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Cinema

Notícia da edição impressa de 08/06/2020. Alterada em 08/06 às 08h14min

Diva Sonia Braga completa 70 anos de coração aberto

Estrela de 'Aquarius' (2016) segue sendo uma das atrizes mais marcantes no imaginário brasileiro

Estrela de 'Aquarius' (2016) segue sendo uma das atrizes mais marcantes no imaginário brasileiro


VICTOR JUCA/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
O fato de estar vivendo há décadas nos Estados Unidos, definitivamente, não abalou a presença quase mítica de Sonia Braga na cultura brasileira. Na verdade, talvez se possa dizer que a atriz (que completa hoje 70 anos de idade) está, atualmente, cada vez mais forte entre nós. Em um momento repleto de obras elogiadas na produção cinematográfica nacional, ela brilha em duas das mais importantes: Aquarius (2016) e o mais recente Bacurau (2019), ambos de Kleber Mendonça Filho.
O fato de estar vivendo há décadas nos Estados Unidos, definitivamente, não abalou a presença quase mítica de Sonia Braga na cultura brasileira. Na verdade, talvez se possa dizer que a atriz (que completa hoje 70 anos de idade) está, atualmente, cada vez mais forte entre nós. Em um momento repleto de obras elogiadas na produção cinematográfica nacional, ela brilha em duas das mais importantes: Aquarius (2016) e o mais recente Bacurau (2019), ambos de Kleber Mendonça Filho.
A conexão de Sonia Braga com esse momento positivo para o cinema nacional tem sabor de bênção. Afinal, seu icônico papel em Dona Flor e seus dois maridos (1977), de Bruno Barreto, marcou um dos maiores fenômenos cinematográficos do País e consolidou a ideia de que fazer filmes no Brasil poderia ser uma aventura de sucesso. A unir essas duas pontas, uma mulher que praticamente personifica o que é ser atriz brasileira - não apenas aqui, mas também no exterior.
Nascida em Maringá (PR), Sonia cresceu no bairro do Belenzinho, em São Paulo. Foi descoberta para o mundo artístico aos 14 anos, pelo diretor Vicente Sesso, convidada a integrar o programa infantojuvenil Jardim Encantado. A partir daí, foi uma escalada: peças publicitárias, aparições no teatro, coadjuvantes no cinema, até chegar à TV. Ao protagonizar a novela Gabriela (1975), ela entrou definitivamente no imaginário nacional.
Nos anos 1970 e 1980, era a principal sex symbol do País - uma imagem de sensualidade que, mais tarde, ganharia contornos internacionais. A nudez em cena nunca foi um problema para Sonia Braga: em 1968, aos 18 anos, estava no elenco que aparecia sem roupa em uma montagem do musical Hair. Mas suas personagens em obras como A dama do lotação (1978) e Eu te amo (1981, que rendeu o prêmio de atriz no Festival de Gramado), marcadas por uma sexualidade intensa, ajudaram a consolidar uma aura que sobrevive até hoje.
Os rumores em torno de supostos casos amorosos com colegas de cena (como o galã italiano Marcello Mastroianni, com quem contracenou no remake cinematográfico de Gabriela, em 1983) só aguçavam ainda mais a imaginação do público.
A partir de O beijo da mulher aranha (1985), de Hector Babenco, Sonia conseguiu fazer o que pouca gente do Brasil atingiu: a ponte para o mercado de Hollywood. Em 1987, foi a primeira brasileira a apresentar uma categoria do Oscar, ao lado do astro norte-americano Michael Douglas - um evento que dá bom exemplo da rapidez com que se consolidou no cenário artístico dos Estados Unidos. Em uma jornada que já soma três décadas e meia, a atriz coleciona dezenas de aparições em filmes norte-americanos, além de papéis em séries consagradas, como Sex and the city, Law & order e American family.
A mistura de força, segurança e doçura de muitas das personagens marcantes de Sonia Braga encontra paralelos em sua vida pessoal. Ela mesma já admitiu, em entrevistas, sua identificação com Gabriela - que, segundo Sonia, fez com que ela percebesse que "era hippie antes do hippie ser uma moda".
A postura aberta diante do mundo também se reflete em aspectos polêmicos da existência feminina: sempre deixou claro que não queria ter filhos, por acreditar que a responsabilidade influenciaria negativamente em sua vida e carreira, e é uma notória defensora do direito ao aborto, admitindo ter realizado o procedimento pelo menos quatro vezes.
Embora tenha presença importante no cinema brasileiro atual, Sonia Braga não parece cogitar uma volta definitiva ao País - embora os boatos em torno de um retorno triunfal às novelas tenham se mantido fortes no decorrer dos anos. Residindo em Nova York desde 1990 e naturalizada norte-americana, ela prefere regressar por curtos períodos, em uma espécie de metáfora viva de alguém que ama, mas não deseja se prender.
A carreira ainda está distante do fim: ela está em The Jesus rolls (2019), spin off de O grande Lebowski dirigido por John Turturro, e faz uma participação em Fátima - A história de um milagre, coprodução de Estados Unidos, Itália e Portugal que aguarda a normalização do cenário balançado pela Covid-19 para estrear.
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