Porto Alegre, segunda-feira, 18 de maio de 2020.

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MODA

17/05/2020 - 18h03min. Alterada em 18/05 às 12h00min

A máscara de proteção torna-se um símbolo dos nossos tempos

Registro de 12 de maio mostra estátuas do Monumento das Bandeiras em São Paulo com máscaras

Registro de 12 de maio mostra estátuas do Monumento das Bandeiras em São Paulo com máscaras


NELSON ALMEIDA/AFP/JC
Caroline Zatt da Silva
Cirúrgicas, descartáveis, laváveis, tipo bico de papagaio, caseiras, de pano, estilo bandana, com lenço tradicionalista, com filtro de papel, com a frente transparente para a expressão dos lábios. Estampando o brasão do time do coração ou a marca dos personagens favoritos, elas surgiram nas ruas de todos os modos.
Cirúrgicas, descartáveis, laváveis, tipo bico de papagaio, caseiras, de pano, estilo bandana, com lenço tradicionalista, com filtro de papel, com a frente transparente para a expressão dos lábios. Estampando o brasão do time do coração ou a marca dos personagens favoritos, elas surgiram nas ruas de todos os modos.
Sem elas, não se pode entrar em estabelecimentos, nem usar o transporte coletivo, tampouco ser cidadão novamente. Em muitos lugares, as máscaras faciais já são obrigatórias, e sua ausência pode ser motivo de sanção.
Esse item indispensável do cotidiano pós-pandemia de Covid-19 está no comércio informal das calçadas e também nos menus de e-commerce. Muitas instituições seguem com as campanhas de solidariedade para doação aos usuários, uma vez que as legislações estaduais e municipais exigem sua utilização em locais fechados.
Na semana passada, o governo de São Paulo colocou em prática uma ação de conscientização da população "vestindo" 16 obras públicas da capital com máscaras, protegendo os rostos de estátuas como as do Monumento às Bandeiras, localizado no Parque Ibirapuera. Diversos pintores de arte urbana pelo mundo também colocaram em evidência o item de proteção individual retratado em seus grafites pelos murais nas paredes das cidades.

Na intersecção entre moda e saúde

Laura Ferrazza escolheu para combinar com o blusão a máscara caseira confeccionada e presenteada por amiga
Laura escolheu para combinar com o blusão a máscara caseira feita e presenteada por amiga
ARQUIVO PESSOAL/divulgação/jc
Um meme que circulou pelas redes sociais configurou a problematização do conceito. O motorista de um ônibus registrou uma senhora sentada no banco da frente do coletivo com uma máscara branca, com brilhos e plumas, cheia de enfeites, tapando somente os olhos do seu rosto. Aquela, claramente, não era a exigida pelas autoridades.
Na opinião das duas especialistas em moda consultadas pela reportagem, o uso das máscaras nos rostos dos indivíduos será permanente, até ser descoberta uma cura ou uma vacina para o novo coronavírus.
Para Laura Ferrazza, PhD em História da Moda e História da Arte, o momento atual conjuga os dois tipos de máscara que surgiram ao longo da história. O primeiro foi a máscara estética, criada no início do teatro grego para substituir expressões faciais, ou então a máscara do Carnaval de Veneza, que começa no século XV e tem seu auge no século XVI. Este tipo invade as cortes europeias na Idade Moderna, com os bailes de máscara, tornando-se um hábito da nobreza. "E também acaba virando um costume burguês mais para o final do século XIX. Temos alguns registros em quadros, pinturas que mostram esse costume", relata a pesquisadora.
O segundo gênero de máscara é a de proteção. "Acredito que a função mais antiga está associada à peste negra. Bom lembrar que o auge da peste negra foi na virada da Idade Média para a Idade Moderna, século XIV, mas ela seguiu tendo surtos na Idade Moderna." Laura afirma que, em pandemias, a ideia da proteção da face só vai voltar a aparecer em algumas fotografias do surto de gripe espanhola, logo após a Primeira Guerra Mundial, em 1918: "Também era uma síndrome respiratória, uma espécie de gripe. Temos registros de pessoas andando na rua com um tipo de lencinho mesmo, de tecido, que era comum no uso cotidiano, para higiene nasal. Ele aparece nas fotos aberto, amarrado no rosto. Aí já temos um modelo semelhante ao da máscara cirúrgica sendo usado pelos profissionais da saúde, porque estamos no início do século XX, há um desenvolvimento tecnológico".
No século XX, segundo a historiadora, também ocorrem as máscaras dos períodos bélicos. "Durante a Primeira Guerra, vão se desenvolver as máscaras antigás. É interessante pensar nelas, porque achamos que era algo de uso restrito militar. Elas eram grandes, assustadoras, de material grosso ou metal. Algumas foram adquiridas pela população, pois, após a Segunda Guerra, ficou o medo do lançamento de bombas de gás nas cidades. Temos imagens bizarras dos Estados Unidos de modelos de máscaras para crianças com o personagem Mickey", destaca.
Conforme Laura, a utilização de hoje pode ser uma mistura de ambas as finalidades: "Precisamos usar por questões de saúde e estamos buscando algum embelezamento, pois é algo que vai ficar na face por um longo tempo. Existe para todos os bolsos, até de grifes e com pedrarias. Como há uma grande crise, é uma saída. Há todo um novo mercado a se explorar. Todo mundo vai ter que comprar e pode escolher o que colocar no seu rosto".
Na opinião de Joana Bosak, professora de História da Arte da Ufrgs, a máscara tem recebido novas conotações com o passar do tempo e carrega informações simbólicas sobre padrões. "Ela diz quem somos e a que ambiente pertencemos. Hoje, não tem mais o conteúdo do disfarce, como historicamente, mas representa o cuidado. Para além do anonimato, a máscara identificará quem se cuida e cuida dos outros, ou, ainda, quem pode fazer isso."

