Porto Alegre, quarta-feira, 11 de março de 2020.

Jornal do Comércio

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 11/03/2020. Alterada em 10/03 às 19h40min

Novo filme de Polanski, 'O oficial e o espião' estreia envolto em polêmica

Inspirado em uma história real, trama aborda o caso Dreyfus, sobre um capitão acusado de traição

Inspirado em uma história real, trama aborda o caso Dreyfus, sobre um capitão acusado de traição


CALIFORNIA FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Recentemente, por ocasião do prêmio Cesar de Cinema, considerado o Oscar francês, o nome do cineasta franco-polonês Roman Polanski (autor de clássicos como O bebê de Rosemary, Chinatown e O pianista), de 86 anos, voltou à luz das polêmicas. Sua última obra, o drama de época O oficial e o espião (J'accuse), foi indicada em 12 categorias da premiação.
Recentemente, por ocasião do prêmio Cesar de Cinema, considerado o Oscar francês, o nome do cineasta franco-polonês Roman Polanski (autor de clássicos como O bebê de Rosemary, Chinatown e O pianista), de 86 anos, voltou à luz das polêmicas. Sua última obra, o drama de época O oficial e o espião (J'accuse), foi indicada em 12 categorias da premiação.
Como o diretor é foragido da justiça norte-americana desde 1977, acusado de estuprar uma menina de 13 anos, as menções ao seu trabalho sempre geram recepção negativa por parte da opinião pública, ainda mais depois de novas denúncias aparecerem. A academia que organiza os prêmios Cesar da França passou por uma crise depois que toda a diretoria renunciou em meio a pedidos de reforma e uma briga pelo escândalo de Polanski. A Cesar Academy começou a ser criticada no final de janeiro, quando foi divulgado que O oficial e o espião liderava a lista de indicações ao troféu, que foi entregue em 28 de fevereiro.
Dado todo esse contexto, o cineasta não compareceu à cerimônia, temendo um linchamento por ativistas feministas. De fato, grandes protestos ocorreram em frente ao Salle Pleyel, em Paris, no dia da exibição e também na data da 45ª edição da premiação. Mesmo assim, a obra foi aclamada na láurea, com as distinções de Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Figurino. Ativistas exibiram uma faixa com a inscrição "Polanski: Melhor estuprador 2020" durante a manifestação, e diversas atrizes saíram do auditório após o anúncio da vitória do cineasta.
Antes do destaque no Cesar, o longa já tinha sido aclamado quando fez a estreia mundial no último Festival de Veneza, tendo recebido quatro prêmios: o Fipresci - prêmio da crítica, o Grande Prêmio do Júri, o Green Drop e o Sorriso Diverso Venezia. O filme, que se passa no final do século XIX, é baseado no caso Dreyfus, um escândalo político causado por um erro judicial na França, que demorou mais de 10 anos para ser resolvido.
Apesar dos pedidos de boicote, no final de 2019, mais de um milhão e meio de espectadores assistiram ao título na França. Nesta quinta-feira, O oficial e o espião chega aos cinemas do País e é a oportunidade de verificar se o público cinéfilo brasileiro se pauta mais por polêmicas extra-fílmicas ou se detém no conteúdo exibido nas telas.
"A história de um homem injustamente acusado é fascinante, mas também é muito atual, dado o aumento do antissemitismo", declarou Polanski sobre a obra, uma coprodução franco-italiana. Na trama dramática, o capitão Alfred Dreyfus (Louis Garrel, de Um homem fiel) é um dos poucos judeus que faz parte do Exército francês. No dia 22 de dezembro de 1884, seus inimigos alcançam seu objetivo: conseguem fazer com que Dreyfus seja acusado de alta traição por suposta espionagem para os alemães.
Pelo crime, o capitão é julgado a portas fechadas, condenado injustamente e sentenciado à prisão perpétua no exílio (na Ilha do Diabo). Intrigado com a evolução do caso, o coronel Picquart (Jean Dujardin, de O artista) duvida da culpabilidade de Dreyfus e passa a investigar a acusação por conta própria, seguindo as pistas para desvendar o mistério por trás da condenação. "Ele decide seguir sua própria consciência e sua necessidade de saber a verdade mais do que obedecer aos militares", explicou o diretor.
Num primeiro momento, Polanski e o roteirista Robert Harris (de O escritor fantasma) pensaram em construir a narrativa sob o ponto de vista de Dreyfus, mas perceberam que não seria um roteiro interessante. "Toda a ação, com diversos personagens e reviravoltas, acontece em Paris, enquanto nosso personagem principal estaria preso. Então, Harris encontrou a solução para nosso dilema: era melhor contar a história do ponto de vista do coronel Picquart, um dos principais personagens", argumentou o cineasta.
Baseado em uma história real, o título original do filme - J'accuse (em português, "eu acuso") - resgata a denominação homônima do artigo escrito pelo consagrado autor Émile Zola quando ocorreu o caso Dreyfus. O panfleto foi publicado no jornal L'Aurore do 13 de janeiro de 1898, sob a forma de uma carta ao então presidente da República Francesa, Félix Faure.