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Literatura

Alterada em 23/04 às 18h57min

Espaço dos apaixonados por livros em Porto Alegre, Bamboletras completa 25 anos

Acervo e a curadoria são diferenciais, diz Milton Ribeiro, dono da livraria

Acervo e a curadoria são diferenciais, diz Milton Ribeiro, dono da livraria


LUIZA PRADO/JC
Igor Natusch
Um dos espaços mais emblemáticos e duradouros da literatura em Porto Alegre, a livraria Bamboletras completa 25 anos de existência nesta sexta-feira (24). Fundada pela jornalista Lu Vilella em 1995, a casa literária começou a funcionar na Rua da República, com foco em literatura infantil, mas logo se mudou para o Shopping Nova Olaria, na Cidade Baixa, onde está até hoje. Com o tempo, o leque de livros oferecidos também se expandiu, ao ponto do local se tornar uma espécie de ponto de referência para os apaixonados por livros na Capital.
Um dos espaços mais emblemáticos e duradouros da literatura em Porto Alegre, a livraria Bamboletras completa 25 anos de existência nesta sexta-feira (24). Fundada pela jornalista Lu Vilella em 1995, a casa literária começou a funcionar na Rua da República, com foco em literatura infantil, mas logo se mudou para o Shopping Nova Olaria, na Cidade Baixa, onde está até hoje. Com o tempo, o leque de livros oferecidos também se expandiu, ao ponto do local se tornar uma espécie de ponto de referência para os apaixonados por livros na Capital.
Em uma história na qual a paixão é um dos elementos principais, a troca de bastão no comando da casa não poderia fugir à regra. "Eu soube (em 2018) que a Lu queria vender a Bamboletras", diz o também jornalista Milton Ribeiro, atual proprietário do negócio e que, durante muitos anos, foi um dos mais fiéis frequentadores do lugar. "Fui falar com ela, mas já fui avisando que não tinha grana. Ela me avisou que eu podia pagar a livraria com meu próprio trabalho dentro da Bambô. E que para mim, um contumaz cliente e apaixonado por livros, ela venderia. Assim, para meu espanto, tornei-me livreiro, algo com que sempre sonhei, mas que jamais pensei que conseguiria."
Um dos diferenciais da Bamboletras é a curadoria ao mesmo tempo rigorosa e apaixonada, com uma espécie de acervo fixo no qual os bons livros são repostos assim que saem da loja. "O nosso principal capital é o acervo e a curadoria", reforça Milton. "Todos os funcionários são leitores e podem falar a respeito de uma boa série de livros. Isso causa uma ótima surpresa aos clientes. Eles vêm e dizem que gostaram de tal gênero ou autor ou livro, e aqui eles ouvirão falar de livros do mesmo estilo ou com temas análogos."
A comemoração dos 25 anos será a distância. No momento, a sede na Lima e Silva está com as portas fechadas, devido à presença do novo coronavírus em Porto Alegre, e os livros estão chegando aos leitores e leitoras fiéis por tele-entrega. Apenas um funcionário vai até a loja, e os demais estão atuando em sistema de home office. O objetivo, como diz Milton, é "chegar vivos ao outro lado da curva" – afinal, as vendas caíram a menos da metade, mas as contas seguem chegando.
A sobrevivência não só da Bamboletras, mas de todo o ecossistema ao qual ela pertence - a cadeia formada por autores, editores, distribuidores e leitores – passa, necessariamente, pela reinvenção. "Não creio que, se sobrevivermos, permaneceremos iguais ao que éramos antes", reflete Milton. "Muita gente está achando confortável receber os livros da Bamboletras imediatamente, em casa. Ou seja, a pessoa deseja um livro e este chega uma ou duas horas depois em cima de uma bicicleta. Improvisadamente, estamos criando novos hábitos. Assim como muitas pessoas estão redescobrindo o prazer de fazer coisas em casa, acho que os hábitos mudarão no período pós-pandemia. E, sabemos, esta não acabará com um canetaço."
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