As máscaras através da História

Laura Ferrazza já ministrou live na quarentena sobre a moda após o surto da Covid-19
Laura já ministrou live nesta quarentena sobre a moda após o surto da Covid-19
INSTAGRAM/REPRODUÇÃO/JC
No mês passado, via Instagram, Laura Ferrazza ministrou a live A moda depois da Covid-19. Para a divulgação na rede social, usou a ilustração icônica do médico da Peste Negra. “Aquela imagem que temos da máscara longa com bico de pássaro foi criada no século XVII, para médicos que atendiam pacientes da peste negra, que usavam uma roupa toda preta. Era feita toda de couro, cobria todo o rosto, os olhos tinham uma espécie de vidro, para poder enxergar”, explica.
Na altura do nariz, o bico era bem longo. “Por que eles usavam esta máscara? Primeiro, eles não sabiam se transmitia através da respiração, e talvez já pensando na questão das mucosas, pois já protegia os olhos, o nariz e a boca. Segundo, porque o médico seria a pessoa mais exposta, porque era quem entraria nas vilas que estariam interditadas, nas casas que haviam sido marcadas como locais onde estavam os doentes terminais, as pessoas que deveriam ser tratadas, algumas ainda poderiam ser curadas.”
A PhD em História da Moda e História da Arte narra que se dizia haver um odor pestilento onde estavam esses doentes: “Lembrando que a peste negra é a peste bubônica, aquela transmitida pelo rato, mas eles não sabiam ainda. Demoraram séculos para descobrir, e as condições de higiene eram mínimas. Ela dava inchaços em partes do corpo, como nas axilas, pescoço, em função da própria doença, com feridas purulentas, o odor ficava insuportável”. “Para o médico conseguir trabalhar, atender as pessoas sem ficar nauseado, talvez até tonto com um odor tão forte”, Laura conta que ao fim desta ponta longa a máscara levava uma espécie de sachê aromático, para que o cuidador respirasse o cheiro dessas ervas, neutralizando o odor da doença.

