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Notícia da edição impressa de 27/02/2020. Alterada em 26/02 às 20h24min

'Verona' transporta obra de Shakespeare para a fronteira gaúcha

Série baseada em 'Romeu e Julieta' é uma das últimas obras de Leonardo Machado, falecido em 2018

Série baseada em 'Romeu e Julieta' é uma das últimas obras de Leonardo Machado, falecido em 2018


PRODUÇÃO BOX BRAZIL/DIVULGAÇÃO/JC
Igor Natusch
Não há quem não tenha pelo menos ouvido falar em Romeu e Julieta, obra de William Shakespeare que se tornou uma das mais notórias da dramaturgia mundial. Transportar a trágica história de amor para a fronteira gaúcha é o grande mote de Verona, série em quatro episódios produzida pela Accorde Filmes. Filmada na região de Bagé, no começo deste ano, a produção tem estreia no canal Prime Box Brazil marcada para o segundo semestre de 2020.
Não há quem não tenha pelo menos ouvido falar em Romeu e Julieta, obra de William Shakespeare que se tornou uma das mais notórias da dramaturgia mundial. Transportar a trágica história de amor para a fronteira gaúcha é o grande mote de Verona, série em quatro episódios produzida pela Accorde Filmes. Filmada na região de Bagé, no começo deste ano, a produção tem estreia no canal Prime Box Brazil marcada para o segundo semestre de 2020.
O amor acaba sendo não apenas o sentimento que impulsiona os acontecimentos na tela, mas também a força por trás de toda a produção. A obra é um dos últimos projetos do ator e roteirista Leonardo Machado, morto em 2018 em decorrência de um câncer no fígado - e as filmagens foram dirigidas por sua esposa, Ane Siderman, em uma equipe formada por vários amigos e pessoas próximas ao falecido realizador.
"Depois de perder o amor da minha vida, o maior desafio era contar uma história de amor", diz a diretora ao Jornal do Comércio. A ideia original, revela, era que o casal dirigisse a série junto, e boa parte da equipe foi escolhida antes que a saúde de Leonardo (vencedor do Kikito de Melhor Ator no Festival de Gramado em 2009, pelo filme Em teu nome) impedisse a continuidade inicial do projeto.
A rivalidade entre os Montecchio e os Capuleto, ambientada por Shakespeare no coração da Itália, ganha novos contornos em Verona: agora, são os jovens gaúchos Rodrigo (Lucas Zaffari) e Juliana (Marcela Fetter) que precisam enfrentar o ódio entre suas famílias, que residem em fazendas divididas por uma cerca na fronteira entre Brasil e Uruguai. O elenco também conta com nomes como Sandra Dani, Bruno Krieger, Ida Celina, Nelson Diniz e Carmem Fagundes.
O nome Verona é uma referência à cidade da região italiana de Vêneto onde o drama de Romeu e Julieta se desenrola. O título foi escolhido por Paulo Nascimento, que trabalhou a partir das ideias de Leonardo Machado para fazer o último tratamento do roteiro. A trama se desenrola no período entre o Natal e o Ano-Novo, quando muitos jovens regressam ao Interior para visitar suas famílias, e a paisagem do pampa e o isolamento das estâncias ajudam a reforçar o choque de gerações, aludindo à pressão que muitos pais lançam sobre os filhos para que mantenham seu legado no campo.
A diretora conta que, na pré-produção da série, o elenco foi convidado a participar ativamente do processo de construção do background de cada personagem, discutindo as relações que eles teriam tanto dentro quanto fora da trama principal. "Há vários tipos de amor. E, em cada relação, há, também, o julgamento, a opressão, a possessividade, a rivalidade, o ciúme, os traumas velados, e é isso que trabalhamos exaustivamente com o elenco. Cada um deixou na obra algo de si. Eu deixei muito de mim e aprendi muito com eles", descreve.
Com muita gente próxima de Leonardo Machado trabalhando em um projeto que ele não pôde concluir, é claro que as filmagens de Verona ganharam contornos bastante emocionais. Mas essa presença esteve longe de ser algo negativo, garante Ane Siderman. "Muitos da equipe contaram de coincidências boas que aconteceram no processo. Dizíamos: foi o nosso produtor master nos ajudando lá de cima", lembra ela. "Quase todos na equipe tinham uma relação com ele, e, juntos, aprendemos a ressignificar, transformar a dor em algo sublime. Elenco e equipe estavam muito unidos, trazendo diariamente uma leveza ao set, assim como o Léo também fazia em seu trabalho."
Há, ainda, mais um projeto de Leonardo em andamento: um longa-metragem, chamado Pelicano. A obra escrita por ele, que também deve ser produzida pela Accorde Filmes, está em fase de captação de recursos, sem data prevista de lançamento.
Com tanto amor dentro e por trás das cenas, Verona acaba sendo também uma oportunidade de discutir os sentimentos capazes de unir as pessoas, em tempos marcados por oposição, rivalidade e diferença - uma reflexão que existe desde bem antes de Shakespeare e que, pelo jeito, está longe de perder a importância. "Na era na qual cada um é dono da verdade, esquecemos que, quando julgamos o outro, apontamos um dedo para ele e os outros para nós mesmos. Esquecemos de valorizar todos os tipos de amor, esquecemos dentro da rivalidade nossa humanidade", reflete a realizadora.