teatro amador no Clube Hebraica em São Paulo - há mais de 15 anos: "Não sabia que no que ele tinha se transformado, mas sabia que era aquele Léo que fez teatro comigo. Sabia que era aquele Leo que tinha um sonho louco de ter sido ator (risos). Ele é um empresário muito bem-sucedido, mas sempre quis ser ator, abriu um teatro aqui em São Paulo. O Teatro Folha durante muitos anos foi dele, então é um cara apaixonado pelo teatro, e sabia que esta possibilidade de fazer um filme iria seduzi-lo, porque não era fácil achar uma pessoa com as convicções dele que topasse aceitar essa viagem, entrar nesse ônibus".
De fato, Léo é o contraponto do coletivo, ele fala mal da esquerda, reconhece que não leu Marx, mas é contra o Comunismo. Ele também não é nem um pouco fã do ex-presidente brasileiro Lula, comparando o clamor pela sua libertação com as teses de Maquiavel, mas compra um souvenir do acampamento de Curitiba, a caneca do Lula Livre. Um personagem e tanto!
Para o diretor, o jogo proposto desde o começo pediu que os integrantes do grupo grifassem alguns traços - como é feito em atuação para construir personagens - para provocar determinadas situações, discussões. "Sempre soube que seria um jogo sutil entre as pessoas e as personagens que fossem surgir. Ali no início do filme perguntam se era para fazer personagem. Não, eu digo, porque achava que as personagens iam naturalmente começar a aparecer. Então, foi sempre neste dispositivo que apostei. Meu grande medo era de que não acontecesse absolutamente nada, que não surgisse nenhuma discussão interessante, de não ter nenhuma cena interessante, em uma viagem longa, dentro de um ônibus. Quisemos correr esse risco. Tem até um áudio lindo que a Georgette fala: 'Caco, se não acontecer nada, se for uma viagem de convivência pacífica, isso é talvez a grande revolução'."
Ciocler deixou claro para a trupe que considerava tudo política, que ela é exercida nas relações, que seria bonito o filme registrar isso. "A minha defesa sempre foi aquela, de que se não nos concentrássemos naquele ônibus, não daria tempo de chegar. Não é à toa que deixo algumas cenas em que a Julia (Zakia, fotógrafa) está protegendo o equipamento, pois começa uma questão de delimitação de terra (risos). Um começa a invadir o espaço do outro, então é uma delimitação de terra, mas não somos a favor da reforma agrária, da não propriedade privada? Ou é ou não é? O meu sonho é que esse ônibus fosse um microcosmo da sociedade, claro que não com toda a representatividade que poderíamos sonhar. Foi a equipe que conseguimos em pouquíssimo tempo, que topou ir, não é um microcosmo representativo, mas é um microcosmo representativo daquele momento. O meu sonho, na verdade, era que não saíssemos jamais daquele ônibus, que a câmera, pelo menos, não saísse jamais daquele ônibus. Mas achamos que seria uma aposta muito radical, então, escolhemos algumas saídas, mas 85% do filme é dentro do ônibus", explica.

Esse ônibus ninguém me tira

Luiza Zakia, filha da fotógrafa Julia Zakia, ostenta desenho que fez durante a viagem do documentário
Luiza Zakia, filha da fotógrafa Julia Zakia, ostenta desenho feito durante percurso do documentário
PANDORA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Quando a equipe seria enxuta, Caco Ciocler até ia fazer a câmera sozinho durante as gravações, mas a trupe foi crescendo... "Eu falei que um filme com três carros não ia dar certo: 'Vamos fazer um revezamento no carro principal?' Vamos procurar uma coisa maior. Achamos um ônibus de um amigo da Georgette, e saímos na Sumaré (bairro nobre da capital paulista) para fazer um teste e o motor explodiu, foi uma confusão. Brigamos com o motorista, não tem mais ônibus."
A curiosa história do ônibus responsável por levar mentes corajosas a atravessar a fronteira Sul do País não para por aí. O produtor teatral, pecuarista, empresário e ator Léo Steinbruch já tinha sido convidado para o projeto a essa altura. "Como ele tem uma coleção de carros antigos, então fui até a casa dele, no interior de São Paulo, e conheci a coleção. Tinha Kombis, íamos de Kombis. Ele trouxe as Kombis para a cidade, mas falou que viajar longa distância de Kombi é muito desconfortável, apertado, barulhento, Vasco (Pimentel, diretor de som português que veio de Lisboa para participar) achou que ia ser um desastre para o som...", conta o diretor.
Eles foram à procura de um ônibus, mas já era perto do Natal: "Estávamos no laço - saímos dia 27. Essa bagunça aconteceu em 22, 23 de dezembro. Enlouquecidos, partimos para internet, tentando achar opções. Achamos ônibus comerciais, de turismo, mas eu disse que não tinha nada a ver".
Então, acharam o coletivo prata e marsala, que só conheciam por foto. "Ah, um ônibus de época é legal. Porque o filme também brinca com essa coisa da temporalidade da política, estávamos em um momento onde muitas coisas estavam sendo resgatadas, para o bem e para o mal. E o Mujica tinha um Fusca azul, então achamos que seria charmoso. Sempre soubemos que o ônibus seria um personagem do filme, então a gente não queria um desses de turismo. Quando batemos o olho neste, tinha que ser."
Porém, a empresa era do Sul, e o acordo foi na véspera à partida. "Eu disse que ia depositar, mas que ele tinha que estar em São Paulo no dia seguinte. O motorista respondeu que viraria a noite levando o ônibus, foram horas de viagem", narra Ciocler. O combinado foi chegar às 10h da manhã, e ele não chegou: "Ele enviou uma mensagem quando chegou em São Paulo avisando que ia mandar lavar o ônibus e sumiu. Inclusive, tem essa cena nos extras da gente esperando o dia todo achando que não ia rolar mais a viagem. O Léo já estava indo buscar as Kombis... Ele chegou e ficamos extasiados com esse ônibus que não conhecíamos".
Além das camisetas “The future is female” (Georgette Fadel) e “Lute como uma garota” (Manoela Rabinovitch), o próprio diretor usa uma camisa com a mensagem “Amor geral”. Foi por acaso? "Tudo casual. Obviamente que as pessoas não levaram essas camisetas por acaso, mas não fui eu que pedi, nem pedi para que usassem naqueles momentos específicos", responde Ciocler.