Sem calar as bocas protegidas

ARI aproveitou exigência da pandemia para protestar contra censura e cerceamento do exercício da profissão dos jornalistas
ARI aproveitou para protestar contra cerceamento do exercício da profissão dos jornalistas
ARI/DIVULGAÇÃO/JC
Nesta semana, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) começou a comercializar os bloqueadores de tecido que levam seu logotipo e a seguinte mensagem: “Máscara sim, mordaça não!”. Os itens em pano preto, com elástico, podem ser comprados pelo público em geral – não precisa ser jornalista nem sócio – por R$ 10,00 na sede da entidade (Borges de Medeiros, 915). A secretária já informou que a demanda foi tanta que novos pedidos foram feitos.
O presidente da associação, Luiz Adolfo Lino de Souza, conta que, na entrega do Prêmio ARI de Jornalismo 2019, foi lançada a campanha “Menos Fake News, Mais Jornalismo”. Segundo ele, foi uma forma de valorizar o trabalho do jornalista em momento difícil de atuação com mentiras e desinformação distribuídas nas redes: "Sabemos que um profissional responsável pode garantir a qualidade das informações".
A ideia da entidade era estender a campanha neste ano, e a necessidade do uso das máscaras na pandemia permitiu mandar outra mensagem, desta vez, contra a censura e o cerceamento do exercício da profissão. "Acreditamos que qualquer tentativa de calar a boca de um jornalista - e dos veículos - é um ataque ao trabalho de fiscalização que exercemos, especialmente em momento crítico de crise sanitária, econômica e política. Nunca precisamos tanto de Jornalismo”, afirma o presidente.

Simbologias em cores e formatos nos aparatos faciais

Buddha statues wearing face masks, in response to the current COVID-19 novel coronavirus situation, are seen at Wat Nithet Rat Pradit temple in Pathum Thani outside Bangkok on May 12, 2020. (Photo by Mladen ANTONOV / AFP)
Estátuas de Buda foram paramentadas com máscaras temáticas em templo da Tailândia
MLADEN ANTONOV/AFP/JC
Inicialmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendava o uso das máscaras para a população em geral, temendo a escassez dos itens de proteção para os profissionais da saúde. Após o avanço da pandemia e os resultados positivos em prevenção dos países que adotaram os artefatos no rosto em larga escala, mudou-se o protocolo.
Depois desse segundo momento, os repórteres da televisão brasileira não tiram mais a máscara de proteção nem para falar diretamente para a câmera. E, como padrão, eles utilizam máscaras de tecido brancas e lisas. Já os policiais civis e seguranças oficiais aparecem nas matérias televisivas com máscaras pretas.
Para a professora de História da Arte da Ufrgs Joana Bosak, as cores sempre tiveram um papel simbólico, principalmente nas roupas: “Pensemos nas cores de poder ou ligadas a profissões: o branco é uma cor, no mundo ocidental, ligada à pureza, à limpeza. Mas nem sempre foi assim: noivas de branco são uma novidade do século XIX. Durante períodos anteriores, verde e azul eram cores usadas em vestidos de casamento. Se procurarmos em obras de arte de séculos anteriores, veremos que não há noivas de branco. O preto era uma cor da Igreja, com o vermelho e o roxo, por exemplo, usados por bispos e cardeais. Posteriormente, o preto passou a representar a sobriedade do mundo industrial”.
A pesquisadora, que também é diretora do Museu Moda e Têxtil da Ufrgs, cita os estudos do historiador Michel Pastoureau sobre as cores e suas implicações em nossa vida. “As listras, por exemplo, ou tecidos estampados, durante muito tempo, foram ligados à desordem e ao demoníaco. A herança disso é o uniforme dos detentos, ou dos campos de concentração, o ‘pijama listrado’.” Conforme a docente, no caso das máscaras, essa lógica é mantida: “As máscaras dos trabalhadores da área da saúde seguem brancas, máscaras para crianças em geral são coloridas e estampadas, então os diversos perfis de usuários estabelecem uma relação distinta com a máscara. Simbolicamente, ficaria muito estranho ou até mesmo inadequado policiais com máscaras ‘alegres’, coloridas, estampadas. Então, sim, as máscaras seguem o padrão da moda, adequando-se a distintos perfis de uso, dependendo da profissão, por exemplo”.

