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Humor

Alterada em 01/06 às 18h40min

Afeto em época de pandemia inspira telenovela no YouTube

Luciane Prestes, como Palhaça Magnólia, apresenta 'Amor nos tempos do corona'

Luciane Prestes, como Palhaça Magnólia, apresenta 'Amor nos tempos do corona'


ARQUIVO PESSOAL LUCIANE PRESTES/DIVULGAÇÃO/JC
Roberta Requia
O clássico romance de Gabriel García Márquez, O amor nos tempos do cólera, inspirou o nome de um novo projeto em Porto Alegre, baseado na conexão entre pessoas e no afeto durante o isolamento. Luciane Prestes e sua palhaça Magnólia apresentam a telenovela Amor nos tempos do corona, com vídeos semanais em seu canal no YouTube (Palhaça Magnólia), onde são lidas histórias de amor enviadas pelo público. Segundo a atriz, a ideia surgiu após uma amiga, também palhaça, sugerir a produção de conteúdo durante a quarentena. Assim nascia o programa semanal apresentado pela romântica Magnólia.
O clássico romance de Gabriel García Márquez, O amor nos tempos do cólera, inspirou o nome de um novo projeto em Porto Alegre, baseado na conexão entre pessoas e no afeto durante o isolamento. Luciane Prestes e sua palhaça Magnólia apresentam a telenovela Amor nos tempos do corona, com vídeos semanais em seu canal no YouTube (Palhaça Magnólia), onde são lidas histórias de amor enviadas pelo público. Segundo a atriz, a ideia surgiu após uma amiga, também palhaça, sugerir a produção de conteúdo durante a quarentena. Assim nascia o programa semanal apresentado pela romântica Magnólia.
De acordo com Luciane, a atividade da palhaçaria não se trata de um papel criado pelo ator, mas sim de uma interpretação de características pessoais e exageradas. "A palhaçaria, diferente de uma atuação, não é ser um personagem. Ela trabalha com o duplo do ator. E o amor tem uma interação direta com o jogo da Magnólia. Trabalhamos com características que a gente tem de forma exagerada. No último episódio da temporada, eu falo do meu desejo, Luciane, de ter casado, de ter filhos, e como a Magnólia se constitui dessa coisa romântica", explica. No episódio citado, a palhaça dá espaço a Luciane para que ela compartilhe com o público sua história sobre amor próprio.
Luciane tem 43 anos, é formada e licenciada em Teatro, especialista em Pedagogia da Arte e mestre em Teatro. Além das atividades como palhaça, é professora de Artes em duas escolas. Ela conta que teve o primeiro contato com o clown (termo que vem sendo cada vez mais usado para se referir à palhaçaria) no ano de 2000, quando participou de um curso sobre o tema. "Na época, eu tinha muito medo, tinha um mito em torno do que era ser clown, que era uma coisa muito difícil, exclusivamente do fazer rir. Então, naquele momento, fiz a oficina, mas não me identifiquei completamente", lembra.
Foi somente em 2017, após participar da oficina Construindo seu clown, que os primeiros passos de sua palhaça foram surgindo. E foi justamente a partir da ruptura com a atividade tradicional que Magnólia se sentiu à vontade para nascer. Luciane conta que uma oficina ministrada por Karla Concá, pioneira do então tímido movimento de palhaçaria feminina no Brasil, foi definitiva para sua construção. "A Magnólia surge a partir dessa ideia de um trabalho de palhaçaria feminina, que não é tão ligado ao clown tradicional, relacionado ao palhaço de teatro, os números clássicos, que foram produzidos, num primeiro momento, pelos homens. Nós buscamos um repertório que venha da mulher."
Dessa oficina, também surge o coletivo As Teodoras, um grupo composto por 10 palhaças que passaram a se reunir para trabalhar e construir o cenário de Porto Alegre. "O olhar da palhaçaria feminina está muito ligado à criação de números que sejam a partir do universo que as mulheres estão construindo. Não trabalhamos com aquelas gagues clássicas dos circos (tiradas curtas, piadas ou gestos que não necessitam de um entendimento anterior para serem engraçadas). As criações vêm da lógica que é proposta de cada palhaça e do universo pessoal de cada uma de nós", argumenta Luciane.
Para ela, o amor e o afeto têm uma importância vital em momentos de crise como o atual, durante a pandemia do novo coronavírus. Amor nos tempos do corona foi sua maneira de contribuir para a conexão entre as pessoas durante o período de isolamento. "Quero que quem nos assista possa sentir exatamente esse afeto, esse acolhimento. Eu, por exemplo, estou aprendendo muito sobre amor com os depoimentos. Cada relato tem a sua particularidade. Então é sobre trazer um pouco de carinho, aquecer o coração com histórias de amor, nos conectar com isso, que é algo tão humano e tão necessário", ressalta a atriz.
Magnólia e Luciane já se preparam para a segunda temporada de Amor nos tempos do corona. E, para isso, contam com a participação do público. Aqueles que quiserem ter seu relato lido por Magnólia podem enviar um e-mail para amornostemposdocorona@gmail.com. As histórias não precisam ser somente românticas: declarações a amigos e familiares ou relatos antigos também são bem-vindos.
Mesmo depois do isolamento, Luciane pretende manter o canal e a ligação com o público virtualmente. Para ela, o surgimento de Magnólia e a relação com o canal são acontecimentos que ficaram conectados. "Quando fiz o meu primeiro curso, não tinha percebido a minha relação com a palhaçaria, mas parece que isso ficou guardado. E, em 2017, bastou eu colocar um nariz e parece que a Magnólia, que então era Dona Santinha, veio já com uma força muito grande desde o primeiro momento. E isso aconteceu também quando comecei com essa ideia do Amor nos tempos do corona. Veio com força total. Acredito que tudo na vida tem o seu tempo", completa Luciane.
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