Alerta de spoiler - sobre a trilha sonora!

Filme com músicas de Arthur de Faria tem noite de Réveillon no meio do nada
Filme com músicas de Arthur de Faria tem noite de Réveillon no meio do nada
PANDORA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Para quem leu o texto até aqui, a foto acima - do capítulo final intitulado Tiempos para los afectos - é um presente. Ela é um indicativo que os aventureiros cumprem sua missão? "Acho interessante manter essa dúvida, a experiência com o filme fica mais interessante quando não sabemos se Mujica vai aparecer...", opina Ciocler. 
Como o documentário Partida foi filmado antes da posse do novo presidente, nos últimos dias de 2018, temia-se que ele ficasse "velho" até estrear, mas Ciocler avalia que ele ganhou algumas urgências após um ano e meio de governo. "Bolsonaro ainda não tinha assumido, era um momento de expectativa para alguns e de muito medo para outros, mas não tínhamos a concretude do que viria pela frente. O filme fica muito nesse lugar das discussões intermináveis. Por outro lado, é triste concluir que a essência dele - esse País dividido, esses dois lados que não se entendem e não conseguem conversar, e perceber quão próximos eles são em alguns aspectos e quão díspares são em outros - ganha uma nova relevância."
Por incrível que pareça, na opinião do diretor, o filme foi ficando cada vez mais atual: "A própria premissa, de uma atriz, depois da vitória de Bolsonaro, decidir se candidatar tem um peso, agora, que não tinha na época. Com certeza, algumas coisas batem mais forte hoje, inclusive".
Ciocler recorda que, naquele momento, todos da trupe poderiam ter ficado apenas lamentando, ou então partir para a ação, que, neste caso, foi artística. "É de uma beleza inacreditável que, no meio dos seus projetos, em um período de descanso entre Natal e Ano-Novo, todos dedicaram seu tempo de descanso para produzir uma obra referente ao momento político que estávamos passando, terem topado ir nessa viagem sem remuneração, mais do que isso, terem emprestado seus equipamentos."
Ele, no entanto, diz que não defende essa aventura sem dinheiro e patrocínio, considera óbvio que o cinema não pode existir dessa maneira, mas que foi, sim, uma resposta alternativa. "Não tínhamos tempo de conseguir dinheiro, de pensar, tínhamos duas opções: ficar chorando ou fazer alguma coisa. Vamos embora, vamos colocar um objetivo utópico. Para mim, Partida é sobre utopia, discutimos o tempo todo utopia dentro do ônibus, e de uma maneira até descrente - ao mesmo tempo em que estamos todos embarcados na mais insana e ingênua das utopias. Por que passar o Réveillon com o Mujica? Vamos atrás, talvez não encontremos, mas o que importa é o caminho em direção à utopia. Para mim, o filme é político nesse lugar", recorda.
Quem quase subiu nesse bonde da utopia quando ele passou por Porto Alegre foi o músico Arthur de Faria, que assina a trilha da produção. O compositor gaúcho e o ator paulista são amigos há cerca de seis anos, quando começaram a trabalhar juntos no coletivo Ultralíricos - companhia de teatro de São Paulo dirigida por Felipe Hirsch. "Nos conhecemos quando o Nico (Nicolaiewsky) tinha acabado de morrer, e o Caco tem esse humor judaico, essa visão de mundo muito parecida com a do Nico. Ele era fã do Tangos & Tragédias também. Eu disse: 'Tu vai ser o meu amigo judeu que eu tô precisando'", brinca Arthur.
Baseado nessa cumplicidade (que o faz afirmar que Caco é uma das pessoas mais adoráveis não somente do meio artístico, mas sobre a Terra), o porto-alegrense disponibilizou seu acervo de gravações para a montagem do documentário: "O filme foi feito todo cooperativado, não tinha dinheiro nenhum. Zero de orçamento. Não tinha como ir para um estúdio gravar trilha. Mesmo que eu não recebesse nada, precisava pagar estúdio, pagar pessoas. Então pesquisamos meu banco de trilhas, porque tenho muita coisa gravada para teatro, ou então utilizamos faixas dos meus discos. Prado de mágoa, eu compus para o espetáculo Yerma ou quanto tempo leva para transbordar um balde (de Gustavo Dienstmann, 2017). Barroco pesado é de um disco de Arthur de Faria e Seu Conjunto. E Valsa da bailarina, minha e do Fernando Pezão, era de uma trilha do Roberto Oliveira e que no fim acabei gravando só para registrar".
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