Usuários em ponto de ônibus da Capital; para professora Joana Bosak, máscara identifica quem se cuida e cuida dos outros
Usuários em ponto de ônibus da Capital; para professora Joana Bosak, máscara identifica quem se cuida e cuida dos outros
MARCO QUINTANA/JC
Laura Ferrazza concorda com essa manifestação simbólica. “As pessoas vão começar a associar não somente com seu estilo pessoal, sua identidade profissional, mas com uma questão de estilo pessoal mesmo, com o que vestem, as roupas que usam. No caso dos repórteres de TV, algo muito colorido pode tirar a atenção do telespectador, fica uma marca muito pessoal para quem está passando uma mensagem de uma notícia. No caso da polícia, talvez a máscara preta por uma questão de seriedade, sobriedade, algo mais fechado.”
A historiadora acrescenta que nas ruas de Porto Alegre, avistou policiais militares, que chamamos de “brigadianos”, com máscaras confeccionadas com o mesmo tecido cáqui da farda. “No supermercado, vi o guardinha da porta usando a máscara no mesmo tom do seu uniforme. Isso segue uma ideia de uniformização para esses profissionais que já usam uniforme. Então, tem as cores da empresa, acompanha. A máscara, agora, faz parte desse uniforme dos funcionários. Em pessoas comuns, vemos muitas máscaras estampadas, em tecido decorado. Eu mesma vejo se na roupa que estou usando não vai ficar estranho, muito misturado. Às vezes, também acho excesso de estampa no meu rosto, prefiro o pano liso. Cada vez mais, vai se tornar um objeto relacionado à identidade e ao estilo da pessoa. Inclusive, estão surgindo opções diferentes”, comenta Laura.

View of a graffiti of a person with a mask  in Venice Beach, california on the first day Los Angeles County allowed beaches to reopen after a six-week closure implemented to stop the spread of the coronavirus (Covid-19),on May 13, 2020. - The County only allows activities such as running, walking, swimming and surfing with sunbathing and volleyball not allowed. (Photo by VALERIE MACON / AFP)
Grafite na Califórnia, onde as praias ficaram fechadas por seis semanas para impedir a propagação da Covid-19
VALERIE MACON/AFP/JC
De acordo com a diretora do Museu Moda e Têxtil da Ufrgs, trata-se de uma questão contextual: "Se, em 2013, a máscara tem um papel nas manifestações, atualmente, ela assume outro completamente distinto. Se, durante a peste, no século XIV ou mesmo no XVII, em Veneza, por exemplo, ela remete ao Médico da Peste, uma figura que poderia representar a presença da morte, depois, ele se transforma em fantasia de Carnaval, em personagem literária".
Joana frisa que, para nós, será efetivamente a marca de um estilo de vida que teve de mudar radicalmente em função de uma demanda externa ao mercado. "Desta vez, os bureaus que 'criam' a moda, mais do que nunca, estão tendo de se submeter a algo que veio de 'fora' desse sistema, embora logo mais isso já vá ser engolido por esse sistema da moda, como quase tudo o que acontece no mundo voltado à produção de artefatos que se transforma em itens de consumo de massa", diz. A professora conclui que o design de máscaras já é uma realidade e uma necessidade. "Provavelmente, no futuro, nossa sociedade será representada mascarada, quando isso já for história narrada e não apenas vivida."
Laura, mais uma vez, tem uma visão parecida com a da docente: “Acho que vai marcar um período histórico, por isso os artistas de rua já estão se manifestando ao retratar o hábito nas paredes. Ou ao cobrir monumentos com uma máscara. Era algo que não se via há muito tempo, uma pandemia dessas proporções, no mundo globalizado, que atingiu o planeta todo. A máscara se tornou o símbolo desse momento. Com certeza, haverá uma mudança no tipo da máscara, não vai se apagar esses usos que já ocorreram, que mencionei lá no início, mas esta de uso protetivo, que lembra mais o modelo da Medicina, cirúrgico, mesmo com adaptações coloridas, vai ficar associada, daqui para frente, com o que estamos vivendo em 2020”.

Consumo durante o distanciamento social

Facial masks for sale are on display in a shop on May 12, 2020 in Rome, as the country is under lockdown to stop the spread of the Covid-19 disease caused by the novel coronavirus. (Photo by Alberto PIZZOLI / AFP)
      Caption
Máscaras faciais à venda em loja de Roma, capital da Itália, país bastante afetado com a doença
ALBERTO PIZZOLI/AFP/JC
Joana Bosak reconhece que, nesta pandemia, o consumo tem sofrido reveses, mas o efeito sobre o consumismo é distinto: “As pessoas têm pensado mais sobre o que consumir, sobre o que efetivamente precisam ou não. O excesso, o acúmulo, tem sido revisto, já que nossas conexões atuais são diferentes do que eram. Passamos mais tempo em casa e temos menos vida social ou não temos, então muitos pares de sapatos e roupas incríveis, se usados, o são em âmbito íntimo”.
Para ela, tudo isso faz com que os nossos padrões de compra sejam pensados. “Creio que esse movimento possa criar um consumo realmente mais consciente”, torce. Já as máscaras serão um novo item, como já o são em algumas sociedades orientais, na opinião da professora de História da Arte da Ufrgs: “O design de máscaras já é uma realidade e uma necessidade, é só ver quanta gente está envolvida nessa produção, porque todo mundo precisa e precisará num futuro que ainda não temos como dimensionar”.
Já a pesquisadora de História e Moda Laura Ferrazza tem algumas experiências que questionam a primeira impressão. “Não podemos nos iludir que não está havendo consumo, claro que ele não tem aquele volume que tinha antes, porque as pessoas não circulam. Mas tivemos o boom da venda on-line, porque as pessoas estão presas em casa ou, se não estão tão ocupadas, acabam passeando pela internet e se sentem tentadas a comprar virtualmente.”
Ela tem uma lojinha virtual (no site Enjoei e, no Facebook, Flamingo Brechó) e diz estar vendendo como nunca. “É assustador, me alegra que esteja vendendo livros, que as pessoas estejam comprando livros, me parece que elas estejam preocupadas em adquirir conhecimento, ocupar o seu tempo com algo útil. Isso me parece muito bonito. Mas também tenho vendido roupas que não acredito que a pessoa vai usar para ficar em casa... não é um pijama. Isso eu acho um pouco estranho...", compartilha.

Em maio, novo modelo foi exibido em um manequim de loja de moda da Nova Zelândia
Em maio, novo modelo foi exibido em um manequim de loja de moda da Nova Zelândia
SANKA VIDANAGAMA/AFP/JC
Sobre a máscara, que é esse objeto que vai ter que ser consumido obrigatoriamente, Laura observa algumas situações interessantes sobre o mercado. Algumas grifes famosas começaram confeccionando com intenção social, de doação para instituições, mas acredita que todas as marcas vão acabar desenvolvendo, porque até já houve falsificações de marcas internacionais, e essa pirataria já é um indicativo de consumo. “Em breve, muitas marcas vão produzir o que carregue o DNA em seu acessório.” Ela já constatou o caso de marcas locais que brindam o consumidor de alguma roupa sua com a máscara no mesmo estilo, para combinações. “Personagens da cultura pop também são bastante consumidos. É um item de valor não tão alto (com exceção das pedrarias e das grifes).”
Joana afirma que o mercado da moda mudou com a pandemia, mas ainda não radicalmente, pois ainda estão previstas coleções de acordo com o calendário pré-existente e eventos de moda não foram completamente suspensos em médio prazo: “De toda forma, ele está sendo obrigado a se repensar. Assim como se percebeu que há que priorizar a produção nacional e de pequenas marcas, o chamado design autoral; o mundo da moda está sendo obrigado a pensar em ajustes na indumentária pós-pandemia. Se num passado a roupa branca usada junto ao corpo era índice de riqueza em inventários, futuramente a quantidade de máscaras, bem como os materiais e melhor modelagem, poderão estabelecer esse mesmo critério. Como algo aparente, a máscara indica o que chamamos distinção. Então, grandes marcas da moda já estão criando modelos, após doarem para instituições. Grifes recriam sua magia em outro espaço: o rosto”.
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